Algures no mundo


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A maternidade é linda.

A maternidade é linda, mas há dias em que eu sei que não é para mim (o que não deixa de ser curioso daqui a 2 meses ter 3 crianças com quase menos de 2 anos, e sem gémeos).  Mas isso deve ser só porque sou parva e penso pouco.

Adiante. E porquê? Atenção, eu sou desarrumada por natureza. Mesmo. Não é mais ou menos, é desarrumada mesmo. Mas isto chegou a um outro nível difícil de equiparar. O meu chão já não é um chão, já que é suposto pisar-se o chão. E, no meu chão, convém não se pisar centímetro sim, centímetro sim, já que a probabilidade de, de repente, se ter um mirtilo colado é gigante, ou um bocado de pêra, ou bocadinhos molhados de pão (e a parte do molhado é importante, porque é bem pior do que se o pão estiver seco. Believe me!). Ao menos, parece que as crianças comem de forma saudável, não é?

Mas calma, isto tudo começa porque há dias em que elas não vão à escola. Tipo fim-de-semana. Até aí tudo bem. 2 dias é bom, e há um pai por perto. Tudo se faz. Depois há aqueles dias em que neste país se chamam de “public holiday”, e o que é isso? Não, não é bem um feriado. É um feriado só para o que dava jeito que estivesse aberto: a escola, os médicos e por aí. Depois o resto, continua a funcionar, nomeadamente as empresas, ou seja, é um feriado para os miúdos e uma dor de cabeça para mim. Mas no dia a seguir vão à escola, sem problema.

Ahhh, não vão, porque afinal é snowday. A escola fecha – mas as empresas não, claro – e lá ficam elas em casa, e provavelmente a “snow” também ficou, porque vê-la, só mesmo com muita vontade. Sim, estavam menos 7 graus, mas neve, nem por isso. Caramba, uma pessoa a achar que vem para o Texas e apanha bom tempo e leva com graus negativos.

As miúdas fartas de estar em casa, comem a pêra a esfregar as mãos uma na outra, a esfregar a pêra no chão, a esfregar a pêra onde lhes apetece. E se me posso passar, posso, mas só vai criar mais choros e mais dores de cabeça para mim, por isso, vá, esfreguem a pêra, tudo bem. Assim como assim, fica a cheirar bem. Já aspirei o chão uma vez, mas é irrelevante. E ainda falta por a roupa a lavar, e a outra a secar. E fazer sopa, porque, aqui, além de me levarem um rim para as por na escola, o almoço não está incluído, portanto, é bom que se cozinhe para vários dias. E tentar funcionar com a esfregona que comprei, que aparentemente é boa, mas eu não sou feita para isto e acho que já a estraguei.

Olho para os brinquedos delas e estão em todo o lado. As canetas que são washable, são só mais ou menos, ou seja, a tentar tirar da parede, começou a sair a tinta também (da parede, não da caneta, infelizmente. Estou mesmo a ver que isto já vai bater na caução quando sairmos cá de casa, mas até lá penso numa solução). Ou seja, há caneta nas paredes, nas roupas e na cara da mais nova, que a mais velha julga-se o Picasso.

Mas a maternidade é linda, claro. Com 7 babysitters (algo que aqui é meio impossível, que pedem 20USD por hora, ou seja, vou começar a escolher filmes de cinema com base na sua duração e não se são bons, parece-me. Ou começar a comer fast-food nos dias de jantar romântico a dois, para que ao fim do mês não me levem outro rim, já que já me tiraram um para a escola delas).

E é isso, é belo belo. Mas só em certos dias. Que tudo isto e ainda ter que trabalhar…é uma ginástica que nem a Nádia Comanecia conseguiria).

Ficam umas fotografias tiradas com o telemóvel e que demonstram o que por aqui se passa (e sim, não falo de ao terceiro dia de estar com elas em casa, uma ficar com febre. Claro. É a maravilha da maternidade!)

 

 

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Isto é o Texas, baby!

E dizem que parar é morrer. Ah, isso é porque não têm esta vida, que quem se sente a morrer sou eu e claramente não páro. (NOT! Nada de morrer.) Ou sim, mas um morrer bom. A parte chata é que cada vez que me sento para ver mais um episódio de Narcos, nem passo do genérico.

