Algures no mundo


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Viagens boas? São todas. #NOT

E pronto, mais uma viagem. Até tremo sempre que penso que vai acontecer. E acabo sempre a prometer-me a mim mesma que nunca mais voo no fim (e o que é para lá de idiota, já que, por exemplo, neste caso, tenho outra viagem de 10 horas marcada para daqui a 15 dias. Oh well, não aprendo).

Mas vamos lá. Começa por haver um problema qualquer que não nos permite fazer o check-in online e o voo estar atrasado. Tudo bem (desde que não atrase muito porque só temos 2 horas de conecção). Chegamos mais ou menos a tempo ao aeroporto, para ter um senhor nervoso (coitado, só reparei depois que estava em formação) a fazer perguntas como: “foi a senhora que fez a sua mala?”, e “Ah, em austin? Dizem que é bonito”. Sorrio e digo-lhe “sim, é, mas estou atrasada para o voo”. Resposta, meio a gaguejar: “atrasada, pois, é chato”. Respiro fundo. Começa bem.

Cinquenta malas atrás e 3 crianças. Uma não anda, uma anda demais e outra decide que estar nos terrible two é que é, portanto faz birras a torto e a direito. Vamos comprar uns pastéis de nata e, em menos de 2 segundos, duas delas desaparecem. Corro, toda a gente a fazer sinais e lá estão elas, quase a partir frascos de perfume. Cheios de fome mas vazios de tempo, tentamos despachar-nos, mas não é fácil explicar à mais velha como se anda em escadas rolantes e/ou tapetes rolantes, portanto fazemos maratonas para garantir que se cair, não leva com carrinhos ou pessoas ou malas atrás.

Chegamos à porta e claro que sou escolhida para “random search”. Dá sempre imenso jeito, com uma das miúdas enfiada no pano à minha frente. E depois a do meio também é escolhida. De facto, a miúda é terrorista, mas não do género de que eles procuram. Com uma no pano e outra ao colo, lá vamos nós ser revistadas. Adoro.

Elas continuam com fome, lá fazemos o nosso número habitual de pic-nic no meio do aeroporto e saltam das nossas malas uvas (que caem no chão, são pisadas e ficam um nojo), sopa, que é comida de palhinha porque nos esquecemos da colher, pacotinhos de fruta, que são espremidos antes de chegarem à boca e aterram nas camisolas e por aí além. Ficam sujas, mas alimentadas. Menos mal. Trocar fraldas (sim, isto sempre vezes 3. É uma maravilha).

E pronto, chegam ao voo e mais ou menos que adormecem. Vai correr tãoooo bem. I can feel it.
Só que não.

Eu estava já cansada (I wonder why) e decido beber um bocadinho de coca-cola. Ohhhh, o que fui eu fazer. Uns simples golos de coca-cola conseguiram fazer a mais nova estar aos berros duas horas. As últimas duas horas de voo. Nunca achei eu que fosse usar um bebegel na casa de banho de um avião (well, yesterday was the day). Espremo a barriga, enquanto vou cantando (se alguém me ouve lá fora, deve só achar que alguém se está a passar. O que não seria totalmente diferente da verdade). Mas mesmo assim, não se cala. O Luís cheio de dores de cabeça. E eu? Eu acho que já nem tenho cabeça. Aquilo chegou ao ponto de eu sentir que as pessoas já estavam era com pena minha (ou então não). Pelo menos só me vinham dizer: “you are doing an amazing job”, ahah. Imagino o que diriam se ela estivesse estado calada. Durante as 8 horas do primeiro voo eu devo ter-me sentado uma hora e 40 (tempo que durou os desenhos animados de um urso sem som que eu acabei a ver. Mas não seguido, claro). O resto do tempo foi passado aos saltos (caramba, não entendo como não emagreço, porque devo ter feito 7 meias maratonas, ou 3 maratonas e meia, como queiram). E a ir buscar a do meio que só queria estar na business class (claro, fina!). Só que as hospedeiras não estavam a achar graça nenhuma.

E lá andava eu. Cantei, pulei, fiz caretas e por aí além. Se não entreti as miúdas, de certeza que entreti os outros passageiros.

