Algures no mundo

África. Ou Moçambique.

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Por norma, só quem não esteve em África é que acha que África é pobreza. Ou que teve pouco tempo, vá.

Porque sim, há pobreza, claro, mas é uma pobreza que fica muito aquém dos sorrisos, e da alegria das pessoas. Não têm chinelos, mas nunca reclamam por isso. Ou casas, até.

E isto é o que mais gosto de África. E é por isso que gosto de cá trazer as minhas filhas, porque apesar de toda a gente dizer que elas não se vão lembrar, em última análise, lembrar-me-ei eu.
Sei que me vou lembrar de as ver a brincar com qualquer pessoa, preta, branca, pobre ou rica. Sei que me vou lembrar que comeram papas de milho, feitas com milho mesmo, e com leite. Sei que me vou lembrar que andaram descalças em qualquer chão e que foram seguradas em capulana para adormecerem. Vou-me lembrar que aqui a Quinta do tio Manel, passou a Quinta do tio Maneli, e que a We are family, I got all my sisters with me, passou a We are hummhummli, I got iol my sisters hummm.
Vou-me lembrar que aqui ninguém as trata como rainhas, e eu gosto disso, e vou-me lembrar que é bom voltar às origens (e no meu caso, são mesmo) para ter os pés na terra (ainda que tenha que chegar pelo ar).
Mas, ontem, ao ver o Francisco, um miúdo de 10 anos, que nem sabia ler nem escrever, mas que era muito querido, lembrei-me da pobreza, porque ele, ao contrário da maioria, tinha um ar triste. Um ar de quem não sabia bem para onde se virar. Um ar de quem queria que gostassem dele (e se eu gostei!). Um ar de quem precisava de mais, mas não tinha. E aí, naquele bocadinho, também eu fiquei triste, porque é difícil ver alguém assim e não poder fazer nada.
Já a minha miúda, mesmo sem falar, acho que fez o que eu não consegui, estar com ele. De igual para igual. E a brincar com um carrinho feito de latas e ferro.
Só por isso, também já valeu ter vindo.
(Apesar de tudo isto, valeu o fim-de-semana de miúdas, com chineses à mistura e sul-africanos a serem mandados por mim (de pijama e descalça) calar à uma da manhã, já que acharam que música aos berros ao lado da nossa casa era o que estava a dar).
Ficam as fotografias. DSC_0601DSC_0616DSC_0618DSC_0620DSC_0625DSC_0645DSC_0646DSC_0651DSC_0654DSC_0673DSC_0675DSC_0692DSC_0708DSC_0711DSC_0726DSC_0732DSC_0737DSC_0743DSC_0759DSC_0762
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