Mas adiante. Isto tem sido o Texas.

Depois de mais 7 idas ao supermercado, 3 ao IKEA, camas montadas, mesas montadas, candeeiros comprados, carro comprado, novo telemóvel e uma limpeza geral na casa (nem quero imaginar como achei que o chão estava bom para lá dormir e que estive a respirar aquela carpete durante uma noite inteira, depois de ter visto a quantidade de lixo que de lá saiu. Mas já passou. Sim, porque na primeira noite acabámos a dormir no chão porque o colchão não cabia no carro e tudo mais).

Adiante, depois disso tudo, estamos mais ou menos “settled in”.

Sendo que tudo isso vem com ir passeando sempre que dá (o que até tem dado, diga-se). Fomos este fim-de-semana a um parque de baloiços – “wow, que emoção”, pensam vocês, mas por acaso até era engraçado. E será bem melhor no verão, porque tem piscinas naturais. E depois fomos a um monte qualquer e a um restaurante mexicano (ouve-se quase mais espanhol por aqui do que inglês. Aliás, a creche das miúdas é em espanhol, e elas até têm aulas de mandarim e pintura com um artista cubano. Uhhhhh, ahahah). Ou seja, elas devem andar muito baralhadas. Mas iniciei-as nas quesadillas e acho que, so far, so good!

Por outro lado, Austin em si (e em mim, como diria o meu pai com uma bela piada PS) tem-se revelado espectacular (e eu sou esquisita). É um mix entre o americano e o hipster. Só a minha rua tem 2 ou 3 lojas de vinys e de bicicletas. As pessoas sorriem constantemente na rua (o que seria o suficiente, mas mesmo assim elas acham que falar com toda a santa pessoa que passa é que é bom, e portanto até é too much, mas não deixa de ser muito simpático), a comida é óptima (a última vez que cá morei, engordei 16Kgs. A minha “sorte” é que neste momento já engordei quase 20…ou seja, em princípio, quando sair este leitão que cá está dentro, provavelmente fico só igual. (Please dont! Diz-me o meu outro eu. E o Luís, aposto)). E a paisagem de cidade pequena misturada com cidade grande. O que dá numa coisa bonita. E por aí adiante.

Overall, pode ser o Texas, mas estou a gostar. Muito. Venham os próximos dias. E os próximos sítios (que já que cá estamos, vamos explorar).DSC_0760DSC_0743DSC_0674DSC_0636DSC_0632DSC_0782DSC_0776DSC_0769DSC_0751DSC_0726DSC_0714DSC_0686DSC_0664DSC_0651DSC_0626DSC_0623

 


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As maravilhas de viajar com miúdos. Ou muitas malas. Whatever.

Ora bem, consta (embora não tenha certeza nenhuma de que seja verdade) que há um ditado que diz que devemos sair em grande de um ano e entrar em grande no outro. Eu saí e entrei a dormir, e “mais em grande” do que isso acho difícil. Mas tirando isso, acho que há por aí um karma qualquer que se enganou na porta e anda a bater na errada. E quem se trama sou eu.

Mas adiante.

Só para explicar: comecei por ter partido a minha máquina quando fui ao Jardim Zoológico. Bang, que bom. Depois foi o meu telemóvel (esse já estava bem partido, mas funcionava. Pois que agora, e desde há uma semana, que nada). Tem sido um espectáculo de disconnect to connect, ahah (nada como ver o bright side).

Mas tirando isso, ecco, here I am a ver se vou viver o American Dream, seja lá ele qual for. Depois de umas semanas entre Natais e anos da miúda e passagens de ano, e depois de uma viagem terrível, chegámos a Austin.

Sendo que tudo isto é só para contar o espectáculo da viagem que tivemos.

Depois de uma hora e meia de conversa com uma senhora qualquer do call centre, consegui que passasse um dos nossos bilhetes para business (ou seja, eu ia em executiva e o Luís ia com as miúdas lá atrás). Mas se eu nasci com o rabo para a lua, como gostam de dizer, o Luís nasceu todo ele e chegamos ao aeroporto e passam-nos a todos para executive (chiqueeee!). Quem não deve ter achado graça foram os outros passageiros, mas nós gostámos muito (sinto que as minhas filhas andam a achar que isto é sempre assim…NOT! Que enganadas estariam).

