Algures no mundo

Ir à missa.

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Decidi ir a um bairro tirar fotografias no Domingo. Quando cheguei, não vi quase ninguém. Andei por lá às voltas, até que oiço um barulho grande. Animação à séria. Às 11 da manhã. Disco Style. Ora, é já ali que vou, pensei. Começo a andar e pimba, deparo-me com uma igreja redentora de qualquer coisa, que nem sei bem o quê. Mas pareceu-me que não podia não ir. Chego à porta (ou perto, já que tinha havido muita chuva e só dava para passar em cima de tábuas), e vem uma senhora velhinha a andar para mim. Com um ar muito compenetrado. Eu, de calções, top e máquina em punho, mantenho-me onde estava, com o ar mais sério que podia fazer (já que a indumentária em si podia ser considerada excesso naquela circunstancia). A senhora pára à minha frente. Eu continuo estática a achar que vou levar uma bofetada por qualquer razão que não me aparece no momento, mas que considero que existe, de certeza. E. Chega a cara e dá-me um beijinho. E outro. Olha-me nos olhos e continua o seu caminho.
Fico ali uns segundos meio baralhada. Depois avanço para a igreja, cheia de confiança que se a senhora me deu uns beijinhos é porque fui aceite. E lá me sentaram numa cadeira qualquer, entre cânticos exuberantes, vindo logo a seguir trazer-me uma capulana como quem diz: “oh filha, podes vir, mas tapa essas pernas”. É justo.
Para ajudar, a missa era feita com um pastor e um tradutor. Ora falava um, ora outro. Muito em sintonia. E acho que nunca ouvi uma homilia com tanta atenção, o que o senhor dizia era para lá de surreal, e até um pouco sem nexo. Mas às tantas era eu quem não estava preparada para tanta coisa nessa manhã. Só se falava em abrir portas e portões, falando no filho do Presidente à mistura, dizendo que o filho do Presidente também tinha quem lhe abrisse portas e portões e que ninguém podia ficar doente porque as empresas nacionais e internacionais não contratavam gente assim. E que mesmo que dissessem que ligariam de volta, se estivéssemos doentes, nunca iam ligar. Foi estranho.
O resto do dia. Bem, foi só para tirar fotografias. Típico. Mas óptimo!
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