Algures no mundo


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Carta de condução aos 30 anos. Yeah.

dsc_6690Esta criança no outro dia safou-me de boa. Acho eu.

Ora, precisava de ir tirar a carta. Sim, tirar novamente. Disseram-me que era só ir lá, com uns documentos, fazer o teste que era super fácil e done (além da condução que é feito no nosso próprio carro, super coerente, portanto). Mas tudo bem.

Depois de levar as miúdas à escola e já estar acordada há 4 horas (e ainda serem só 10 da manhã) – wait, ou estar acordada há 3 anos, mas o que interessa? – fui para o sítio da carta. Tiro senha, mas afinal os documentos que tenho não chegam. E tenho que ver um filme qualquer sobre prevenção não sei que mais para a senhora internet me dar um certificado e, aí sim, conseguir fazer tudo o que é preciso. Digo que vejo na sala de espera, depois de ir ao banco buscar um documento que me faltava.

Chego pela segunda vez ao sítio e, ups, afinal o vídeo não dá para ver no telemóvel, mas a senhora não sabia e portanto, uma viagem à senhora da asneira. Com uma criança atrás, que odeia andar no carro, ou estar no ovo. Ou estar quieta, na verdade.

Chego a casa, vejo o vídeo depois de dar de almoçar, trabalhar e fazer sei lá mais o quê, e siga para o sítio da carta outra vez (pela terceira vez, portanto).

Mas desta vez é que é. À terceira é de vez, dizem. A senhora da recepção lembra-se de mim e pergunta-me se ainda tenho a senha que tirei há 6 horas. Por acaso tenho, mas, obviamente que já não está válida (ou será que vou conseguir não esperar as 3/4 horas que eles dizem que é preciso?). Passo à frente de toda a gente, começo a fazer o processo e, txarannnn, vejo que não tenho carteira para pagar a carta. Morro um bocadinho por dentro. Mas só um bocadinho. Outra senhora diz-me que posso deixar tudo feito e é só ir a casa, buscar a carteira, voltar para o centro e fazer o teste teórico. Só? Não, not gonna happen.

Começo, em total desespero, a ver quem tem ar de que me vai emprestar dinheiro. Senhora do lado: “olhe desculpe – e faço o meu ar mais desesperado, que na verdade mostra exactamente como me sinto – pode pagar-me isto que me esqueci da carteira e dá-me o seu nib e faço já a transferência?”.

“Quanto é?”

(Burra, nem isso eu sei, achei que só pedir resultava. 25 USD diz a senhora do balcão que me olha como se eu fosse louca).

“Tenho 20 em dinheiro, chega?” A morrer de vergonha lá lhe explico que não chega, porque não tenho mesmo nada de nada. Reviro os olhos, a mochila, os bolsos, tudo isto enquanto a miúda, no chão, revirava o caixote do lixo. Oh dear, vai de mal a pior.

Ela diz: “sem problema, eu espero que tudo acabe e pago com cartão, mas não precisa de pagar de volta, não quero, obrigada”.

Sem comentários, morta de vergonha, sorrio, acabo o processo, vou para o computador com a mochila e a miúda, para fazer o teste. São 30 perguntas, posso errar 9. Peanuts! (Só que não!). É que as perguntas são: ah e tal, quanto é que se paga se for apanhado com álcool? Qual é o máximo de velocidade que pode andar se passarem crianças à sua frente a X feet? Segundo o programa xyz que eu nunca ouvi falar, o que acontece se for parado e se recusar dar sangue para ver se tem álcool? Ao fim da décima que eu fiz completamente de olhos fechados, a miúda puxa o cabo do computador, e lá se vai o questionário. Ups, começar de novo (tenho a certeza de que já tinha chumbado naquele). Começo outro, mais de metade feita de olhos fechados, e entre estar sentada na cadeira e ir buscar a miúda a várias pontas da sala, ou porque mexe nas tomadas, ou porque mexe no caixote do lixo, ou porque simplesmente decidiu ir dar um giro.