Entre fraldas (again, bolas, esta gente só faz xixi e cocó), leite, bolachas (acho que nunca comeram tão mal na vida), gente que me vinha também dizer: I know what that is, I have 3 ou I have 4), e muitos berros, o voo fez-se. Tudo para nos apercebermos que íamos ter 50 minutos para sair do avião, passar na fronteira, agarrar nas malas, fazer drop off das malas e chegar à porta do outro avião. Tranquilo. NOT.

Saímos a correr. O Luis com um carrinho ao ombro (daqueles pesados, entenda-se, e que estava desmontado, mas não havia tempo para montar), 2 mochilas e uma das miúdas. Eu com uma mala, uma cadeira de carro e a mais nova ao colo, e a mais velha, olha, coitada, tem que se safar. “vamos” dizia eu, “tu consegues, yeyyy”, e ela corria, parava, agarrava-se à fralda e dizia: cocó, cocó. Bolas, vou ter que agarrar nesta também (felizmente uma alma caridosa agarrou na mala e na cadeira e disse: “Ill take it, take her”). Lá vamos nós a correr, a mais velha aos berros, a mais nova também. Oh que maravilha. Chegamos aos customs e, guess what, não sei do meu passaporte, corro de volta, felizmente encontro. Volto a correr (a esta altura acho que já aumentei o número de maratonas). Fico despachada primeiro, levo 2 delas para ir buscar as malas. Consigo tirar as malas todas do tapete (com a ajuda de uma senhora a quem eu só digo: “olhe-me pela mais velha, sff”.) E de repente vejo o Luís a correr com a outra: “Espera, uma delas tem que lá voltar”. Largo as malas todas ao pé de um segurança (a este ponto já toda a gente olhava para nós, claro) e corro para deixar a mais velha. Volto a correr para fazer drop-off das malas (carrinho com 4 malas grandes numa mão), mala de porão e cadeira de carro na outra e uma miúda agarrada no pano – aos berros, again). Tudo a correr bem.

Clearly.

Fazem-nos passar à frente (apesar de não haver prioridade) e querem abrir os leites (não podem abrir os leites, senão como é amanhã, quando precisar deles). Então é preciso revistar-me (adorava entender a relação, mas não tenho tempo). “Revista-me filha. Mas rápido”.

Descemos. 3 crianças aos berros. O Luís com uma nos ombros, outra nos braços, 1 mochila e o carrinho pesado a tiracolo (este homem é um Tarzan, é o que eu digo. Ou o Hércules).

Corremos outra vez (sim, com um senhor a agarrar nas minhas malas e a dizer: “Im right behind you”. Procuramos a porta 16 C. Encontramos a 14C, a 17C, mas não há 16. Estamos tramados. Já temos um segurança a tentar ajudar. Outro senhor. Nada. Ups, era 18C. Corremos mais um bocado e chegamos mesmo quando a senhora está a fechar a porta. As 3 aos berros. Toda a gente a odiar-nos, I could tell. Atrasados e ainda por cima vêm com miúdos. Mas, passado 3 minutos de levantarmos voo. Ferram as 3. Ou melhor, ferramos os 5.

Menos mal.

Chegamos a casa. 32 graus às 9 da noite. Morremos de calor, de cansaço e não acreditamos que chegámos. Papa cerelac geral (faz mal à nutrição, mas muito bem ao resto tudo).

Cama.

E depois? Depois acordaram às 3 da manhã.
Bring it.
Tomorrow is another day.
(E apesar de tudo isto, daqui a 15 dias vamos para o Hawaii. Ah, ninguém nos pára. Só talvez a lava que por lá anda. Mas isso, isso logo se vê, mais perto da data).

 

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“Tenho o sol da Caparica mesmo aqui à mão”

E depois há quem pense: mas se não tens tempo, como vais à praia? Ora, porque eu tenho que estar com elas, portanto, you might as well, estar com elas onde também gostes de estar.