E até aqui parece perfeita, a viagem, não é não? Pois, até aqui, foi. Mas para começar nós achámos que era razoável viajar com duas crianças (de colo) e 6 malas de mão (incluíndo uma bimby que não se pode partir, portanto é preciso cuidado máximo), mais 5 malas de porão, mais 2 camas de viagem e 2 carrinhos (sim, e sem pagar excess, ainda me pergunto como). Tudo isto com…dois adultos. E um deles – aka a minha pessoa – com uma barriga que parece que engoliu um elefante e vai “dar à luz” amanhã. Ou mesmo ontem.

Mas aqui vamos. E chegamos a Miami e o carrinho delas não é entregue na porta, ou seja, temos que levar aquelas malas todas e ainda as miúdas ao colo. Ah, que graça (depois de 9 horas de viagem!). Mas tudo bem, somos os maiores, fazemos isso com uma perna às costas.

É preciso ir buscar as malas (sim, que não vão directas) e entregar no check-in. Partiram-nos uma mala. (Começa bem!). Mas tudo bem, fazemos queixa depois, que agora “não podem”, diz um senhor. Só no destino final.

Vamos até ao balcão depois de fazer drop off das malas e…não dá para fazer o meu check-in. Porquê? Ninguém sabe. Portanto temos que ir para uma fila enorme, e esperamos 3 horas. (Ahhh, you gotta love this…com crianças!). Entretanto as miúdas alimentam-se de leite, bolacha Maria e fruta. Podia ser pior. Depois das 3 horas, lá conseguimos. Nós sem dormir, elas sem dormir.

Esperamos mais 3 horas e qualquer coisa para o outro avião. Ou avioneta. Temos que ir pela rua, não por manga. São 9 e tal da noite (ou seja, 2 da manhã em Portugal, e já estamos a morrer). Uma adormece no carrinho, a outra ao meu colo. O Luís leva as malas todas, eu levo as miúdas e o carrinho (estou uma pro a desmontar o carrinho só com uma mão enquanto tenho a outra a dormir no meu ombro). E aqui prioridade não é uma coisa que aconteça.

Entramos na avioneta. Afinal o voo que achávamos que era de 2 horas e meia é de 3 e meia. Claro que estamos num ponto em que mais hora menos hora, vale tudo. Tudo, até o meu braço já estar dormente de ter a mais velha a dormir-me em cima durante séculos.

Mas lá chegamos. À meia noite. Com as malas todas (e uma partida, portanto a essa hora lá fui eu refilar para os escritórios a uma senhora que dizia que não podia levantar-se da cadeira para ver a mala partida porque estava com gripe “and I hope you don’t catch it!” (ao menos era simpatico. NOT). E pomos tudo no carro, e chegamos ao hotel às 2 e meia.

Vamos dormir às 3 e a miúda mais nova acha que às 6:30 é optima hora para alvorada e…cá estamos nós: depois de uma pizza, uma ida ao Whole Foods – onde deixei 7 ordenados para comprar meia dúzia de coisas, sendo que, pelo menos, estou super orgânica, não tenho dúvida – e malas abertas (e o Luís no Ikea, porque não há nada de nada em casa, excepto uma colher que a TAP nos deu).

E pronto, cá está o American Dream. Mas pelo menos o meu Ipod de mais de 10 anos e sem visor está a funcionar. Ou estava, que há bocado, deixou de tocar também.

Maravilha de 2018. (Esta fotografia retrata muito bem a coisa: estávamos nós a rir à gargalhada e as nossas filhas a chorar mesmo em frente porque queriam colo).DSC_0521

PS: Esqueci-me de acrescentar que no meio do aeroporto de Miami, percebemos que tinhamos deixado algures uma das mochilas. Lá andou o Luís a correr o aeroporto, mas encontrámos. Another one down!


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Dias giros. Ou manhãs.