Acabou, whatever. 7 erradas. BINGO! Passei. Como? Sei lá. Mas isso já está. Agora só falta a condução. Acho que levo a miúda outra vez, just in case. E talvez não fosse má ideia levar a senhora anjo da guarda. Nos dias que correm, qualquer ajuda é bem vinda.


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Não havia muros para nós. Só para as bananas. Dia 1, here we go.

E chegou 2019. E com ele a primeira viagem do ano, para voltar para casa, o que é sempre tão bom como ir. Bem, embora fosse melhor se em vez de estarem 3 graus, literalmente, estivesse um pouco mais (até porque ter saído sem manga de um avião, sem mangas, não foi muito inteligente).

Claro que podia tudo ter corrido tranquilamente, o que quase que achámos que mais ou menos aconteceu (dentro do que é possível com as 3, claro). Acontece que quando passamos os customs fomos parados (depois de estarmos sem comer e dormir há horas e horas, era mesmo o que apetecia), e porquê? Porque tínhamos uma casca de banana na mão. Sim, não uma banana (que thank God já estava no estômago), mas uma casca. Lá fomos nós para a parte da agricultura, mostrar as malas e desejar que não nos chateassem com com vários Kgs de leite de criança que trouxemos na mala, já que por pacote fica 18USD mais barato comprar no México do que nos EUA. Lá fomos nós entregar a casca da banana a um senhor de luvas, e sentir que tínhamos trazido cocaína, no mínimo. Depois da revista e várias perguntas, fomos “liberados”. O Luís vai buscar o carro e eu fico com as 3 e as malas e carrinho. Tudo ok, ele tinha trocado as fraldas e posto a mais velha a fazer xixi e portanto, nada podia correr mal. Mas (claro que há SEMPRE um mas), a mais nova decide que afinal, depois de 10 minutos de ter trocado a fralda, tem que ser trocada outra vez. Tudo bem. Seria tranquilo, não fosse a mais velha de repente soltar um: “mãe, cocó!”. Ah, maravilha, 3 mochilas em cima, uma mala grande, um carrinho de bebé e 3 crianças para a casa de banho. Siga, vamos a correr, dentro do que é possível. Pouso tudo, agarro na mais velha que só diz a apontar para a retrete: “está sujo, mãe?”.  E vejo a do meio a começar a empurrar o carrinho da mais nova (enquanto eu quase que me dou um tiro por não o ter trancado). A mais nova aos berros, a do meio a rir. Lá lhe digo: “larga isso imediatamente” e ela obedece, once in a life time. Continuo com a mais velha ao colo, para não tocar em nada, mas não faz nada. (You gotta be kidding me). Olho novamente para as outras duas, e vejo a do meio deitada no chão, quase atravessada numa das portas das casas de banho individuais, a espreitar uma senhora que estará ela própria a fazer xixi (ou sei lá o quê). No chão. Deitada. Na casa de banho. Suspiro, pouco a mais velha que claramente não quer fazer nada, digo-lhe para não mexer em mais nada, levanto a outra do chão e nesta altura já tenho 3 senhoras só a olhar, como que a ver um filme no cinema. Bring the popcorn.

Lá saímos, entramos no carro (que entretanto o Luís chega), fazemos quase 4 horas de viagem, 2 das quais com elas aos berros e eu a cantar para as acalmar (já nem eu me podia ouvir e nem sei como o meu repertório de músicas para crianças dá para tanto tempo). A 40 minutos de chegarmos, a do meio já está encharcada em xixi, mas já estamos no inferno, então, “abraça o capeta”, como diriam no Brasil. Ela queixa-se e eu só digo: “estamos quase a chegar”. E podiam achar que já estava. Mas não, a 2 minutos (e mesmo 2 minutos) de chegar, a do meio vomita. E pronto, assim se passou o dia 1.

