Algures no mundo


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SNS ou sistema daqui?

Não é a primeira nem segunda nem terceira vez que digo mal do sistema de saúde daqui.

A forma como funcionam deixa-me doente (o que é pouco produtivo, let’s face it) e eu passo a vida a ir à lua nos 50 telefonemas que tenho que fazer. Ontem foi uma dessas vezes. Passo a explicar.

Há um mês achei que depois de 5 crianças devia ir fazer uma avaliação pélvica. Já a prever que ia calhar cocó, tal qual Bruno Aleixo, liguei primeiro para a fisioterapia a perguntar quando isso me iria custar. Ah senhores, considerando a resposta, iriam achar que o grau de complexidade da pergunta ia muito além de qualquer exame que o Yuri Gagarin terá que ter feito para ir ao espaço. “Ah e tal, pois que não consigo dizer porque depende do seguro”. “Sim amiga, mas mais ou menos”. “Pois, é que depende, porque há seguros que pagam x, há seguros que pagam y, depende do co-pay” (e sim, falar com esta malta deixa-me o cérebro mais enrolado do que um novelo de lã). “Bem, já percebi! Então assumindo que o seguro não paga nada, quanto é que eu teria que pagar? O máximo!” “Ah, isso seria 70”.

Ok, então vamos marcar.

Marquei 4 consultas/sessões para um mês inteiro e vou à primeira. A fisioterapeuta vê-me, diz como é que eu estou e diz que não precisa de me ver tantas vezes. Desmarcamos as consultas todas, marco só uma daí a um mês, pago os 70 (claro que ia ter que pagar o máximo!), e saio. Amigos, normalmente já me sinto a rainha do dance floor quando vou ao Lux (mentira, nunca vou a Lux nenhum e às 10 da noite estou sempre ferrada a dormir. Com ou sem filhos), mas ali senti-me a rainha do pelvic floor.

Bring it on, sócios. Até aqui tudo bem. Pois que a outra consulta era ontem. E pois que há dois dias recebo uma conta no correio (se querem falar de países de terceiro mundo a nível de burocracia, convido-vos a falarem sobre como as contas aparecem em casa nesta terra). Conta essa que dizia que eu devia mais 45 dólares. Para aquela mesma consulta que eu já tinha pago. Está de ligar para lá e ela diz-me que o seguro é que sabe. São sempre fortíssimos a mandar a culpa para o outro, tipo irmãos. digo-lhe que na conta me mandam ligar para aquele número se eu tenho dúvidas.

Muito blabla, ela a dizer que “pois temos pena, mas a conta é esta”, eu a passar-me porque me tinham dito que o máximo era 70. Ela diz que assinei um papel a dizer que o máximo pode ser entre 75 e 168. Amiga, really?? Achas mesmo que eu teria marcado 4 consultas para 1 mês sabendo que podia ter que pagar 168 cada uma, tendo em conta que não tenho nenhum problema aparente (no pelvic floor, que na cabeça há vários).

Digo-lhe para me mandar o papel que eu assinei. Ela manda-me um email com o documento. Tudo muito lindo, não fosse a parte da assinatura não estar preenchida. Digo-lhe que não pago. Manda-me um email que eu rapidamente mando para o lixo, a sentir que podia dar merda, mas a minha fúria já tinha passado qualquer limite (o meu limite também é muito baixo, convenhamos) e cancelo as outras sessões todas. No dia a seguir, liga-me a supervisora. Mais 30 minutos de conversa.

Acaba por me dizer que vai retirar aquela conta e eu não preciso de pagar. Mas se for a mais consultas, terei que pagar os outros valores. Depois de 2 horas entre telefonemas para eles e para o seguro e alguns emails, menos 45 dólares. Da última vez, para outra conta, foram 3 horas para baixar 1350 dólares da conta de um internamento. Se acham que o SNS não funciona, think again. Aqui a rainha do pelvic floor (estou a amar este título) vai esperar para ir a Portugal agora e ir ao médico. Mesmo pagando eu tudo, fica 50 vezes mais barato, e sei sempre o que me espera.


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Obrigada Sam e Pedro.

Vou só fazer uma adenda a esta viagem. Estas andanças são sempre uma loucura (by now já se percebeu). E por isso, quando a Sam e o Pedro alinharam (atenção, alinharam em 3 segundos e meio depois de termos falado sobre irmos), achámos que loucos eram eles. É que nós não nos podemos livrar dos miúdos, mas eles têm escolha.

