Algures no mundo


Leave a comment

Páscoa sem coelhos, mas com gatas. E frangos.

Diz que os almoços de Páscoa são bons.

No nosso caso, desta vez, foi um belo de um frango no churrasco, acompanhado de pseudo-cerveja pseudo-fria quase morna, numa capolana (ou capulana, who knows) e um “passa aí o guardanapo, que tenho que limpar as mãos para agarrar na criança que está já com a cara meio na areia e não se sabe levantar” (quando mais limpar).

Chegámos à casa que tinhamos alugado. No Santa-para-lá-de-qualquer-sítio-que-se-conheça. A povoação mais perto era a 25 minutos (ah, e dizem vocês, mas isso não é longe), ah, tá. Não é longe se não tivermos que ir comprar o jantar porque o empadão ficou na arca frigorífica a ver se era servido numa outra altura que não estas férias, claramente. Mas tudo bem, compraram-se lasagnas “rasca”, camarões finos e umas cervejas (e água, que aquela água da torneira não era muito boa) e pimba. Done. Casa gira. Piscina óptima (mas capaz de fazer concorrência à água do Pólo Norte e Sul e tudo mais), jardim também e tudo mais (claro que do ponto de vista de berros de crianças, cada quarto podia ser mais isolado, e do ponto de vista de termos crianças afogadas na piscina, também podia ter protecções, mas enfim, pormenores). Sim, que tentámos comprar braçadeiras e mandaram-me para a zona das cordas (a achar que eram daquelas braçadeiras de plástico para amarrar coisas que eu queria). Ficámos muito fortes a fazer protecções com cadeiras (e a minha filha muito forte a tentar ultrapassá-las. Há pais que dizem que os filhos são tãoooo quietinhos. Pois a minha, vai direita ao que não pode, como entrar na varanda e tentar passar entre as grades para descer ao rés-do-chão mais rápido, ou apanhar flores, quem sabe. Só não conseguiu porque a agarrámos).

E depois há aquelas praias cuja água é verde, cristalina, de se pensar “e vou eu para longe longe para ir à praia, quando tenho destas pérolas por aqui”, e aquelas praias sem gente, e aqueles restaurantes com salada de polvo (que a minha filha devorou – agora ando a criar gente fina, é o que parece), marisco, peixe e tudo mais por tuta e meia.

E “mais depois” há aquelas pessoas que são família não o sendo. E os que são família sendo. Tudo perfeito.

Tudo isso na nossa Páscoa. Coelhos, nem vê-los. Ovos, também não (só uns cozidos ao almoço do dia anterior), mas, ainda assim, foi bom, mas bom.

(A piada no título é do pior, mas é óptima por isso).DSC_0075DSC_0079DSC_0085DSC_0101DSC_0131DSC_0137DSC_0143DSC_0150DSC_0151DSC_0160DSC_0164DSC_0165DSC_0167DSC_0168DSC_0177DSC_0183DSC_0189DSC_0194DSC_0199DSC_0202DSC_0207DSC_0209DSC_0210DSC_0218DSC_0229DSC_0230DSC_0234DSC_0240DSC_0248DSC_0256DSC_0264DSC_0268DSC_0270DSC_0275DSC_0277DSC_0280


Leave a comment

Ser esse ser zombie que anda por aí.

Ser mãe é ter que trabalhar e não conseguir bater uma tecla que implique ter o cérebro a pensar. Pelo menos hoje. Porque ser mãe é não ter dormido. Ou ter dormido um bocado, não nos vamos queixar. Dormir, não dormir, dormir, não dormir. As noites são um bocado como jogar ao bem-me-quer-mal-me-quer, mas fica-se com a sensação de se ter claramente parado no mal-me-quer o tempo todo.

Ser mãe é tomar banho com o camelo da minha filha a olhar para mim. Um boneco, portanto, que não chamo camelo à criança. Pelo menos por agora. Ser mãe é já não sentir fome. Ou sentir e olhar para os ténis cheios de sopa (os meus, não os dela), para as calças com ranho e para os cabelos com gordura (das mãos, não que não os lave, atenção) e pensar: passo. Fica para a próxima. Ou então, não passo e vou ali ao bolo, ou aos chocolates, ou às bolachas Maria com manteiga, que têm 26gr de açúcar por cada 100 de bolacha (sim, ser mãe é também saber isto).

Ser mãe é ter sempre tudo desarrumado. Já era, por natureza, mas estávamos a falar de roupa, não de aspiradores nasais, ou de bonecas chamadas Felicidade, ou gorros e compressas e fraldas sujas (sim, é terrível, mas é verdade), ou outras coisas que tais. O que vale é que nunca me ralei com a desarrumação, senão estava tramada. Mas ser mãe é estar tramada, sem dúvida.