Ainda assim, acredito que 2019 vai ser do camandro. Como não ser? Venha mais um. Ano, e criança. E sempre com este rapaiz aqui ao lado, porque tudo isto só é suportável com alguém que se ri dos problemas, alguém que se ri dos disparates e alguém que aceita levantar-se a meio da noite porque prefere dormir menos do que levar com o meu mau humor quando acordo.

Bring it 2019. Que 2018 foi óptimo, mas para a frente é que é caminho.DSC_7122DSC_7102DSC_7090DSC_7183DSC_7180DSC_7175DSC_7167DSC_7164DSC_7160DSC_7149DSC_7109DSC_7085DSC_7074DSC_7070DSC_7064DSC_7062DSC_7055DSC_7032DSC_7022DSC_7018DSC_7015DSC_7011DSC_7010DSC_7004


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Jantares com miúdos. No, gracias.

Ora bem, eu sei que são férias. E que férias é bom. Mas estou quase quase quase a rifar uma delas. Ou, quem sabe e com jeitinho, as 3.

Vejamos. Quem diz que ir jantar com miúdos é bom, por favor, troco já pelas minhas. E aposto que as pessoas que estão ao nosso lado no restaurante também trocariam. É que nunca estão quietas. Às tantas andamos a educá-las mal, também pode ser isso. Mas nós falamos, explicamos, e, quando já nada resulta, damos uma palmada, mas não é por isso que elas comem tudo e ficam quietas no lugar delas e tudo mais. E levamos livros, e coisas para pintar e mais trinta por uma linha. Mas nope. E dou o exemplo do espectacular jantar de hoje.

Estamos a chegar ao restaurante e há um cinzeiro para as pessoas deixarem as beatas. Para isso ou para a minha filha do meio enfiar as mãos e sair de lá como se estivesse em África e não no México. Preta, portanto. Começa bem. Entramos no restaurante e ela foge para se enrolar nas cortinas. Adora. A mais velha, entretanto, já está em cima da mais nova a fazer qualquer coisa que a poe aos berros e eu já espero que me digam que não há mesas livres, mesmo eu vendo que o restaurante está quase vazio. Entramos, mesas redondas, com sofás corridos, o que significa que só dá para pormos uma cadeira de bebé. O que significa também que as outras duas vão andar a subir e a descer os sofás. Pela frente e por trás, até partirem qualquer coisa (que pode ir desde um copo até uma cabeça).

A mais nova começa aos berros, não fosse ela a terceira e, portanto, fights for her life muito bem. Cada vez que quer alguma coisa, guincha que nem uma louca. A do meio, no meio de tanta porcaria que já fez, leva um beliscão para estar quieta, mas isso só a faz guinchar também. Neste momento temos metade do restaurante que nos olha com pena e a outra metade que nos manda embora com os olhos. Mas tudo bem, nós sorrimos (e eu saio com a do meio, para ver se ela se controla, já que eu não estou a dar conta do recado).

Vêm os pratos, depois de já terem comido a sopa, e ela só querem um bocado. E esfregam parte no guardanapo. E deitam para fora, engasgam-se. Sei lá. Fazem tudo o que não podem fazer, metade está no chão, metade na roupa e a outra metade que já dá 1,5, está no prato. Pouco para a boca. E não me preocuparia não fosse eu ter pavor que acordem a meio da noite com fome. A mais nova começa novamente aos guinchos, agora de sono, acho, e eu só digo: dá-lhe pão, água, qualquer coisa que a cale, por favor. (Já sei que devia era obrigá-las a comer, mas não vou educar ninguém num restaurante, quando estão podres de sono, mas adiante).