E por isso, queria aqui agradecer-lhes.

Agradecer a paciência (que eu até tenho alguma graça mas sou impossível de aturar. Principalmente cansada, aka o meu estado normal). Agradecer a abertura em terem mudado a viagem deles um dia (UM dia!) antes de irem, porque houve um nevão em Austin e nos cancelaram os voos no próprio dia. Agradecer o nos ajudarem muito com os miúdos, o brincarem com eles e o olharem por um ou outro quando era preciso. Agradecer o nunca terem stressado, quando qualquer outra pessoa já teria atirado as mãos à cabeça, ou atirado alguém pela janela. Agradecer a generosidade em dizerem que dividiam a conta do quarto de hotel 50/50 quando nós tínhamos um quarto com dois quartos (se é que isto faz sentido) e eles só com um. E acima de tudo agradecer-lhes a companhia.

Só nos conhecemos o ano passado (obrigada por nos apresentares Carolzinha! De ti não esperava nada menos do que fantástico!) mas tem sido uma óptima descoberta. Excepto a parte em que passei a gastar mais nas compras de supermercado porque se é para me dar com uma health coach, ao menos aproveito as dicas. (Bem sei que não é fácil reparar no meu bom aspecto, mas garanto que a minha saúde vai de vento em poupa. Ahahah). For many more to come!


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PR 6

Ora bem, sabem aquela ideia de que no último dia é arrumar as malas e ir para o aeroporto para não haver complicações? Pois, eu não sei. Acho sempre que “só temos o voo às 3 da tarde, dá IMENSO tempo para fazer mais qualquer coisa”. Bonito. Claro.Acordamos, arrumamos tudo em casa, tentamos por na mala roupa cheia de areia, mesmo depois de sacudida, e a coisa não corre muito bem, porque se já estava tudo a rebentar pelas costuras a ir, imaginem a vir. Lá vai metade para o saco do carrinho de bebé e mais não sei quantas coisas para dentro do saco das camas de bebés. Vale tudo.Vemos se falta alguma coisa, vemos debaixo da cama, dentro das gavetas, até dentro as retretes, que nunca fiando (eles põem coisas nos sítios mais mirabolantes). Está tudo. Saímos e depois de 15 minutos de estrada, ah, CLARO que nos esquecemos de alguma coisa. E CLARO que o que nos esquecemos é a nossa mochila mais preciosa, que tem o computador do trabalho do Luís, os tablets dos miúdos, os cabos todos. “Aquela” mochila que não podemos perder. Essa mesmo. (Perdão, mas fui só limpar um xixi que estava no chão e tive que fazer uma pausa). Está de voltar para trás, e eu já a ver o tempo a ficar pequeno para o que queria fazer (sendo que nem eu sabia bem o que era. Um almoço na praia, provavelmente).

Agarramos na mochila, e o plano era ir comprar qualquer coisa para comermos e fazermos um picnic na praia. Óptima ideia. Caso para dizer que sou uma idiota (neste caso, porque tenho imensas ideias, no a seguir, porque a ideia foi só péssima). Compro pão, fiambre, uns pacotinhos de fruta com uns legumes lá dentro (para eu sentir que lhes estava a dar sopa e não me sentir mal de só comerem porcaria) e um chocolate (para os momentos críticos que com certeza iam acontecer algures num dia gigante de voos). Enganamo-nos no caminho 2 vezes, fomos ter a um sítio abandonado e entretanto é meio-dia e meia. O vôo é às 3, temos mil crianças e mil malas (bem, não malas, que isso só tínhamos uma mochila, mas sacos com camas e coisas que tais). Mas agora já era uma questão de orgulho. Paramos na primeira praia que vemos.

Um beco, entenda-se. Um vendaval que levantava areia e magoava os olhos, mesmo estando de pé (é certo que eu não sou nenhuma Gisele Bundchen, mas levantar areia um metro e meio já me parece bastante vento). Mas não desisto: hei-de almoçar a ver o mar, mesmo que esteja num sítio terrível e que os miúdos estejam a comer pão com areia (mas dizem que faz bem para ir à casa de banho, há que ver o lado positivo). Agora é que é, here we go para o aeroporto. O Luís deixa-me lá com 4 crianças e montes de sacos e vai entregar o carro, já que não alugámos o carro no aeroporto que era muito mais caro. Como não há carrinhos para levar a bagagem, chamamos um senhor para nos ajudar. Ele carregadíssimo e eu com uma mochila com um dos miúdos lá dentro, 2 outras mochilas nos braços e um saco de papel com compras que ia ter que por num mochila, algures no tempo.