Pronto, praia.
E sozinha com as 3? Pois, se é o que dá, é como se vai.
Mas fui ter com uma amiga, que também tinha lá o filho (pequenino), portanto éramos duas para 3 crianças com quase menos de 2 anos. Tudo se faz.
E depois, ainda apareceu outra amiga, que quando a amiga 1 se foi embora, ela ficou e acabou por ajudar na parte de as vestir para ver se não apanhávamos a chuva que ameaçava cair, e que acabou mesmo por cair.
E assim, entre comer peixe grelhado com areia. Ou só mesmo areia, porque não? E comer iogurte com as pernas. E braços e tudo mais, porque gostamos de partilhar (às vezes), e damos à mais nova, sem ajuda da mãe. Ou então até entre mergulhos com as duas miúdas enquanto se olha para onde tenho as toalhas e a número 3, para ver se chora, já que já aprendi a ver isso só pelos olhares das pessoas à volta. Sim, isto foi um dia de praia.
E acabou por sair barato, é que, com tanta confusão de bolas, baldes, carrinho, mochilas, toalhas e até, pasme-se, 3 miúdas…saí sem pagar o almoço. E só me lembrei quando cheguei a casa. Mas caramba, alguém me podia ter avisado. Sim, porque não passo propriamente despercebida.
Check! E dizem que ter filhos sai caro. Not!
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Histórias de merda.

Então é o seguinte. O Luis teve que sair uns dias. Ficam as miúdas. Tudo bem, quem faz com duas, faz com três. E faz, mas claro que haveria qualquer coisa de espectacular para acontecer.

Depois de o Luis sair, vou dar o jantar. Ou fazê-lo, primeiro. Tudo bem. Bifes e massa, que é para ser simples. Os bifes não estavam com óptimo ar. Provei (e pelo preço deviam até ser bons. Ou eram só americanos, que aqui tudo é caro) e não me pareceram mal. Mas just in case, fui buscar o resto do frango que havia de ontem. Já comeram 2 vezes, mas quem come 2 come 3, e até aqui tudo óptimos. Umas birras, mas poucas. Está a correr bem.

Sopa comem, as usual. Chega ao frango. A mais nova (bem, agora é a do meio) começa a ser esquisita. A mais velha quer trocar o prato com ela. Ok, já trocaram colheres, agora o prato. Whatever, desde que coma, pode comer de onde quiser. A mais velha engasga-se. O frango devia estar um bocado duro (a minha melhor característica não é cozinhar). Parto em bocados mais pequenos. E pimba, agora engasga-se a do meio. Parece que vai vomitar (mas ela faz isso muito bem, portanto achei que era um belo nhecos). Só que não. De repente vomita mesmo. Apanho com a mão, como só uma mãe faz (sim, que não me venham para aqui dizer que apanham vomitados com a mão só porque sim. No meu caso foi só para não limpar o chão. Achei eu). Mas continua a sair. Tiro-a dos cintos da cadeira. Ela tenta agarrar-me, claro, assustada, e eu só pensava: “nãooooo, a tua mão está cheia de vomitado”. Mas tudo bem, parou de vomitar.

Só que não again, ponho-a no chão e afinal ainda só ia no que tinha comido há 3 dias. De repente, começa a sair o resto da semana toda (e quem sabe mais um bocado). Lá vai o chão, que com a quantidade que saiu, não havia mão que aguentasse. Ela a tremer. Eu a tremer a achar que se calhar estava ainda engasgada e lhe ia dar o badagaio (e ao mesmo tempo amaldiçoava o Luis de ter que ter saído logo hoje).

Finalmente pára. Lavo-lhe as mãos, os dentes, tiro a roupa. Tenho a mais velha a chamar por mim (menos mal que a mais nova estava a dormir – nem acredito que tenho 3). Não dá jeito tirá-la agora que o chão ainda está um nojo.

Tudo bem, digo-lhe para esperar. Limpo o chão (na verdade, sinto que isto foi só um apelo de Deus para não deixar o chão todo sujo que já estava antes sequer do vomitado, coisa que deixa o Luis a trepar paredes). Tiro essa. A outra já está em cima da cadeira (enquanto a mais velha diz: vai cair, não mana). Não porque esteja em cima da cadeira, que isso está muito, mas porque descobriu que as costas da cadeira têm barras horizontais, e está a escala-las.