Vem a nossa comida (sim, que até agora foi só a tentar alimentar as miúdas). Os empregados, simpáticos, tentam não fazer ar de quem as quer matar, porque já quase entornaram 20 pratos ao chão a chocar com elas (que estão às voltas à mesa), e a mais velha quer ir a casa de banho (claro que quer. Sempre em boa altura). Lá vai o Luís. Volta. Passamos para a sobremesa. Passados 20 minutos: “mãe, fiz cocó”. Dois pormenores aqui: 1) ela diz: fiz, mas na verdade isso significa que quer fazer; 2) nunca fez cocó nas cuecas desde que tirou a fralda excepto hoje, durante a tarde. Assim sendo, pensei que talvez tivesse feito e perguntei: mas já fizeste? Ao que ela, no meio do restaurante, vem ter comigo, diz bem alto: cocó, cocó, baixa as calças e inclina-se para me mostrar o rabo. (Ah, a pureza das crianças. E eu só me apetece rir). O Luís solta uma asneira e lá vai novamente para a casa de banho com ela. As outras duas começam a flipar (um pouco mais), e entre a do meio quase esganar a mais nova, ou a mais nova roubar a chupeta à do meio, sempre com guinchos e outras coisas que tais, eu penso que tendo em conta que o Luís já saiu do restaurante há 20 minutos (que a casa de banho é na rua), provavelmente alguma coisa aconteceu. Começo a preparar as que restam para ir embora (e já tenho a senhora do lado a perguntar se quero ajudar), e aparece o Luís. Não só a mais velha não fez nada na casa de banho, como os 20 minutos foram à espera de um miúdo que lá estava dentro. A fazer o quê? Só Deus sabe.

E pronto, foi arrumar, engolir sem mastigar o resto da sobremesa, e jurar que nunca mais vamos jantar fora. Pelo menos até amanhã.

(Tudo o resto corre muito bem, obrigada. Excepto o que corre menos bem, mas oh well).


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E a saga continua. Mas ao menos com calor.

imageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageimageE llegamos, amigos. Ou como diz a nossa filha a referir-se a mim e ao Luís: chicos (todos amigos, portanto).

E como foi o natal? Então, 24 pusemo-nos à estrada. Coisa pouca de 3 horas. Pois fiquem sabendo que 3 horas de carro com a mais nova é pior do que avião. Isto porque no avião, ao menos ela mexe-se. Ou mexo-me eu, para não a ouvir. No carro, nada disso, é ouvir guinchos. O tempo todo. Pois que então o nosso jantar de 24 acabou a ser no Wendy’s, a comer hambúrguer e batatas fritas, ou pelo menos parte das batatas, que a outra parte ficou submersa pela coca-cola. Mas tudo bem. O resto da coca-cola que não ficou nas batatas, acabou a ficar no chão e, por consequência, nas meias da minha filha do meio que decidiu descalçar-se e andar a limpar aquela carpete bonita e limpa, com a própria roupa. Nada nojento, portanto. Mas adiante.

Voltamos para o carro, mais uma hora ou duas, já nem sei, porque o aeroporto de Dallas é tanto em Dallas como o de Frankfurt é em Frankfurt. Mas tudo bem. Chegamos ao hotel. Elas podres, tudo na cama, acordar as 4:20 e siga para o aeroporto, para um daqueles voos em que só não se paga para respirar porque provavelmente eles viram que assim perderiam clientela.

Fazemos check-out, mas assim que chegamos ao carro: falta do panda da mais velha. Drama, não é? Volto atrás, mas a senhora da recepcão desapareceu. Toco à campainha. Toco muito à campainha. Chamo baixinho. Chamo aos berros (e eu tenho uns óptimos berros). Mas nada. Niente. Zerinho. Procuro em várias salas. Aparece um outro senhor que diz: it smells like weed. She’s probably smoking. Pronto, é nesta altura que fico furiosa. Entretanto já passaram 15 minutos. A recepção toda aberta para quem quiser ir lá e eu quase a trepar paredes (by now já tentei por o código do quarto num cartão que por lá andava, já peguei num walkie-talkie que não é meu para tentar comunicar com o além, aparentemente, já saltei para o outro lado da recepção. Mas nada na mesma). De repente, saída de qualquer sítio que ninguém sabe bem onde, nem ela, porque me disse que tinha estado na casa de banho, olha para mim com um ar relaxado (pois, pudera) e diz: only 3 minutes, i only took 3 minutes. Nem respondo, só com os olhos. Saio a correr e lá trago o panda. O WWF ia ficar orgulhoso com este salvamento.