Claro que a meio do caminho, entre garantir que as miúdas não se perdiam e que eu conseguia equilibrar tudo em cima de mim, o saco de papel rasga-se e cai tudo no chão. Ah, que maravilha. Passamos por uma inspeção qualquer das malas, seguimos para o check-in e sentamo-nos no chão à espera do Luís. Uma delas entorna uma garrafa inteira de água no chão, e começam todos a saltar na poça a dizer aos berros: muddy puddles. Claro que uma se espeta em 3 segundos e já tenho os seguranças do aeroporto em cima de mim. A mais nova, de repente, tem que ir à casa de banho. Começa a tirar as cuecas ali no meio. Digo-lhe que não pode ser e que tem que esperar, já que não posso deixar os miúdos sozinhos (embora, amigos, apetecia-me imenso). Ela começa a fazer ar de quem vai morrer ali e ofereço-me para lhe por uma fralda e assim resolve-se. “Nãooooooo, eu quero ir à casa de banhoooooo”. O drama, é o que é. 30 minutos e finalmente chega o Luís. Já estão cansados? É que eu já e ainda nem entrei no avião.

Chegamos ao balcão do check-in e, amigos, não me lixem, mas desta vez não vou pagar as camas de viagem, portanto, quando ela me pergunta o que vou mandar eu respondo com um enorme sorrido: 3 strollers. Assim que ponho o saco do único que era, efectivamente, um carrinho, ela pergunta: estão aqui os 3 dentro? (Sim, this is how heavy aquilo estava!). Digo que não e apresento-lhe as camas. Como é que uma cama passa por um stroller, não sei. E como é que acham que um stroller alguma vez podia pesar aquilo tudo, também não sei. Mas passou tudo.Siga para a porta. Entramos no avião e eu vejo o terror nos olhos dos outros passageiros. Eu pensaria exactamente o mesmo se visse uma família como a nossa a entrar.

Choraram um bocado, mas nada de por aí além. Houve muitas idas à casa de banho, muitos “põe a máscara”, muitos “pára de bater com os pés na cadeira da frente” e ainda muitos “baixa o volume”. No fim percebi que o Vasco estava mais calado porque estava entretidíssimo a por passas dentro da nossa única garrafa de água. Água aromatizada, portanto.Chegamos à escala. Os miúdos podres e nós também. Podia ter sido pior. Vamos jantar e íamos perdendo o avião porque perdemos a noção das horas, já que a pessoa nunca se senta verdadeiramente e olha pouco para o relógio (bem, no caso do Luís, ele até olhou para o relógio, mas não sabia a que horas era o vôo).Entramos no segundo voo e eu tive a brilhante (mais uma vez) ideia de não dar tablets, para eles dormirem. Amigos, estão a ver as sirenes dos bombeiros quando vão apagar um fogo? Foi o que se passou ali, mas com choro. DE TODOS! “Eu queroooooooooo”. Claro que eles quererem nem sempre tem muito peso, mas tendo em conta que estávamos com muita gente à nossa volta que devia querer matar-nos: “mais bien sur, amigos, aqui estão os tablets!”. Só berraram 3 minutos, mas valeu por 1 hora.

Adormecemos todos e às 11 da noite chegamos a Austin. Oh yeah! No meio de um warning de tempestade de relâmpagos e não sei o quê. Acho que vou ter uma conversinha com Deus e perguntar-lhe qual é a cena Dele de mau tempo e a nossa família. Mas pronto. Tudo bem. Tudo bem, se nos tivessem entregue tudo e tivéssemos ido para casa. Mas não. Faltou o carrinho (que tinha lá dentro várias coisas, incluindo uma espreguiçadeira, os nossos necessaires, toalhas and so on).

Vamos fazer queixa, vamos apanhar um shuttle para nos levar ao carro, os miúdos podres, a Francisca já descalça, de meias, pela estrada molhada da chuva. Enfim, espectacular. Bem, todos podres excepto a Luísa que estava aos berros e saltos a cantar o Wheels on the bus à meia noite e meia. Lux style, portanto. Chegamos a casa. Uma e tal da manhã. Não estavam muito virados para dormir e só lá para as 2 e tal é que estava todos ferrados. Às 6 já estavam alguns a pé.Amigos, eu tenho MESMO que gostar de viajar para aguentar isto (isto e o ter que ficar agora com eles em casa uns dias).