Ser mãe é ouvir falar em 700 doenças terminadas em “ite”, cuja existência era totalmente não existente no meu léxico de palavras (que está muito reduzido neste momento, ainda assim). E não falo de otites, essas são peanuts. Que, por falar nisso, ser mãe é ter peanuts para almoço, jantar e pequeno almoço. Com felicidade (e não, não é a boneca da miúda, é só o sorriso na cara, ou no rosto, como diria o meu marido “brasileiro”).

Ser mãe é ter que pensar em 4 conjuntos de roupa por dia (e se para mim eu já não usava nada que “conjugasse”, ui, agora então…). E porquê quarto? Porque o bolsado (vá, vomitado, para o comum dos mortais onde me incluo) gosta de aparecer por aí, só porque sim. E portanto são conjuntos para ela, conjuntos para mim, panos para limpar o chão, o pescoço e tudo o que esteja à frente. Uma maravilha, portanto.

Ser mãe é ir à casa de banho sozinha (temos pena, mas não engulo essa de as levar para a casa de banho comigo) e ficar estressada por as deixar a chorar. Mas deixar, ainda assim. E ficar estressada porque já não se aguenta aquele choro que está a dizer: “não tens tempo para ti, anda aqui ver o que tenho, que por norma nem é nada, mas quero companhia”. Pimba, e o que faz a mãe. Faz companhia. Ou então choram por cólicas, dizem, e ser mãe é massajar a barriga ainda que essas cólicas sejam, na verdade, uma dor no dedo mindinho, who will know?

Ser mãe é repetir 200 vezes como faz o cão, como faz o gato e o pintainho e chegar a um momento em que se troca a cabra com o burro e já nem se tem voz para fazer o “cócorococo”. Mas faz-se. E diz-se que é o galo rouco.

Ser mãe é estar aqui há 30 minutos a escrever isto, porque, then again, o cérebro está mau e não me apetece abrir os emails que vão aparecendo no canto inferior direito porque sei que nem sei por onde começar, e estar a cheirar cocó, mas não apetecer ir já mudar a fralda porque a miúda agora já não se deixa mudar, e rebola, e faz fitas e eu já não sei mais que brincadeiras hei-de fazer para que a muda da fralda seja tranquila.

Mas ser mãe é divertido. Ponto.

(Em baixo, uma está a chorar, a outra com cocó e eu…eu estou só aqui, a ver passar os comboios).

Photo on 16-03-17 at 15.17.jpg

 


Leave a comment

Amadora.

Nunca tinha ido à Amadora. Meio estranho, talvez, mas há tantos sítios no mundo onde não se foi e a Amadora era um deles. No meu caso.

Mas fui. Fui à Amadora e ao Babilónia, esse belo centro comercial. Entrei pelo parque, logo aí, pára tudo. Vemos os sinais que dizem que não se responsabilizam se houver roubos. Pois. Eu também não me responsabilizava. Tinha entrado num filme, parecia. Tudo muito vazio. Não havia carros. A luz era…ah, esqueçam, não havia muita luz. Mas a pouca que havia era muito amarela, tudo antigo. Mas here we go Babilónia. Não parámos no parque (ou parámos o carro, não nos parámos a nós), porque a ideia era trocar um vidro de telemóvel bem baratinho e íamos até ao fim para isso.

Subimos pelas escadas. Chegámos. Bang. Esse centro comercial com “700” lojas de telemóveis, “650” cabeleireiros afro, um Pingo Doce e cheiro a comida frita. Se havia mais, não reparei.

Fomos à primeira loja que nos apareceu. O senhor saiu de trás da banca e levou-nos a mais duas. São todos amigos, claramente. E muito simpáticos. Eram do Paquistão. Mostraram-nos fotografias do país enquanto alguém tratava do telemóvel. Primeiro pensamento: quero ir (mas onde é que eu não quero ir?). Entretanto aparece uma senhora africana que reclama com o telemóvel que tinha lá comprado ontem e que tinha caído no chão. “Mas acha que a culpa é nossa?” perguntava o paquistanês. “Isto é dos chineses, caiu e ficou aqui na ponta um bocado estragado” dizia ela. Ah, globalização! No Babilónia falava a africana com o paquistanês sobre telefones chineses (que o paquistanês dizia que comprava onde a Worten comprava e não eram chineses coisa nenhuma).

Maravilha. Deu-me vontade de voltar a África. Assim sendo, comprei um voo. Ou 3, que hoje em dias tenho duas pendurinhas queridas para levar.

Tudo isto para dizer, começou na Babilónia e vai acabar em Moçambique. Mi happy big time.


Leave a comment

Há 10 anos era assim.