Ufa, já acabou. Só que não, porque ela descobre onde eu tinha posto o vomitado no meio do babete e panos, e consegue puxar e pimba, cai tudo no chão, e parte em cima dela. Ah, maravilhas da maternidade.

Isto tudo depois de já ter o meu top todo bolsado, as usual, e de ter tido a mais velha com diarreia, a sujar tudo, porque sente que quando acaba de fazer na fralda, o melhor mesmo é tirar a fralda por sua própria iniciativa. E depois vem mostrar. Ah, maravilhas da maternidade outra vez.

Ficam as 2. A terceira estava entre berros (a esta altura) e algum bolsado também. IMG_3827

Na tentativa de que não acordasse com fome à noite, dei-lhe cerelac. Mas não lhe apeteceu muito e lá estava a mais velha de boca aberta. “Sábia-a toda” (para mim foi só desperdício da minha rica papa, que quem a come sou eu).

Qualquer dúvida sobre o que são estas caixas: é uma cômoda do IKEA que está neste sítio há mais de um mês, para eu eventualmente fazer de step, elas de mesa de pintura, e o Luis..para o Luis é só para o fazer revirar os olhos. Quanto à cômoda, um dia será montada. Só não sei quando.


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Voltaaaaa.

E depois de ter trabalhado um bocado, ter trocado 7 fraldas e meia (meia porque uma delas, eu abri e voltei a fechar, que ou bem que está cheia ou então continua no sítio que a malta não anda a comprar fraldas à parva), ter feito um “workout”, ainda que uma coisa básica e ridícula no chão da sala e ter tido uma criança ao colo a manhã quase toda, lembrei-me que ainda não tinha posto aqui as fotografias da semana passada.

Sim, porque isto de ter visitas é bom, mas quando elas são quem foram, ainda sabe melhor. E perguntam-me como é que eu tenho visitas com um bebé recém-nascido. Ora, vamos lá ver que estas visitas merecem tudo. E desta vez vieram só por 4 dias e meio. Sim, fizeram horas e horas de voos, com uma criança atrás, gastaram uma bela nota, porque dormir nesta cidade é caro as crazy e os aviões também não ficam atrás, e andaram em mixed jetlags (que duvido que tivessem sequer chegado às horas de cá, tal foi a rapidez com que vieram e foram).

Foi duro, mas do melhor. Entre um dia no mall (claro, isto é sempre um belo highlight das visitas, ahah), ir a restaurantes com boa vista (e alguns má comida, admito), bbqs, graffitis (em que se deixam as crianças no carro, tal qual abandonadas), calçar botas de cowboy e chapéus de Texanos,  e coisas que tais. Melhor só se tivessem ficado mais tempo.DSC_1540DSC_1530DSC_1437DSC_1489 copyDSC_1508DSC_1485DSC_1484DSC_1477DSC_1475DSC_1470DSC_1452DSC_1451

 


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Preferia que as crianças viessem no bico das cegonhas.

Isto é assim. Ter filhos é muito giro. A sério que é. Mas depois era bom poder pô-los em algum lado uns dias e ir dormir. Ou ter uma vida “normal”, e por normal entenda-se, não pensar “Ai, já são 9 da noite, rápido a ir para a cama que senão já só durmo 4 horas ao todo. E fragmentadas”. Ahhhh, a maternidade.

E sim, eu sei que me queixo e eles continuam a aparecer, portanto, aguenta Maria.

Bem, mas isto tudo para dizer que nasceu a terceira. Bebe querida, como todas. Que dorme imenso durante o dia. E muito pouco durante a noite. E tem conjuntivite. E um estofo grande, de tantos estalos que já levou das irmãs.

Mas o que eu queria aqui desabafar é o que é ter filhos nos Estados Unidos. Longe de tudo e de todos.