E o Luís tem que gostar mesmo de mim para nunca questionar uma única viagem que eu planeio (ou não planeio!).

Well, here we are! Where’s next?


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PR 5

Ora pois que acordamos numa casa muito razoável, tirando o facto de não nos podermos mexer nas camas, tal é o barulho que fazem. E não estou a falar de mexer muito, estou a falar de “ora colessença que gostava de me virar para o outro lado que tenho a anca dormente”. Não dá.

Passado um bocado também conseguimos ver que estávamos mesmo no meio da favela. Ou na ponta, que era num beco. E numa casa sem vidros. Agora a questão que se põe é: será que não tem vidros para não serem partidos? Nunca vamos saber (a não ser que nos entrem pela casa entretanto, e já tivemos demasiada emoção estas férias para que isso aconteça).

No último dia de férias decidimos ir ao Parque Nacional (coisa inteligente, já que eles estavam bem cansados e por isso com alguma dificuldade a fazer trilhos). Temos que entrar até às 11 da manhã, são 10:15, ainda não saímos de casa e o caminho demora 53 minutos. Começamos bem. Stress. Saímos a correr, vemos o caminho, apanhamos gente na estrada a pisar ovos e até um carro de golf. You gotta be kidding me, sócio. Começo à procura dos bilhetes e à procura de um telefone para onde ligar para justificar o atraso. Não encontro o contacto em lado nenhum mas encontro os bilhetes, menos mal. É para segunda, dia 22.

Ai! Pronto! Marquei mal os bilhetes, já que hoje é domingo, dia 21. Ligo à Sam, peço desculpa, digo que me enganei e passo os próximos 15 minutos a pensar nas melhores desculpas para fazer chorar as pedras da calçada e convencer a senhora da entrada. Já me imagino a dizer que estou grávida (não estou!), que temos 50 crianças no carro, que arruinei as férias aos meus amigos, que já não fomos à ilha por causa do mau tempo. Enfim, imagino a cena toda (não tivesse eu em tempos feito audições para o conservatório de teatro. Mas não entrei, espero que não aconteça o mesmo no parque).

Depois de ter a história toda na cabeça e um stress gigante, percebo que vi mal as datas e que estava a ver os bilhetes que tinha comprado para o mês passado (sim, isto é uma never ending viagem, já que tivemos que a adiar um mēs). Afinal tudo bem again, é só esperar que deixem entrar depois do tempo suposto. All good!

Olhando para o mapa do parque, decidimos fazer um dos trilhos mais pequenos, porque até os mais pequenos viram gigantes na hora da sesta e com 7 miúdos atrás. Andamos 25 minutos sempre a subir e paramos para o nosso tupperware de arroz e atum. Somos fortíssimos a parar. Continuamos em modo siga siga, siga siga e os nossos filhos encontram tesouros a cada esquina, que vão desde folhas no chão a pedras iguais a quaisquer outras. Acho que ontem apanhei um escaldão nos ombros e a mochila com os meus filhos em cima está a fazer questão de me relembrar isso segundo sim segundo não. Agradável.

Finalmente chegamos à torre e percebemos que apesar de o trilho ser pequeno, está classificado como difícil. Ainda bem que nos informamos antes de começar. (#not). Agora para baixo é um tirinho. Uns caem, outros ficam com feridas, mas nada que um spray qualquer não cure (trazemos sempre connosco, que evita imensas birras).

De lá saímos para uma mini cascata (sim, tudo podre, mas claramente nós gostamos de testar limites!). Água gelada, nós só com uma toalha e as pedras escorregadias (somos peritos em escolher cocktails explosivos). Já no fim, uma senhora qualquer passa. Tem uma coisa (sim, não me lembro do nome) de fazer bolas de sabão. Vê tantos miúdos e acha por bem dar a um.

Amigos, tenho para dizer que se visse agora a senhora, lhe arrancava a cabeça. Atenção, ela foi querida, mas aquilo deu tanto escarcéu que quando nos cruzámos outra vez mais tarde ela disse: “i never meant to cause you trouble”. Além de estar a cantar a música dos Coldplay há horas sem fim, estou a ouvir os miúdos a discutir por causa daquela porcaria…também há séculos. É o chamado tiro no pé.