Largamos o carro, apanhamos o transfer, depois o avião, depois outro transfer e finalmente chegamos. Ah, e com isto tudo íamos perdendo a do meio que é louca e decide correr sem avisar ninguém, para se esconder. No meio de montes de gente, na alfândega, no aeroporto. Mandei um berro (não que tenha resultado da última vez), e começou toda a gente à procura dela (enquanto o Luís tinha uma ao colo, a outra agarrada às pernas dele, e eu estava só com um ar desesperado). Ufff, encontrada. Lá chegamos ao hotel e em meia hora partimos um pimenteiro, entornamos um copo de água e outro de vinho.
Sinto que começou bem.

Vamos lá. Mas devagarinho que o quarto tem uma balança. Bela forma de diminuir custos. Se o cliente vir o seu peso a aumentar de dia para dia, passa logo a reduzir nas refeições. (Eu ainda não lhe toquei, nem faço tensões disso, claramente).


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Mais uma volta, mais uma dor de cabeça. Mas com amor.

Viagens com crianças é terrível. Don’t take me wrong. Elas são queridas. Divertidas. E mais mil e uma coisas boas. Mas (e depois este mas é gigante), estar em viagem durante 21 horas e meia não é divertido, só por si. Com elas, levem-me para longe. Estar num avião onde não dá para passear (embora em jure a pés juntos que fiz a meia maratona a andar às voltas), torna a coisa negra, para não dizer impossível. Estar num avião, sair, esperar 4 horas e meia, em que é preciso levantar a bagagem toda, voltar a fazer check-in, voltar a passar na segurança que implica com tudo e me manda tirar tudo o que tenho comigo e o que não tenho, e quer que eu consiga controlar as miúdas, sem elas irem para onde não devem, enquanto tenho uma agarrada a mim, numa mochila à frente e tento calçar os sapatos, e o Luís está a fazer não sei o que nas malas, que eles também pediram. “Não amigos, não vou controlar a minha criança, temos pena”. Isso também não dá.
Viajar com 5 malas de porão, mais 2 camas de bebé, mais 3 carrinhos (um deles duplo), mais 4 malas de mão (fora os casacos todos e sei lá mais o quê que acaba sempre por aparecer)…e crianças, pois, também não é bonito.
Estar a passar uma zona de turbulência (embora eu nem tenha dado por isso), não poder ir mudar a fralda da miúda, levantá-la, passados 15 minutos, e ter uma poça de xixi nas calças, não, não é divertido. Ou ter uma parte pequenina sem xixi, é mais isso. Terem-me entornado sopa, fruta, e ainda ter bocados de ranho nas calças, ainda menos divertido é. Ou sei lá, eu até me rio (pois, “fazer o quê?”, como diriam em Moçambique), são calças vividas, não é não?
Ter um segundo voo em que, a meio, elas, que NUNCA choram nos voos, têm um ataque de qualquer coisa que não se entende (talvez ouvidos, ou talvez uma unha do dedo mindinho encravada, who knows), e berram. Mas, minha gente, berrar é berrar mesmo. Uma dorme ao meu lado, a outra, dorme ao meu colo. À frente (sim, que não podemos ir todos na mesma fila porque não há máscaras de oxigénio suficientes para todos), a que vai ao colo do Luís, berra como se a estivessem a matar. Lá troco a que está a dormir, pela que está a berrar (que agora decidiram que se calam muito mais facilmente comigo), por cima do banco, calo uma. Começa a outra. Trocamos novamente (sinto-me a trocar cromos para a caderneta do mundial, na verdade. Sendo que os cromos, pelo menos, estão calados). Voos assim, shoot me.
Ter um voo que chega à meia noite, ir apanhar um uber, e perceber que afinal os uber e táxis agora já não vão à porta do aeroporto. Agora é preciso andar 15 minutos. 15 minutos se fossemos 2. E com umas malinhas. Não nós. Os 5. Em que desses 5, 3 vão às costas/cavalitas/colo, porque à uma da manhã em Austin já são 7 da manhã em Portugal e as miúdas ainda não dormiram e estão mais para lá do que para cá. E estão 7 graus. E elas com frio, sono e fome. Ah, aquela bela junção de factores que faz qualquer pessoa bem-disposta. Let alone a child. Esses 15 minutos, rapidamente se transformam em uma hora que feels like um dia inteiro.
E pronto, é um bocado como disse um senhor de um dos voos, no fim: “you made it”. Sim, nem é correr bem, é “pronto, pelo menos chegaram”.
Primeiro pensamento, depois de chegar a casa, passadas 21 horas e meia: “tão cedo não me apanham num avião”. Segundo pensamento: “bem, temos um voo marcado para daqui a 20 dias, yes”.
Ah, como gosto tanto e tão pouco de viajar. Problemas de primeiro mundo, portanto.
E pensam vocês: mas pelo menos chegaste e agora já está tudo bem.
E digo eu: isso era bonito, mas hoje quando pegámos no carro, o carro não pegou. Bonito bonito era eu ir-me atirar da ponte. Ou voltar para casa, enfiar-me na cama, e dormir.
Mas não, tenho só 154 malas para arrumar. “Té logoooo”.
As fotografias estão péssimas, mas mostram bem o que se passa por aqui.