Hoje o dia começou às 6 e qualquer coisa. Já nem me quero lembrar o que era o “qualquer coisa”, até porque saber não me faz dormir mais. E mesmo que quisesse, duvido que conseguisse. Mas não é mau. Podia ser só mesmo às 6. Tranquilo.

Depois de as pôr às duas na minha cama, numa tentativa frustrada de sentir que não me levantei tão cedo, troco fraldas, dou biberões, ponho soros, e por aí além. 20 minutos depois. Troco fraldas outra vez, e começa a nossa conversa matinal: “que bom é fazer cocó, não é?”, enquanto tento que aquela porcaria toda não se espalhe mais pelas costas do que já está (não minhas, entenda-se, claro). E não se espalhe pelo troca fraldas. Porque no resto de todo o lado, já se vê.

Visto-as (bem, entretanto já limpei o chão com “ceiáis” aka cereais, já fiz 704 casinhas, já pintei peixes, agarrei 3 garrafas de vinho que a mais nova gosta de atirar para o chão e fiz mais uma série de actividades super fantásticas a qualquer hora do dia, especialmente às 8 da manhã). E finalmente quero calçá-las. Ah, está. Afinal o verão ainda não se foi embora, acha a minha miúda. Calço um sapato, mas o outro não vai dar, porque sandálias cor-de-rosa é que estão na moda, daquelas que fazem com que o peixe-aranha não nos morda. E portanto, não compro guerras dessas. Queres usar isso, usa. Vai ser da moda, sinto. Ou só uma rebelde. Mas, de momento, não me podia incomodar menos.

Volto para a casa, depois de ter as duas ao colo, pô-las no carro, levar à escola e ainda ter ajuda de gente que sente que devo estar em esforço, e me leva o ovinho até o carro. Gente querida, portanto.

Depois de mais uma fralda que parece que andou na guerra (e toda a porcaria voltou a ir ter às costas e sei lá mais onde), ponho-a no chão e tento, depois de 1 mês, activar o banco online. Pedem 23, ou 200, sei lá, códigos. Todos diferentes, com letras e números e números e letras. Escolho tudo, mas duvido que amanhã me lembre deles, quanto mais um potencial ladrão. Escolho a pensar imenso, porque finalmente a pequenina está sossegada. Ahhh, mas a fazer o quê? A comer cartas da caderneta do Pingo Doce. Daquelas que dizem que o peixe balão da Indonésia anão gosta de dar 3 voltas antes de fazer o pino e rir. Ou whatever. Só sei que comeu as cartas, porque só encontro metade duma. A outra estará no aparelho digestivo da miúda.

 

E é isso. Dias animados.Unknown-4


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Férias com F grande.

Não sabia bem como ia ser isto de estar uma semana sem as miúdas. O Luís está habituado (não acontecesse isso todas as semanas), mas eu só tinha ficado um dia sem elas (coisa que acontece todas as semanas, para a minha sanidade mental).

Mas o sono falou mais alto. E o cansaço. E o “preciso de férias”, mas férias mesmo férias, não é das férias a acordar cedíssimo, a mudar setecentas fraldas por dia e não dormir uma noite seguidas (portanto férias como quem não tem filhos).

Portanto, lá fomos. E se tinha alguma dúvida ao princípio, claramente que fiquei sem qualquer tipo de dúvida no fim. Que maravilha!

(Entenda-se que entre estes parágrafos se passaram 3 dias, dado que o ritmo voltou ao normal e claramente que tenho só 5 minutos de cada vez para respirar – e não é uma queixa, é só uma constatação de um facto).

Mas adiante. São Tomé é um sonho. E se tiverem dúvidas sobre ir ou não, please do. É um pequeno paraíso (que me lembra Timor), onde a comida é maravilhosa, as praias bonitas (embora às vezes meio sujas), a arquitectura colonial é linda e como é pequeno dá para andar de um lado para o outro sem problema a conhecer tudo. O que se quer mais?

E as pessoas? Ah, as pessoas. Essas são do mais genuíno e simpático possível.