Fomos jantar (que demorou 3 horas, porque o serviço aqui é sempre no relax e se andassem mais lentamente, acredito que andassem para trás) e no fim do jantar, estávamos na amena cavaqueira e diz-nos uma senhora que passou: sorry, your baby is throwing up. Pronto, acabámos de ganhar o título de piores pais do mundo. A criança ali a vomitar tudo e nós a rir para o lado. Quando vamos a sair, depois de um fazer um cocó gigante e massivo tal qual bomba atómica, eu, a fechar a fralda, espeto um dedo lá dentro. Ah! As maravilhas da maternidade.E assim acabam as nossas férias.

Eu com mãos com merda e o Luis a cheirar a sopa regurgitada, que é como quem diz, a vomitado, a caminho de uma casa na favela.

A pergunta que não quer calar é: então, agora há férias para descansar das férias?


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PR 4

Acordei a achar que era bom ensinar os miúdos a surfar (sempre bom acordar com boas ideias). A Sam e o Pedro alinharam (o que vale é que são muito pouco esquisitos) e a hora e meia que se seguiu foi “à procura da onda perfeita”. Mentira! Ficava bonito mas é tanga. Na verdade, só queríamos encontrar uma prancha. Vamos a um sítio perto de onde estávamos a dormir. Havia um campeonato, um vendaval e uma senhora que alugava pranchas, mas só para aquela praia. (Senhora essa que tinha 3 filhos abaixo de 4 anos e que tinha perdido o marido – campeão de surf de Porto Rico – porque um dia ele e outro qualquer entraram numa discussão qualquer e o outro pegou num bastão de alumínio e pimba de lhe esmigalhar o craneo. Há mil aspectos horríveis na história, sendo que um deles é a senhora ficar sozinha com os 3 miúdos. Aliás, fico tão apavorada com gente louca nestas bandas, que comprei um spray de pimenta para sempre que o Luis vai correr, poder levá-lo. Acho que nunca levou! Mas bem que lhe disse que se alguma coisa lhe acontece e ele me deixa cá sozinha com os 5, vou à tumba e arranco-o de lá à chapada! Deve achar que descansa sem mim).

Mas adiante!

Pois que percebemos que não íamos conseguir ali pranchas e decidimos comprar uma prancha reles de bodyboard para os miúdos brincarem (de notar que não trouxemos um único brinquedo para cá, a não ser o peluche com que cada um dorme). Fomos a 3 supermercados diferentes e, depois de muita medida de temperatura e desinfectante: niente. Bonito! Já tínhamos falado nisso aos miúdos, portanto deu em quê? Em birra, claro! E uma hora e meia perdida. No meio disto tudo digo ao Luis para limpar os vidros, que não se via nada. E no momento em que ele me diz que o reservatório não tinha água…xaran…começa a chover. Ahhh, Deus é que sabe. Seria perfeito, não fosse o plano ir para a praia.

Hoje era sábado e portanto havia mais gente na praia do que gostávamos. Mais gente, mais tendas de malta com bbqs a assar a bela da carne (tive quase para perguntar se aceitavam encomendas, que cheirava mesmo bem e nós com bolachas Maria, Lays e tangerinas para o almoço. Digamos que a dieta nutricional destas crianças esta semana está pelas ruas da amargura), e mais colunas de som com o belo do reggaeton.

Ora, como explicar isto? Amigos, já ouviram falar de headphones? Coisa bonita que faz com que SÓ tu oiças a música de bosta que decides por? Pois, esta gente nunca ouviu falar, claramente. Respiro fundo e vamos para uma ponta da praia. Menos mal. Isto até pode soar a snob, mas posso bem com isso. Já com o reggaeton, not really!Pois que nas 4 horas que se seguiram, conseguimos apanhar 4 chuvadas. Ou chuvinhas, vá, nada de extraordinário. Coisinha simples para refrescar as ideias. No entanto, ora muito bem, exactamente quando decidimos sair da praia e terminar as férias de praia em grande, Deus nosso senhor decidiu abençoar-nos um pouco mais. Mas desta vez abençoou até os meus ossos mais internos, tal foi a chuva que mandou.

Tudo a correr (e não sei se percebem a dificuldade de locomoção que é uma família de 7, com 5 miúdos pequenos), tudo meio às gargalhadas e meio aos berros, e tudo a entrar na carrinha de 15 lugares que já é a nossa segunda casa. Um calorão, é certo, e nós encharcados. Chupetas para todos, para ver se acalmam e eis senão quando, percebemos que obviamente já só temos um terço das chupetas que tínhamos no princípio da semana.