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A festa. Tudo o resto é conversa.

E a aventura não pára, claro.

Comecemos por há uns dias ter havido um furacão. Muito lindo, não é? Ora, vamos só  deixar claro que eu tenho medo de vento normal. Normal, aquele que abana guarda-sóis na praia. Mas tudo bem. Vem a Leslie, e nós estamos prontos. Só que, enfim, lá na minha terra, no Texas, quando há furacões, a malta vai para abrigos. Mas isso é para meninos, não é não? Claro! Aqui, sabendo que ia haver um furacão, decidimos que o melhor era ir para o Cabo da Roca. Para um casamento. Para uma, txaran, TENDA. Oh yeah. Para uma tenda. Não acham maravilhoso? Eu achei. Sinto que durante o tempo todo do jantar, que as minhas pulsações estavam ao nível de quem andava a correr sprints noutro lado qualquer. Mas tudo bem. Aquilo abanou. Abanou. Umas lâmpadas caíram. Uma parte da tenda rasgou (que por sinal foi mesmo atrás de mim, o que fez com que, sei lá, passasse uma aragem), e eu, bem, eu senti que havia emoção. Once again.  Mas tirando isso, correu tudo bem.

Depois, bem, andamos com problemas com estacionamento do carro. Não o estacionamento em si, entenda-se. Mas o pagamento em mim, vá. É que decidimos ser chiques e estar com casa numa zona vermelha. Isso significa que pagamos 45cêntimos por 15 minutos de estacionamento. Estamos cá há 2 meses e tal, façam as contas. Mas, claro, como somos espertos (ou achamos que sim), pomos o carro ali num parque em que andamos 15 minutos, ou 10,  mas pelo menos pagamos apenas (e este apenas é meio sarcástico, já que ao fim de 2 meses e tal isto sai caro p’ra burro) 3 euros por dia. Isto se chegarmos lá antes das 8:30 da manhã, caso contrário, não há lugar. Ora pois, há por aí mais espertos.