Começando pelas coisas boas: viva o menu daquele hospital. Sim, havia menu. Podia-se escolher e tinha tudo. Que maravilha. Na verdade, aquilo é meio hotel (mas não tão novo como um hotel chique). E tendo em conta o preço que se paga, é um Ritz, com um Hilton, com um Sheraton em modo boutique. Não por ser pequeno, mas pelo preço (hoje em dia boutique é chique). Só um parto custa no mínimo 30 mil USD. Mas tudo bem, isso eu já sabia que ia ser assim.

Mas ontem recebi uma carta que me deixaria para morrer se eu não tivesse seguro.

Ora bem, no sábado antes desta criança nascer eu tive muitas contrações. Muitas mesmo. Depois de não conseguir falar um bocado, achei que o melhor era ir para o Hospital. Agarrei no computador, numas meias, cuecas e uma camisa de dormir e there I went.

Cheguei ao hospital, levaram-me de cadeira de rodas (sim, porque é política a pessoa não ir a pé) até ao quarto. Mandaram-me deitar numa cama, onde fiquei 4 horas, puseram-me o ctg, e a enfermeira veio de 2 em 2 horas. Nada de médico. Ainda me perguntaram se eu queria água, ao que eu disse que sim, mas nunca a vi. Dormi 2 dessas 4 horas, assinei 700 papéis e mandaram-me para casa.

Ora, a conta dessas 4 horas, apareceu ontem. DOIS MIL E SETECENTOS E OITO USD. É isso mesmo. Por essas 4 horas, eu paguei isto. Eu não, que se fosse eu, morreria, mas esta foi a conta.

É nestas alturas em que penso nas pessoas que passam a vida a queixar-se de que Portugal é assim e assado, quando dá logo para ver que para se queixarem tanto é porque nunca viram outras coisas. E sim, isto era um hospital “público”. Pelo menos é o mais público que é possível encontrar.

E podia ser só isto, mas além de ser caro, desta vez ter a criança foi horrível (querida filha, don’t take me wrong, gosto muito de ti, mas…). Não o ter a criança em si, que isso sempre foi fácil, até porque a minha melhor amiga chega sempre antes das dores. E por melhor amiga entenda-se: a epidural.

Mas adiante. Depois de ter a miúda, 2 dias depois, chegaram as dores. Na barriga. Dores horríveis como eu nunca tinha tido na vida. Nem de pé me punha. Queria levantar-me da cama e “ah, tá, no way”. E cada vez que a dava de mamar, achava que ia morrer. Não me tramem, como é que nunca tinha ouvido falar destas dores? COMO?! E foi isto. Isto e uma criança que decidiu que não conseguia mamar porque lhe enfiaram uma chupeta no hospital para a calar. E água com açúcar (pois, quem quer leite quando há açúcar envolvido noutra receita?). E 3 crianças em casa. E uma escola fechada durante uma semana porque há sempre feriados e férias quando dá menos jeito. E um marido sem licença de paternidade. E eu a continuar a trabalhar. E avós e tios e primos e sei lá mais quem, longe. Ah, filhos, não é? Bem diziam os antigos (ou lá quem era que dizia) que “it takes a whole village to raise a child”. Acho que tenho que ir para uma village mais pequena, que aqui não me estou a safar.

E é isto. Foram as minhas últimas semanas. Bang, é quase como o MacDonalds: “I’m loving it”.

E no pico de irritação, como bem sabem que tenho às vezes, liguei para o hospital para me dizerem de onde vinham os 2708 USD. Resposta: “de ter sido observada”. Expliquei que só me tinham posto uma máquina à volta, e que me tinham medido o cervix. E ela diz: “ah, mas isso não é à borla”, ao que eu respondo, do alto do meu baixo nível: “you are not going to charge me 1000 usd to stick fingers in my vagina and tell me how many centimetres I had”.

Bem, depois de uns segundos de silêncio, a senhora diz-me que eu vou receber uma carta certificada da enfermeira.

Estou mortinha por ver o que diz.

(Mas as miúdas, tirando tudo o resto, as miúdas são top e a coisa mais querida deste mundo! Valha-me isso!).


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Tias in town.