Lembro-me do dia em que a servir-se do jantar, o Luís, que mete conversa com toda a gente, diz para o senhor que estava atrás do buffet (com avental e chapéu de cozinheiro, brancos – o chapéu e o avental eram brancos, não era de branco ahah). Anyways, ele diz: “Então amigo, tu é que és o chef?”. Ele sorri, envergonhado, e responde: “Não não, eu sou só o cozinheiro.

E depois havia o Tete, o nosso guia num dos dias, que queria levar o Luís às primas. Primas. Pois. “Vá lá, ele vem só um bocadinho para elas o ensinarem a dançar”. Sim, já está a ir. Às primas. Se calhar o Luís até queria, mas não deu. Fica para a próxima, que a primas esperam, tenho a certeza.

Depois havia o Oswaldo, o rei lá da comunidade dele, segundo o que ele dizia. Tinha a maior casa (de facto era grande, que ele mostrou-nos) e uma música constantemente aos berros. Além disso tinha 15 filhos. De várias mulheres, claro. Aliás, só ali conhecemos duas delas. Uma grávida, para fazer jus ao que ele estava a dizer e a outra sem estar grávida, mas pelo discurso dele, não devia demorar muito até que isso acontecesse. E achava que isto do Luís só ter uma mulher não dava com nada (ainda que tivesse uma grande admiração por ele, já que o Luís andava de catana atrás, na esperança de poder partir um côco com aquilo, sendo que eu parti um sem aquilo e estava quase a ter ali a criança, tal foi o esforço que fiz). Por outro lado, uma das mulheres dele (que devia ser mulher há menos tempo, que a grávida não lhe ligava nenhuma) achava muito bem que o Luís só tivesse uma mulher e quis adoptar essa prática (mas o Oswaldo riu-se e não se mostrou muito disponível). Oh well, acho que criámos um pequeno problema para a noite do Oswaldo. A única razão para não acreditar que tenha dormido no sofá é porque devia ter tantas opções que se não for com esta, será com outra, parece-me.

E ainda havia o menino que se chamava Fevereiro. E outro que se chamava Setembro. Sendo que, pelo que percebi, nenhum deles tinha nascido em nenhum desses meses. Quando perguntámos o porquê daqueles nomes, riram-se (as mães, que os miúdos ainda nem falavam). Ficámos sem perceber. Mas a Sra. Apolónia qualquer coisa (cujo segundo nome ainda era mais estranho do que o primeiro, mas não me consigo lembrar qual era), explicou que ela se chamava assim porque o mês da Santa Apolónia (para mim isso era só uma estação de comboios, viva a minha Santa Ignorância) era Fevereiro. Bem, tinha acabado de lhe cantar os parabéns porque fazia anos. E estávamos em Outubro. Ela disse: “pois, também não entendo”. E ficámos por ali.

Ou havia a menina loira, meio branca, de olhos azuis, no meio de uma roça. Nós perguntamos: “mas ela é filha de pais brancos?”, e uma das miúdas responde: “Não, não é branco, é assim mulato como este” a apontar para o Luís (caramba, uma pessoa esforça-se para se bronzear e é sempre considerada lixívia. O Luís, que põe sete toalhas à volta para não levar com o sol…mulato!)

E havia mais mil coisas. Mas as fotografias falam por si (embora falassem ainda melhor se tivessem sido minimamente editadas, que não foram que estou sem paciência). Se é para voltar? Espero que sim (mas depois há mil outros sítios para ir, fica difícil escolher – e enquanto os problemas forem estes, está tudo bem!).DSC_4130DSC_4113DSC_4074DSC_4052DSC_4039DSC_4035DSC_4025DSC_4009DSC_3987DSC_3965DSC_3955DSC_3951DSC_3945DSC_3935DSC_3928DSC_3918DSC_3916DSC_3914DSC_3905DSC_3866DSC_3826DSC_3816DSC_3810DSC_3781DSC_3769DSC_3767DSC_3766DSC_3761DSC_3739DSC_3732DSC_3709DSC_3699DSC_3689DSC_3674DSC_3666DSC_3642DSC_3638DSC_3599DSC_3589DSC_3584DSC_3582DSC_3578DSC_3560DSC_3559DSC_3549DSC_3541DSC_3537DSC_3525DSC_3512DSC_3505

 

 

 


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Leve leve. Mesmo que um bocado pesada.