Damn kids. E podíamos dar um castigo de: “agora perdeste, agora não tens”, mas só de pensar no que isso ia representar para nós à noite…nope, quem ia ser castigada era eu (e os nossos amigos, que íamos todos para a mesma casa).

Toca de ir ao supermercado again. Dois, na verdade, porque claro que não havia chupetas no primeiro (e sim, já íamos no quinto supermercado do dia!), fomos jantar e siga para o nosso novo poiso, uma casa que custou 90 dólares por noite para todos. Depois de um caminho em que a Francisca solta um: eu não quero ups and downs, mãe (calminho, portanto), chegamos às 11 da noite a uma casa que deve ser no meio da favela, pelo aspecto. Mas cheia a lavada e, tendo em conta o que pagámos, tem uma óptima relação qualidade/preço. Amanhã temos que entrar no parque nacional até às 11 da manhã e estou aqui a perguntar-me como é que isso vai acontecer. E ainda se os sapatos todos encharcados dos meus filhos vão estar secos com a ventoinha estrategicamente montada pelo meu querido marido.

Ah, you gotta love estas incertezas.


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Dia do pai.

Não sei se este era o melhor marido que podia ter (que isto nunca fiando), mas sei que é o melhor pai que podia dar aos meus filhos. Carrega com todos às costas (no sentido figurado, não figurado e no sentido em que é meio louco mas uma pequena brasa, temos todos que concordar!). Acorda todas as noites, várias vezes, para lhes por uma chupeta, trocar uma fralda, ou trocar uma cama inteira. Levanta-se às 6 da manhã mesmo que tenha treinado ou trabalhado até tarde, e fica a sentir-se péssimo se se zanga com eles porque só fazem asneiras e porque, let’s face it, ele está podre. Faz castelos com as almofadas do sofá, tendas com cadeiras e mantas, lê histórias com a maior das paciências mesmo que tenha o menor dos jeitos e adora ensiná-los tudo. Desde a apertar os sapatos a fazer casas nas árvores. Às vezes tenho algumas dúvidas de que perceba bem a idade dos miúdos, quando vem com explicações gigantescas, mas acho tão querido que só me rio. Tem sempre tempo, sempre um abraço e sempre uns olhos de quem vai adormecer na próxima esquina. E normalmente adormece. Sempre com uma criança ao lado. Mas, acima de tudo, segura a nossa família como poucos (ou talvez nenhuns) e é uma sorte tê-lo aqui (afinal, quem é que iria carregar com os sacos depois de eu ir ao supermercado?).

Feliz dia do pai, melhor pai do mundo, em ex aequo com o meu.


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PR 3

São 9 da noite e tenho a cabeça em água. Quase tanta como a que vejo da minha varanda deste hotel manhoso.

Hoje, à luz do dia, deu bem para ver que quando Deus nosso senhor distribuiu o bom gosto, o dono deste hotel (ou decoradora, whoever) tinha ido à casa de banho. E idas à casa de banho é coisa que eu percebo muito bem. Ou falta delas, no que toca os meus queridos filhos, já que às 6 da manhã (esta gente é fortíssima a não ter jetlag quando me dava jeito que tivessem) me apareceu a primeira criança nua na minha cama. Xixi, portanto. Na cama dela. Ai gentxi, eu não fui feita para ser mãe. Ou pelo menos não fui feita para ser mãe sem nannies e empregadas.

Infelizmente a minha conta bancária não pensa da mesma forma, portanto “desmancha tu a cama e lava as roupas com xixi e não pia”.

Daí a ter todas as pessoas em cima de mim (com o meu querido marido ferrado ao lado) foi um tirinho. Depois segue para o supermercado (sim, que isto de férias para gente como nós é fazer o mesmo que em casa, mas com uma paisagem diferente. E não me queixo, que o mar que vejo da janela aqui é bem mais interessante que a Dottie, a minha vizinha da frente de 60 anos. E não desfazendo, que gostamos muito dela).

Pois foi nessa mesma altura que descobrimos que afinal hoje houve um barco a sair às 6 da manhã. E que talvez tivesse dado para nós. O coração parou ali um bocado, pensei directo que se calhar íamos tentar ir daí a umas horas, mas acabámos por decidir nem tentar.

O pensamento de uma viagem de barco cheia de solavancos com miúdos, depois de me lembrar do terror que foi uma viagem que fiz na Tailândia assim, fez com que desistíssemos. Isso e o não ter a certeza de que teríamos lugar. Ahhh, problemas de primeiro mundo.

