Algures no mundo

Ser esse ser zombie que anda por aí.

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Ser mãe é ter que trabalhar e não conseguir bater uma tecla que implique ter o cérebro a pensar. Pelo menos hoje. Porque ser mãe é não ter dormido. Ou ter dormido um bocado, não nos vamos queixar. Dormir, não dormir, dormir, não dormir. As noites são um bocado como jogar ao bem-me-quer-mal-me-quer, mas fica-se com a sensação de se ter claramente parado no mal-me-quer o tempo todo.

Ser mãe é tomar banho com o camelo da minha filha a olhar para mim. Um boneco, portanto, que não chamo camelo à criança. Pelo menos por agora. Ser mãe é já não sentir fome. Ou sentir e olhar para os ténis cheios de sopa (os meus, não os dela), para as calças com ranho e para os cabelos com gordura (das mãos, não que não os lave, atenção) e pensar: passo. Fica para a próxima. Ou então, não passo e vou ali ao bolo, ou aos chocolates, ou às bolachas Maria com manteiga, que têm 26gr de açúcar por cada 100 de bolacha (sim, ser mãe é também saber isto).

Ser mãe é ter sempre tudo desarrumado. Já era, por natureza, mas estávamos a falar de roupa, não de aspiradores nasais, ou de bonecas chamadas Felicidade, ou gorros e compressas e fraldas sujas (sim, é terrível, mas é verdade), ou outras coisas que tais. O que vale é que nunca me ralei com a desarrumação, senão estava tramada. Mas ser mãe é estar tramada, sem dúvida.

Ser mãe é ouvir falar em 700 doenças terminadas em “ite”, cuja existência era totalmente não existente no meu léxico de palavras (que está muito reduzido neste momento, ainda assim). E não falo de otites, essas são peanuts. Que, por falar nisso, ser mãe é ter peanuts para almoço, jantar e pequeno almoço. Com felicidade (e não, não é a boneca da miúda, é só o sorriso na cara, ou no rosto, como diria o meu marido “brasileiro”).

Ser mãe é ter que pensar em 4 conjuntos de roupa por dia (e se para mim eu já não usava nada que “conjugasse”, ui, agora então…). E porquê quarto? Porque o bolsado (vá, vomitado, para o comum dos mortais onde me incluo) gosta de aparecer por aí, só porque sim. E portanto são conjuntos para ela, conjuntos para mim, panos para limpar o chão, o pescoço e tudo o que esteja à frente. Uma maravilha, portanto.

Ser mãe é ir à casa de banho sozinha (temos pena, mas não engulo essa de as levar para a casa de banho comigo) e ficar estressada por as deixar a chorar. Mas deixar, ainda assim. E ficar estressada porque já não se aguenta aquele choro que está a dizer: “não tens tempo para ti, anda aqui ver o que tenho, que por norma nem é nada, mas quero companhia”. Pimba, e o que faz a mãe. Faz companhia. Ou então choram por cólicas, dizem, e ser mãe é massajar a barriga ainda que essas cólicas sejam, na verdade, uma dor no dedo mindinho, who will know?

Ser mãe é repetir 200 vezes como faz o cão, como faz o gato e o pintainho e chegar a um momento em que se troca a cabra com o burro e já nem se tem voz para fazer o “cócorococo”. Mas faz-se. E diz-se que é o galo rouco.

Ser mãe é estar aqui há 30 minutos a escrever isto, porque, then again, o cérebro está mau e não me apetece abrir os emails que vão aparecendo no canto inferior direito porque sei que nem sei por onde começar, e estar a cheirar cocó, mas não apetecer ir já mudar a fralda porque a miúda agora já não se deixa mudar, e rebola, e faz fitas e eu já não sei mais que brincadeiras hei-de fazer para que a muda da fralda seja tranquila.

Mas ser mãe é divertido. Ponto.

(Em baixo, uma está a chorar, a outra com cocó e eu…eu estou só aqui, a ver passar os comboios).

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