Ainda me lembro quando há 10 anos e muito decidimos que íamos fazer uma Roadtrip até chegar a Lagos. De Lisboa. Sim, essa viagem que demora 2 horas e passou a demorar uma semana. Éramos cool (e ainda somos, para dizer a verdade). Acampávamos na praia, ou na colina, ou onde desse para montar a tenda (e bem sei que houve um dia em que estava tanto vento, na Arrifana, que cheguei a achar que íamos voar, quando a meio da noite tivemos que sair da tenda para pôr as estacas, coisa que até este ponto não tinha sido preciso). Mas éramos cool, estava a dizer. Levámos uma prancha (isso diz logo muito sobre nós). Mas nessa altura surf ainda não era bem o que era agora, sendo que o nosso nível de surf se manteve desde aí. No zero, entenda-se. A prancha serviu apenas para 30 minutos de treino (treino, ahaha) num dia. Além disso, serviu para dar dores de cabeça, porque tínhamos que a deixar em sítios cada vez que nos afastávamos do carro (sítios as in lojas e tal, já que dentro do carro ela não cabia). Mas era uma prancha gira. Ao menos isso.

Levámos um fogão a gás, daqueles pequeninos. E tínhamos a casa de banho sempre connosco (nunca a expressão “vai cagar ao mato” fez tanto sentido). Andámos de praia em praia. Fizemos sessões fotográficas com uma máquina reles, de certeza, a julgar pela quantidade de fotografias desfocadas (ou do nosso jeito, vá). Tomámos banho em bombas de serviço e acabámos em Lagos, na casa do Pedro, e a ir ao Slide and Splash (ou outro parque aquático qualquer, nem sei).
Ainda me lembro disto tudo. E às vezes apetece voltar.
Mas passados 10 anos e meio, 5 crianças e muitos bons dias de praia (bem, o de hoje foi especial, afinal não é sempre que um cão nos rouba o peixe e uma francesa qualquer nos paga uma parte do almoço), continuamos prontas para as curvas. Desta vez com carrinhos de bebés, e swaddles, e telemóveis carregados de white noise. Mas continuamos lindas. E maravilhosas. Com mais olheiras, é certo, mas nada que uma boa maquilhagem não disfarce.
Tudo o resto é peanuts.
Venham mais não sei quantas crianças. E não sei quantos dias de praia (mais dias de praia do que crianças, atenção!).
(Agora vou dormir, que uma das miúdas está quase a acordar e lá começa o turno da noite. Mas sempre é melhor do que pôr estacas em tendas. Nada como ver os silver linings, como diria o meu querido namorado). trip-007trip-008trip-010trip-011trip-016trip-030trip-046trip-059trip-061trip-064trip-067trip-071trip-078trip-099trip-101trip-113trip-125trip-150trip-155trip-161trip-188trip-189trip-197trip-198trip-217trip-225img_0773


1 Comment

Here she comes.

Isto de ter filhos é muito giro. A sério. Bem, não o tê-los propriamente, que era completamente dispensável (fazia outsourcing no homem tranquilamente). Mas o que isso traz depois. Não falo das noites, nem dos choros. Nem dos narizes entupidos, e tosses e “ai Jesus o que será que ela tem?”. Não falo também do “será que fez cocó hoje?”, nem do “apetece-me ir dar uma curva, mas agora não vai dar, porque temos que ir à natação”. Não falo do sermos postos em segundo (por nós próprios, pelo menos. E pelos outros todos.), nem do facto de uma sala de estar virar sala de brinquedos, onde entramos pela porta e há sempre um brinquedo que começa a tocar, ou pisamos um lego, ou damos por nós a montar torres de caixotes mesmo quando elas não andam por perto (as miúdas, não as torres). Só pelo hábito. Sim, que é muito bonito, é, mas para quem precisa de liberdade, bang, é um tiro no pé.

Mas não o faria de outra forma.

Quando riem é a coisa mais querida (e já sei que a pequena não ri nada, que são esgares. Oh well, são esgares muito bonitos e são para mim). E quando conseguem fazer uma coisa nova é uma alegria. E quando, neste caso, a mais velha viu a mais pequena, e lhe saltou para cima, a rir, e a bater palmas (e quase a arrancar-lhe um olho), eu soube que pode custar o couro e o cabelo e tudo mais (que custa!), mas que vale a pena. E por isso, não digo aquilo que oiço tantas vezes dizer: “ah e tal, não cresças”. Nope, eu quero que cresçam, que é bem divertido ir vendo as várias fases. E quando começar a sentir saudades, é só ter outro. So far, este plano tem corrido bem.

E as minhas miúdas são fixes.

Ecco, cá estão elas.

(Claro que vai ser complicado continuar a viajar como costumava, mas já andei a ver voos. Complicado talvez. Impossível, nunca). Vamos lá ver qual será o próximo destino.dsc_9974dsc_9975


Leave a comment

Passagem de ano, aquela coisa que acontece à meia-noite e já está.