Siga às compras e pensar em refeições básicas para os dias que cá vamos ficar. É que, pronto, este nosso quarto tem uma kitchenette, é certo. E o que tem essa bela divisão? Um frigorífico, um micro-ondas e xaran, um esfregão da loiça. That’s it. Aquele básicozinho que preenche qualquer cozinha e dá jeito a quem viaja. (Not!)

De lá, é tomar e dar o pequeno-almoço, por a fazer xixi, dar uns berros para um lado, uns revira olhos para o outro e tentar ser super rápida a ir para a praia que afinal é preciso ir de carro porque o furacão que passou sei lá onde deixou alguns ventos pelo caminho e o mar está a modos que revolto e quase a entrar pela varanda. Ou seja, levantei-me às 6am e só lá para as 11 é que saímos de casa.

E, vou admitir, a essa hora eu já podia ir dormir again.

Descobrimos uma praia que se pagava, mas tinha pouca gente, pouco vento e poucas algas (perfect!). Tinha formigas que picavam os pés (talvez picassem o rabo, se eu tivesse tido tempo para me sentar), mas assim sendo, só os pés. E adorava dizer que foi um dia puxado, mas foi só óptimo. Dia inteiro de praia, óptimo tempo, miúdos impecáveis (sim, vários fizeram cocó no fato de banho, sim, vários mandaram uns tralhos e ficaram a sangrar da boca. E das costas e de mais algum sítio que nem liguei, porque a certa altura têm que chorar a um certo nível para eu me preocupar. E sim, vários bateram nuns que bateram noutros, que atiraram côcos (e não cocós, favor não confundir) à cabeça dos primeiros). Tranquilo.

Depois de várias horas, e de um almoço com tupperwares, fomos jantar cedo a um lado qualquer. Gentxi, a comida daqui é para lá de maravilhosa. O que já não é tão maravilhoso é o cansaço dos miúdos que os fez chegar a casa todos a chorar. Aos berros. A não querer fazer nada e a querer fazer tudo. Enfiei-me no banho com eles para ser mais rápido e, a meio, pimba, acabou-se a água (estão a gozar, só pode).

E é isso, o Luis deitou uns, eu deitei outros enrolada numa toalha, e encontro-me neste momento nessa bela figurinha sentada com os pés em cima da mesa. E sim, isto são as minhas férias. Poramordasanta, alguém me mande uma babysitter. Só umas horas, porque,como diria a L’Oréal, eu mereço.


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PR dia 2

Ora, dormiram a noite toda (excepto a mais pequena que acordou uma vez). Isto para nós é inacreditável e por isso, claro que o dia ia correr bem. Só que não, porque isso não tinha graça e eu ficava sem nada para escrever.

Entonces, às 8 da manhã o meu querido marido já tinha ido à lavandaria, ao supermercado e sei lá mais onde (aposto que estava só sentado numa esquina qualquer a respirar. I would). Tínhamos que nos despachar porque tínhamos um barco para apanhar e estávamos no auge da nossa eficiência. Mas, once again, big fat nhecos.

Recebo um email a cancelarem o barco. Uh! Começa bem o dia. Está de ligar para os nossos amigos que entretanto tinham chegado ontem, para ver o que se fazia. Começa a saga de ligar para barcos privados e aviões, e só não ligámos a Jesus para afastar as águas porque achámos que teria mais que fazer.

Pois todos disseram que não tinham disponibilidade. E para dizer a verdade, depois de dizerem o preço quem não tinha disponibilidade éramos nós. Bonito. Alojamento pago numa ilha que consta ser paradisíaca (sem possibilidade de cancelamento) e nós aqui, sem podermos chegar lá.

Enquanto isso, eu ao telefone, com a mais nova ao colo que estava em modo berraria, ela agarra umas plantas quaisquer que aparentemente dão um ar bonito ao quarto e a mim só me deram dores de cabeça, puxa aquilo e bang, cai tudo no chão. Vaso estilhaçado em 10 metros quadrados. 5 crianças descalças. E eu. Ainda ao telefone, pego nos cacos maiores e rezo para que a cerâmica não pique, porque claramente não tenho uma vassoura e estou mais preocupada em resolver outros assuntos.