E assim como vieram, lá foram. Ainda perguntaram se as miúdas tinham sentido a falta. Acho que as únicas pessoas de quem elas sentem falta é uma da outra. De resto, está sempre tudo bem. Quando perguntei quem ai passear, disseram: “a mana, o pai, a mãe, a Kiki e a Leo”, mas quando disse que a Kiki e a Leo já tinham ido para casa, foi tipo: “ah, tá”. Se calhar andamos demasiado de um lado para o outro.

Mas adiante. Primeiro que tudo, é espectacular ter cá tido as minhas irmãs. São babysitters exímias (bem, tirando trocar fraldas, que, ao contrário do que dizem, até trocam. Depois eu tenho é que trocar a cama, mas é um começo). Foram óptimas para conhecer melhor a cidade e óptimas para eu ter engordado pelo menos 10 Kgs, já que aqui tudo se compra aos Kgs e então comprámos um Kg de Maltesers – e se ainda não repararam, os Maltesers são bem leves, – dois Kgs e tal de M&Ms e por aí. E depois uma pessoa não pode não comer, não é? Portanto, belos resultados.

Foram ainda melhores para eu poder ir a uma massagem e dormir uma noite num hotel sem ouvir chorar, e comer eggs benedict ao pequeno almoço numa surpresa espectacular preparada pelo meu querido namorado. Mas no dia antes dos namorados, que não queremos cá piroseiras.

Mas vamos começar pelo princípio. Fomos a San António. Cidadezinha gira gira aqui ao lado. Mas além disso, nesse dia havia um rodeo muito famoso, e acabámos lá. A ver porcos e vacas e ovelhas que pareciam a Jane Fonda e as suas caneleiras (true story, algumas tinham caneleiras com cores). Depois fomos ao “greatest carnival on the planet” ahaha. Sim, esse belo e conhecido carnaval do Texas. Andaram todos nos carroceis, excepto eu, que nem no comboio que andava a 2km/hr com a mais velha eu pude andar, porque imagino que aquilo seja muitoooo dramático para as gravidezes (NOT!). Pelo menos as pipocas eram óptimas. Que me tenha valido isso.

Depois fomos ver um jogo de basket (adoro este jogo). Mas claro que tinha que vir com “surpresa”. Chegamos à porta e as mochilas não podiam entrar (é que a minha irmã achou que tinha que levar uma mochila inteira para levar um BI). Pois que tudo o que estava dentro da mochila foi posto num saco de plástico e a mochila foi deixada atrás de um arbusto. Ah, adoro esta gente e as suas regras.

Depois, a outra irmã queria ir a supermercados (nada como trabalhar num). “Costco é que é”, disse-me ela, “poupas imenso”. Palavra chave para mim. Lá fomos. Estivemos 2 horas na Makro, com a outra irmã a repetir dez vezes: “mas não é preciso cartão para fazer compras aqui?”. Guess what, ao fim de 2 horas a enfiar coisas e coisas no carrinho, percebemos que sim, que era preciso um cartão. Cartão esse que custava 60 USD. Quis morrer. É que 2 horas num centro comercial já é mau, mas 2 horas numa makro, rodeada de paletes e courgettes aos 5 Kgs, se calhar é mesmo péssimo.

Mas pagar os 60 USD não me pareceu opção. Lá fui falar com o senhor, e depois com a supervisora do senhor e depois de prometer que pagava em cash e blablabla, incluindo alguma chantagem a dizer: se comprássemos aquilo ela não teria recursos desperdiçados porque ninguém teria que ir arrumar o carrinho GIGANTE que já tínhamos ali. E ufa, conseguimos! Ela deixou e lá viemos com o supermercado todo atrás.

Mas além da Makro, que não é Makro, mas não interessa (embora o senhor tenha dito: “mas eu acho que há Costco em Espanha, podem lá ir”. Senhor este que eu tenho a certeza de não saber sequer onde é Espanha, quando mais Portugal) ainda fomos aos outlets. Aquela viagem que ia durar umas horinhas e acabou a durar 12 horas. SIM, 12 HORAS! “Mas poupámos imenso”, como diria uma das minhas irmãs. Até um tapete gigante trouxemos. Além de haver malas da Coach (que eu não sabia o que eram, mas aparentemente são conhecidas) baratíssimas. Na verdade mais baratas do que nos armazéns da Malásia de malas fake a que fui quando lá estive.