Mas adiante, este não seria o problema central se às vezes não ficássemos 10 minutos ou até 2 horas sem pagar, porque nos esquecemos de por parque. É que, metade das vezes, não conseguimos por nesse tal parque e andamos a fazer ginástica com apps e moedas. Tudo bem, com isto já tivemos duas multas e um bloqueamento. Espectacular. E podia acabar aqui, mas claro que não. É que, no outro dia, pensei: vou à praia. Num  instante. Com a miúda. Ponho tudo no carrinho, dou almoço, faço lanche e sei lá mais o quê, corro 10 minutos para o parque, e…o carro não estava. Como não? Dou duas voltas ao parque (que ainda é bem grande), e penso: como sou fonas e não tenho dinheiro no telefone, tenho que voltar para casa para ver se rebocaram ou roubaram. Mais 10 minutos para trás (I love this!). Chego a casa, vejo que o carro foi rebocado. YEY, podia ter sido roubado, menos mau. Mas isto aconteceu porque a app não estava a funcionar e eu só consegui por o parque 10 minutos (e sim, foi mesmo 10 minutos) depois de ter sido multada (ou seja, ainda paguei depois de já ter multa, que bom). Vamos de uber, a miúda e eu, chegamos ao parque dos carros rebocados, estou 1 hora a refilar, mas não vou a lado nenhum. Pago quase 140 euros. PIMBA! Adoro a EMEL. E é isto. Emoção again. Ao rubro.

Quanto ao resto. Oh well, houve uma festa (or should I say: fim-de-semana de crianças?) há uns dias e, obrigada a todos os que vieram. Isso sim, é de louvar. Carros e furacões? Olha, que um leve o outro. De preferência o carro levar o furacão, e não o contrário.

Ficam as fotografias da festa, que são bem melhores do que fotografias de reboques. Ou de furacões.DSC_5651DSC_5654DSC_5666DSC_5681DSC_5687DSC_5709DSC_5711DSC_5715DSC_5739DSC_5762DSC_5763DSC_5765DSC_5767DSC_5768DSC_5775DSC_5780DSC_5786DSC_5793DSC_5797DSC_5801DSC_5803DSC_5805DSC_5810DSC_5814DSC_5816DSC_5817DSC_5824DSC_5826DSC_5827DSC_5830DSC_5841DSC_5846DSC_5863DSC_5877DSC_5884DSC_5887DSC_5907DSC_5911DSC_5924DSC_5930DSC_5934DSC_5950DSC_5962DSC_5963DSC_5967DSC_5971DSC_5974DSC_5977DSC_5979DSC_5980DSC_5983DSC_5984DSC_5985DSC_5989DSC_5996DSC_5997DSC_5998DSC_5999DSC_6001DSC_6003DSC_6007DSC_6009DSC_6011DSC_6012DSC_6017DSC_6019DSC_6026DSC_6030DSC_6037DSC_6040DSC_6054DSC_6055DSC_6060DSC_6066DSC_6073DSC_6083DSC_6105DSC_6108DSC_6111DSC_6122DSC_6074


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Emoção? Check.

E cá vamos nós outra vez. E não é a algum lado, neste caso.
Pois bem, estávamos na saga da casa, não é?
Ora, decidi ver se conseguia arranjar uma casa top para as pessoas que iam ficar na casa onde eu estava e, assim, continuava na mesma casa. Procurei, discuti preços e finalmente encontrei uma top. Confirmei com as pessoas que podia ser. Marco. Ufff, resolvido. Mas claro que não, não é? (by now, toda a gente já sabe que nunca poderia acabar aqui).
Dois dias depois, cancelam-me a reserva. Quase que tenho um ataque, pois claro. Volto à carga, entre fazer mil coisas, e encontro mais umas casas, na esperança que me aceitem outra troca. Encontro outra vez. E, txaran, ao menos isso. Resolvemos.

Finalmente a minha vida vai ser mais tranquila. Só que, a modos que prontos, uma das miúdas decide ter uma otite. Mas daquelas interessantes, que fazem sair pus. Mas pus durante 3 semanas (and counting). Vou a médicos, homeopatas e só me falta ir à bruxa (sendo que sinto que já estive mais longe). Não é que seja dramático, claro. Mas pronto, é desconfortável. Mas tudo bem, isso gere-se. Mas depois, um dia (há 3 dias), vamos numa viagem de carro, e, além da otite, coitada, de repente oiço qualquer coisa, olho para trás e pronto, a Fontana di Trevi está a jorrar da boca dela. Assim bastante. Estamos no meio da autoestrada: “queres que pare?”. “Não, a malta resolve” (que assim como assim, ia parar onde?). Tiro-a da cadeira, ponho um lençol que por acaso tinha, e que por acaso era também impermeável, a sinto que, apesar de estar tudo a cheirar terrivelmente, e ela já nua, só de fralda, com bocadinhos nojentos de comida a boiar nos orifícios da cadeira, que vai correr bem. Eis senão quando, txaran outra vez, lá vem a Fontana di Trevi outra vez. E neste ponto, eu já estou por tudo. “Queres que pare?” Neste momento, quero lá saber se estamos na autoestrada ou num filme do J.J. Abrams (que sim, fui ver à net), é para parar e é já.