E pronto, acabou mais um ano.

Mas não um ano qualquer (algum é um ano qualquer?). Um ano a três. Ou a quatro e cinco, que isto de andar de casa em casa, e de cidade em cidade, ou país em país, não é novo, mas é puxado. Um puxado bom. Mas puxado.

E, por isso, quando Luís me disse que bom bom era fazermos um “reveillon”, muito abrasileirado, as usual, numa casa fria (essa parte nada tinha de Brasil), na praia, e com os amigos dele, cheios de crianças, eu pensei: “pronto, perdeu a cabeça” (bem, na verdade pensei: “pronto, fodeu” como também diriam no Brasil, mas eu não digo asneiras). Vá, a sério, como se fosse mesmo o que eu quisesse. Estava estoirada e só o pensamento de ter que estar a ouvir berros e acordar cedo de manhã me causava calafrios. Mas mais do que não querer isso, não queria ser desmancha-prazeres (ao vê-lo dizer aquilo com um ar de miúdo contente de quem tinha saudades de churrascadas e caipirinhas (que acho que não chegaram a existir) , o que é que havia de dizer? Sorri, acenei e disse: “claro,’bora”, à espera que as pessoas não viessem.

Mas vieram. E que bom. E desta vez é mesmo que bom! (A sério, eu sei que estão a ler isto, e adorei). Por norma adoro festas, mas, às vezes, a pessoa não está para aí virada, o que fazer?

A parte boa é que os filhos dos amigos são muito queridos e animaram tudo. A parte boa é que o esquentador acabou por ser consertado, senão a minha opinião tinha mesmo sido diferente. A parte boa é que os amigos sabem fazer churrascos e havia comida como se não houvesse amanhã. Aliás, havia mais comida do que amanhã, até. A parte boa é que os amigos do Luís são tão queridos que até já são um bocadinho meus amigos. A parte boa é que tomaram-me sempre conta da miúda, sem eu nunca ter pedido. E ajudaram em tudo. E são espetaculares. True story.

Foi uma parte boa “djimais”.

E assim o ano acabou em grande (com um tempo óptimo, com uma ida à praia, com boa carne e bom peixe – o peixe foi no restaurante, mas estava óptimo; com boa companhia e com uma lareira, além das máscaras e balões que animaram ainda mais). E teve um bocado de tudo. E um bocado de todos, como o próprio ano que passou.

Ficam as fotografias (a parte menos boa é que descobri que tinha a lente da máquina meio estragada. A parte boa é que fui arranjar e arranjaram-me isto à borla…ah, gente querida! – E este há não é no sentido de existir, embora também seja, é mesmo uma onomatopeia espectacular de espanto e satisfação! Bang, e como isto me calo e mostro só as fotografias).

Até para o ano. Ou este mesmo.dsc_9592dsc_9596dsc_9632dsc_9637dsc_9642dsc_9647dsc_9649dsc_9664dsc_9669dsc_9675dsc_9683dsc_9697dsc_9708dsc_9713dsc_9722dsc_9750dsc_9755dsc_9778dsc_9783dsc_9791dsc_9795dsc_9807dsc_9827dsc_9843dsc_9862dsc_9863

 


Leave a comment

Frio? Diz que sim. Aos magotes.

E, de repente, sem saberes bem como (quer dizer, com umas belas horas de avião), passas de 30 graus para 6 graus (mas negativos, que positivos era quentinho). Pimba, levas uma chapada (quase literalmente, que o frio na cara faz mais estragos do que uma mão) sempre que sais à rua. Ou tens que ir ao congelador.

E porquê?

Porque esta casa, que não é bem casa mas é a nossa casa for the time being, não tem congelador, e portanto ontem decidi por lá fora o peixe e os camarões. Afinal, a temperatura deve estar just right. E assim, cada vez que lá vou, que também não são tantas, admito, gelo um bocado.

Quando vou só à rua fazer coisas, e me visto para tal, já não há problema. Nada de frio. A única coisa é planear ir à rua com 7 anos de antecedência, para dar tempo para me preparar. Ora vejamos, tenho sempre que descobrir o casaco, mas isso é fácil. Depois as luvas. O gorro. As botas com pêlo. Há que não faltar o cachecol e os colantes por baixo das calças. É simples? Pois, imaginem isto vezes dois, por causa da miúda (que hoje em dia até já mais ou menos permite que lhe ponham luvas, mas não acha muita graça). E para além disso, o que é que se veste primeiro para não torrar enquanto se veste o resto? Ah, agora começa a complicação. E é isto. Só para ir ali ao lado, comprar umas batatas.

Esta vida é uma canseira. Mas bem divertida.

(A parte positiva é que em casa se anda sempre descalço e de t-shirt. Não podia ser tudo frio).