Ou seja, perdemo-nos. Umas mais do que outras. E umas mais nas malas do que outras (claramente que eu não me perco por uma mala. Quanto muito perco uma mala. Ah, que bela piada).

E depois foi isto. E mais mil idas aos baloiços, e andar de bicicleta, e passear a comer batatas fritas.

Foi bom. Mas bom (mesmo com um grau em alguns dias).

Venha agora a criança. We are ready! (Mais ou menos, pelo menos).DSC_1185DSC_1031DSC_0930DSC_0929DSC_0917DSC_0913DSC_0884DSC_1187DSC_1177DSC_1169DSC_1154DSC_1121DSC_1073DSC_1057DSC_1047DSC_1036DSC_1004DSC_1002DSC_1000DSC_0996DSC_0993DSC_0980DSC_0972DSC_0967DSC_0947DSC_0939DSC_0904DSC_0896DSC_0857


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Como escolher um médico. It’s a spell.

Há coisas que me irritam (como se sabe). Vá, muitas coisas. E uma delas é passarem a vida a pedir-me para soletrar o meu nome. Sim, eu percebo, estando neste país, se eu digo que o meu last name é Pereira dos Santos (também sou tramada, bem que podia dizer Santos, não é não?), é normal que peçam: can you spell it, please? Mas depois eu digo que o meu first name é Maria. E eles dizem o mesmo. Só podem estar a gozar. Exactamente como esperam que se escreva Maria?

Anyways, com esta coisa de spell não spell, quando cheguei, pedi umas recomendações de médicos a várias pessoas, claro. Até que alguém (ou até mais do que uma pessoa), me recomendou o Dr. Cohen. Achei eu. Procurei na internet. Liguei. Várias vezes. Afinal atende no X, mas também atende no sítio Y. Perguntas sobre os seguros (sim, que imagino que custando um parto aqui entre 30 a 50 MIL euros, sim, leram bem, que o maior problema é que alguém depois pague). Isto até porque depois de estar cá fora, não há muita forma de o voltar a por lá dentro e dizer: “Ah, e tal, não pagaste”. Muitas perguntas sobre seguros. Serviço do pior, que isto de ter trabalho dá, efectivamente, trabalho. Depois de me passar 7 vezes ao telefone e de mandar emails e até acho que sms, um dia, decido ir ao consultório. Furiosa, porque havia, claramente, má vontade (e atenção, que se a médica imaginasse as dificuldades que a senhora da recepção me estava a por, provavelmente se passaria, dado que até ao fim – que não falta muito, ufa! – iria ter sempre que pagar cerca de 3 mil euros em consultas, a gravidez não tinha problema nenhum e era só quase fazer um parto, ou seja, era um trabalho espetacular com pouco trabalho e muito dinheiro para a médica). Mas adiante. Claro que assim que lá cheguei, em 15 minutos resolvi tudo (mão na anca, tal qual peixeira. Ou eu mesma) e pronto. Consulta marcada, all set.

Depois de tudo isto, uns dias depois, entenda-se, no dia da consulta, o Luís manda um email a quem me tinha recomendado o médico e escreve qualquer coisa, qualquer coisa: “Dr. Cowan, blabla”. E eu pensei: “Nem sabe escrever o nome do médico”. Fui ver ao email de quem tinha recomendado, e lá estava um Dr. Cowan. Entramos no carro, e eu peço só para o Luís ver na internet se havia algum Dr. Cowan na área, e não Dr. Cohen. E guess what…WRONG DOCTOR!

Ou seja, acabei a ir a uma médica, num consultório com alcatifa (have I mention I hate alcatifa?) e que me trazia uma fita métrica na mão. E não ao Dr. Cowan, um médico, com uma clínica com um ar xpto, e se tinha ou não fita na mão…não sei, porque nunca lá fui.

E assim se escolhe um médico para te tirar uma criança de dentro da barriga.

(Either way, ela há-de sair).