Algures no mundo


Leave a comment

Há 10 anos era assim.

Ainda me lembro quando há 10 anos e muito decidimos que íamos fazer uma Roadtrip até chegar a Lagos. De Lisboa. Sim, essa viagem que demora 2 horas e passou a demorar uma semana. Éramos cool (e ainda somos, para dizer a verdade). Acampávamos na praia, ou na colina, ou onde desse para montar a tenda (e bem sei que houve um dia em que estava tanto vento, na Arrifana, que cheguei a achar que íamos voar, quando a meio da noite tivemos que sair da tenda para pôr as estacas, coisa que até este ponto não tinha sido preciso). Mas éramos cool, estava a dizer. Levámos uma prancha (isso diz logo muito sobre nós). Mas nessa altura surf ainda não era bem o que era agora, sendo que o nosso nível de surf se manteve desde aí. No zero, entenda-se. A prancha serviu apenas para 30 minutos de treino (treino, ahaha) num dia. Além disso, serviu para dar dores de cabeça, porque tínhamos que a deixar em sítios cada vez que nos afastávamos do carro (sítios as in lojas e tal, já que dentro do carro ela não cabia). Mas era uma prancha gira. Ao menos isso.

Levámos um fogão a gás, daqueles pequeninos. E tínhamos a casa de banho sempre connosco (nunca a expressão “vai cagar ao mato” fez tanto sentido). Andámos de praia em praia. Fizemos sessões fotográficas com uma máquina reles, de certeza, a julgar pela quantidade de fotografias desfocadas (ou do nosso jeito, vá). Tomámos banho em bombas de serviço e acabámos em Lagos, na casa do Pedro, e a ir ao Slide and Splash (ou outro parque aquático qualquer, nem sei).
Ainda me lembro disto tudo. E às vezes apetece voltar.
Mas passados 10 anos e meio, 5 crianças e muitos bons dias de praia (bem, o de hoje foi especial, afinal não é sempre que um cão nos rouba o peixe e uma francesa qualquer nos paga uma parte do almoço), continuamos prontas para as curvas. Desta vez com carrinhos de bebés, e swaddles, e telemóveis carregados de white noise. Mas continuamos lindas. E maravilhosas. Com mais olheiras, é certo, mas nada que uma boa maquilhagem não disfarce.
Tudo o resto é peanuts.
Venham mais não sei quantas crianças. E não sei quantos dias de praia (mais dias de praia do que crianças, atenção!).
(Agora vou dormir, que uma das miúdas está quase a acordar e lá começa o turno da noite. Mas sempre é melhor do que pôr estacas em tendas. Nada como ver os silver linings, como diria o meu querido namorado). trip-007trip-008trip-010trip-011trip-016trip-030trip-046trip-059trip-061trip-064trip-067trip-071trip-078trip-099trip-101trip-113trip-125trip-150trip-155trip-161trip-188trip-189trip-197trip-198trip-217trip-225img_0773
Advertisements


1 Comment

Here she comes.

Isto de ter filhos é muito giro. A sério. Bem, não o tê-los propriamente, que era completamente dispensável (fazia outsourcing no homem tranquilamente). Mas o que isso traz depois. Não falo das noites, nem dos choros. Nem dos narizes entupidos, e tosses e “ai Jesus o que será que ela tem?”. Não falo também do “será que fez cocó hoje?”, nem do “apetece-me ir dar uma curva, mas agora não vai dar, porque temos que ir à natação”. Não falo do sermos postos em segundo (por nós próprios, pelo menos. E pelos outros todos.), nem do facto de uma sala de estar virar sala de brinquedos, onde entramos pela porta e há sempre um brinquedo que começa a tocar, ou pisamos um lego, ou damos por nós a montar torres de caixotes mesmo quando elas não andam por perto (as miúdas, não as torres). Só pelo hábito. Sim, que é muito bonito, é, mas para quem precisa de liberdade, bang, é um tiro no pé.

Mas não o faria de outra forma.

Quando riem é a coisa mais querida (e já sei que a pequena não ri nada, que são esgares. Oh well, são esgares muito bonitos e são para mim). E quando conseguem fazer uma coisa nova é uma alegria. E quando, neste caso, a mais velha viu a mais pequena, e lhe saltou para cima, a rir, e a bater palmas (e quase a arrancar-lhe um olho), eu soube que pode custar o couro e o cabelo e tudo mais (que custa!), mas que vale a pena. E por isso, não digo aquilo que oiço tantas vezes dizer: “ah e tal, não cresças”. Nope, eu quero que cresçam, que é bem divertido ir vendo as várias fases. E quando começar a sentir saudades, é só ter outro. So far, este plano tem corrido bem.

E as minhas miúdas são fixes.

Ecco, cá estão elas.

(Claro que vai ser complicado continuar a viajar como costumava, mas já andei a ver voos. Complicado talvez. Impossível, nunca). Vamos lá ver qual será o próximo destino.dsc_9974dsc_9975