Este cheiro a África, ou a vários outros países cheios de humidade, assim que se sai do avião é das melhores coisas. Claro que parece que a pessoa vai desmaiar durante uns segundos, tal é o estalo de “bafo quente” que a pessoa leva, mas eu adoro na mesma. E afinal, depois de ter dormido uma noite inteira, podiam me ter dado qualquer estalo, que me tinha sabido bem de qualquer forma.

Sim, o avião saiu com um atraso de 2 horas (segundo consta, graças ao Primeiro Ministro que tem casa na Quinta da Marinha e esta sempre a jantar ate tarde e depois, claro que chega atrasado), mas nessas duas horas, dormi no chão do aeroporto. Depois pudemos entrar. Entrei e, pela primeira vez em quase dois anos, dormi o voo todo. O Luis ainda me perguntou, mais tarde, se não tinha achado o avião um bocado velho: “sei la, dormi a viagem toda, pareceu-me do mais confortável possível”. E quando chegamos ao aeroporto, para ir para a Ilha, ainda viajamos mais 2 horas, também elas quase todas a dormir. Se isto não for mais nada, que seja uma cura de sono.

Ah, mas é difícil não me lembrar que estou em África (e ainda bem!) quando na parte de ver se tinha estado os últimos três meses em África, por causa da vacina da febre amarela, o senhor que olha para o meu passaporte, o abre numa pagina, depois noutra, e depois desiste, tal e a quantidade de vistos (e ia dar imenso trabalho ver se algum deles era dos últimos três meses, já que e obvio que vários são de África). Ou seja, amarela, só mesmo eu, a febre, ele achou que nem pensar. Mas vamos trabalhar nesse ponto, espero.

Depois veio a parte de agarrar as malas. AGARRAR. E ouvir de vários lados: ”larga essa mala que e minha” e depois ouvir do outro: ”vou só mostrar a minha mãe, para ela ver se é dela”. Hummm, assim sendo, achamos melhor não perder qualquer mala de vista, sob pena de a mãe de outros achar que a minha mala era dela e depois lá se ia o meu bikini em corpos esbeltos de 60 anos.

O descer do avião e ir a pé pela pista ate a saída. A musica e cores em qualquer lado para onde se olha. Os sorrisos. Os olhos que, também eles, sorriem. As estradas menos boas, que fazem delas maravilhosas (acho eu, que a senhora que vinha connosco no autocarro dizia que eram péssimas, porque as outras que ela tinha andado era menos a subir e a descer…ahhh, então esta, deve ter andado sempre em estradas sem inclinações). O terem me dado ervas para esfregar na boca, tal é o meu estado aftoso, que nem consigo comer bem (ninguém diria, tal e o meu tamanho). O calor. A chuva. O sol. As palmeiras. Ah, África! Como tinha saudades. Welcome to me again. Eu sinto-me, claramente, welcomed by you.

(Hoje há poucas fotografias. Dormir foi prioridade numero um. Isso e ler um livro sobre o Pablo Escobar. Mas tudo muda. Ou como diria “o outro”: “nada se perde, tudo se transforma”).DSC_3492DSC_3490DSC_3487DSC_3484DSC_3482DSC_3480DSC_3479


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A Irlanda.

Podia falar-vos de como esta noite uma delas decidiu que berrar durante duas horas é que era. Ou de como, no outro dia, ficaram caladas muito tempo (ah, que bom, pensa-se. Só que não). É que quando ficam caladas significa que estão a fazer coisas que não devem. Neste caso, abriram uma fralda de cocó e começaram a espalhar por todo o lado (inclusive pela boca, yey). Ou de como, no meio de uma crise de cólicas (ah, dizem que para depois de 3 meses, ou assim. Pois, imensas teorias), consegui por um bebegel para ver se ela fazia cocó e a gritaria (e dores) paravam. Mais ou menos pararam, mas ela é que não parava de se mexer, e o cocó a sair em jactos para todo o lado, e a outra agarrada à minha perna, e eu de toalhitas na mão a tentar apanhar tudo. Ou de como uma das minhas filhas se acha o Picasso e decidiu fazer da parede a sua tela. Ah, maravilha.