O Luis chega para qualquer coisa que não percebo e volta a sair. Visto toda a gente, dou leites, começo a arrumar tudo, porque mesmo não tendo barco, íamos sair dali, e canto músicas para crianças. Sim, nada como cantar o “oh Laurindinha vem à janela” para os ver todos calados. Ponto negativo é que a canto em loop, tal qual disco estragado. Chego àquele ponto em que já nem eu me posso ouvir. Pequenos-almoços e de facto o tempo está ventoso. E a choviscar.

São Pedro não nos curte, está visto.

Põe-se tudo no carro (depois do Luis tentar lavar os dentes com creme de assaduras do rabo em vez de pasta dos dentes) e antes de sair, informo a senhora de que parti o vaso, mas que o pagamos, claro. 35 dólares, diz ela.

Amigos, não me lixem, aquele jarro custou no máximo 5 dólares, mas vá, 10 ainda pago. 35? É que nem pensar. Peço para falar com a manager. Começa a explicar-me que é o preço que tenho que pagar e conversa puxa conversa e ela diz-me: mas está aí nesse quarto com 5 crianças? Mas isso não pode ser, isso é um quarto para dois. Explico que bem me parecia que o quarto era muito pequeno, mas let’s face it, sou fonas, podia só ter alugado um quarto pequeno e não me lembrar. Blablabla, e no fim da conversa percebo que me enfiaram num quarto mini, e que eu paguei um maxi e que bardamerda para esta malta que nem sequer me reembolsou “porque um quarto para 2 era mais caro”. Bah! Mas pelo menos não paguei os 35 dólares do vaso. Saí de lá irritada. Mas antes irritada e com os 35 dólares do que sem eles.

Os nossos amigos já vão a caminho do barco porque queremos perceber o que fazer e se dá para arranjar bilhetes para amanhã (e claro que ninguém atende telefones portanto ou se vai lá, ou não há respostas).

Depois de esperarem 30 minutos para falar com o manager, percebemos que hoje ninguém ia a lado nenhum, e que amanhã, sabe Deus. Siga para a praia, ao menos isso!

Finalmente vemos os nossos amigos e, gentxi, isso vale muito mais do que praias paradisíacas. Bem, depende dos amigos. E das praias. Mas neste caso estávamos muito bem servidos.

Começa a saga número dois: encontrar um sítio para dormir. É que é a altura do Spring Break. É que está tudo cheio. É que está tudo acima do nosso budget. Portanto, a tarde de repente vira praia, água, booking.com, alimentar crianças, airbnb.com, trocar fraldas, trocar fatos de banho, agora.com, alimentar crianças outra vez, pedir para não irem lá para o fundo, kayak.com.

Amigos, aposto que neste momento qualquer um de nós os 4 sabe todas os alojamentos existentes por estas bandas, quanto custam e quanto são os fees e as taxes. Damn them!

Começa a ficar mais frio (22 graus, portanto) e achamos por bem sair da praia e procurar um sítio para jantar enquanto continuamos à procura de sítio para dormir. O Luis já disse que aquela nossa carrinha de 15 lugares tem imenso potencial para virar camarata.

Um dos airbnbs que vimos, e para o qual pedimos um desconto (ora pois não), aumentou-nos o preço, depois de perceber que estávamos aflitos. Filha da mãe. Continuamos a procura. Agora já no restaurante. As crianças estão podres, once again. Uma despe-se depois de ter entornado um copo de água por cima da mesa e parcialmente em cima dela. Vários correm ali à volta, outros esfregam-se no chão e nós em modo: booking.com, kayak.com e por aí além. Quando o empregado do restaurante nos pergunta se queremos mais alguma coisa, respondemos: um quarto para dormir? É que sim, já eram 8 da noite, e nós sem saber para onde ir.

E não é que isso não me tenha acontecido várias vezes quando viajava com o Luis ou com amigos, mas quer dizer, desta vez temos toda uma trupe atrás. Acabamos a reservar uma coisa qualquer (com possibilidade de cancelamento), só por descargo de consciência, mas continuamos à procura, que há mínimos olímpicos. Ora que depois de termos já visto um 50 vezes porque tinha sei lá que defeitos, acabamos a olhar para ele e a achar que afinal é só perfeito. Silly us! (Nada como ter expectativas baixas. Ou estar aflito!).

E pronto, acabámos num hotel bem horroroso, mas mesmo em frente à praia. Aliás tão em frente à praia, que hoje há white noise au naturel (e em francês que é mais chique).

And that’s all folks. Ficámos a arder com o barco e com a ilha, mas podia ser pior e termos acabado debaixo da ponte.