Mas enfim, podia falar de tudo isto, mas quando se faz uma viagem como a nossa há uns dias, isso é muito mais giro do que a conversa de merda (literalmente) que se iria desenvolver.

Adiante.

Irlanda. Ah, esse país cheio de sol. NOT! Mas com paisagens bonitas. E gente do mais simpático possível. A comida, enfim, entre puré de batatas e “gravy” e batatas fritas e hambúrgueres…a verdade é que tive muita dificuldade em encontrar coisas consideradas (por mim) decentes para as miúdas. A sopa é picante e lembra chili, na maioria das vezes. Tudo o resto, bem, comeram o que havia. Mas tirando isso, foi bem divertido.

A calçada do gigante é espectacular, embora se me tivessem dito que era o sítio mais ventoso da Irlanda, a probabilidade de nunca a ter visto era bem grande. Mas entre vento e chuva e empurrar carrinhos, a coisa fez-se. Depois havia a ponte. Ponte essa presa com cordas e que decidimos passar, entre dois penhascos, com um vento (esse malandro) do “camandro” e que baloiçava por todo o lado. Mas não só fui, como a mais velha veio comigo. Bem senti que ela ia voar, e ela também deve ter sentido, que estava a meio da ponte aos berros, a tentar largar a mão e a agarrar-se com as pernas dela às minhas (de tal forma, que me esqueci do vento e só dizia para quem a estava a agarrar à frente: “não a largues, puxa-a para cima e vai assim”). E pronto, passámos as duas (e todos os outros), e eu senti que ali perdi uns belos anos de vida.

Depois fomos ao Jardim Zoológico. Ora, já que ainda não fizeram Safaris, vão ver girafas noutros sítios (embora, tendo em conta o histórico, não deve faltar assim tanto para os Safaris, or so I hope). E fomos ao Museu das Crianças (sim, viajar com crianças ganha toda uma nova dimensão).

Fomos ao museu do Titanic, e ver um muro em Belfast que só me lembrava o muro de Berlin (e que tem uma conotação histórica também grande) – Falls Road.

Mas acima de tudo fomos a Winterfell (bem que senti que o “Winter is coming”, tal era o frio). Entrámos 10 minutos antes de fecharem os portões. Já não havia ninguém e claramente não devíamos ter entrado (mas raramente faço o que devia, o que deve por o Luís doente, mas enfim, é o que se arranja).

Claro que ia perdendo o voo (pelo menos a senhora disse ao Luís: “se ela não chega daqui a 2 minutos, fechamos a porta”. E, efectivamente, já dizia nos monitores: “gate closed”). Mas eu cheguei, a correr e com um saco de Burguer King na mão. Gente com fome dá nisto. Mas entrei. E todos entraram (que bem que também iam ficando em terra, por outras razões, tal como avançar para Norte da Irlanda em vez de ir para Sul, o que fez com que se perdessem durante um belo tempo).

 

Foi óptimo. Descanso zero. Mas não se pode ter tudo.

Para a semana já descansamos. Here we go again.

 

(Queixo-me muito, mas adoro a minha vida! – note do self, para ver se hoje à noite, quando estiver mais 2 horas a fazer shhhh, me lembro disto e não estou só a amaldiçoar tudo e todos).

Ficam as fotografias de gente gira. 23 pessoas deste calibre não é fácil juntar.DSC_3456DSC_3454DSC_3432DSC_3428DSC_3426DSC_3421DSC_3414DSC_3409DSC_3388DSC_3384DSC_3332DSC_3313DSC_3302DSC_3292DSC_3277DSC_3275DSC_3263DSC_3257DSC_3253DSC_3248DSC_3241DSC_3232DSC_3197DSC_3195DSC_3187DSC_3182DSC_3181DSC_3177DSC_3168DSC_3149DSC_3148DSC_3137DSC_3132DSC_3127DSC_3125DSC_3124DSC_3121DSC_3106DSC_3089DSC_3087DSC_3066DSC_3060DSC_3046DSC_3034DSC_3023DSC_3020DSC_3017DSC_3006DSC_2998DSC_2997DSC_2993DSC_2974DSC_2968DSC_2966