Paramos, sai a criança, nua. Tento limpá-la com toalhitas, e decido ir ao intermarché comprar um produto qualquer para a cadeira (já não tinha coragem de a sentar lá outra vez sem limpar). Já temos pelo menos 7 rolos de papel que os senhores da Midas forneceram, toalhitas, água de biberons e miúdas descalças na rua, enfim, poderia ser pior? Podia, olha se não houvesse nada para limpar.

Seguimos viagem. Todas aos berros (mas também não temos rádio no carro, portanto, assim ouvimos qualquer coisa). Chegamos e achamos que agora é que é. Mas no dia a seguir vomita outra vez (e, neste ponto, sinto que o pediatra me deve querer atirar de uma ponte, com a quantidade de mensagens que lhe mando).

Mas como não tem febre, nem tem nada, hoje, vamos à praia (cansar as miúdas e relaxar um pouco). Lá vomita a certa altura na areia, e em cima de mim, o que é agradável. Pondero voltar para casa, mas ela adormece, e “deixai-a dormir”. Acorda bem disposta, as usual, e acabamos por ficar mais um bocado. Saímos da praia já tarde, mas é um tiro até Lisboa. Ou seria, se não houvesse um acidente, claro. Duas dormem, a outra berra. Yey, só digo: “a mãe já vai, a mãe já vai”. Quase quase a chegar a casa para a saga acabar. Chegamos, corro para cima, como duas nos braços, cheias de fome, sono e a precisar de tomar banho, MAS….a porta não abre. A chave tinha ficado por dentro. YEY. Ou why? Já nem sei o que pensar. Rio de nervoso. Elas choram de qualquer outra coisa. Subimos todos. Os telemóveis sem bateria, ou sem dinheiro (sem dinheiro o meu, claro). Lá conseguimos 7% de bateria para pesquisar na internet uma maneira de abrir a porta, ligo para o primeiro número que me aparece, ele diz que vem em 25 minutos (certo, passaram 40, mas já estamos por tudo). O nosso andar parece um acampamento de ciganos, de tal forma que o vizinho da frente, que não conhecíamos, nos convida para entrar, e dá sumos às miúdas. Uff, menos mal. Entretanto o outro demora e demora (já eu sei quanto custou a casa ao vizinho, que ele não gosta de airbnbs, que tem outra casa sei lá onde e que quer por espelhos na casa de banho inteira, uhhhh).

Ligo ao outro outra vez (sim, ainda tinha 3% de bateria). Nesta altura, a miúda já me vomitou em cima outra vez, no corredor, e já o vizinho foi buscar um rolo de papel, já quer acha que a culpa é do sumo que lhe deu. Mas oh well, finalmente o “abredor de portas” chega. Finalmente. Abre a sua pequena mala, tira uma pseudo-radiografia, e pum, em 2 minutos e 65 euros, abre a porta. WOW. (Atenção que por acaso até tentei abrir com um cartão, em modo MacGyver, mas comigo não resultou).

9 da noite. Entra tudo em casa, finalmente. Tudo menos os 65 euros que paguei ao amigo da radiografia. Shoot me.

E é isto. Adoro vida com emoção. Isso ou ferver chupetas a um sábado à noite. (Nos entretantos, tiramos fotografias com pouco glamour, mas imensa graça, para comemorar a desgraça e esperar o arroz empapado e frango que aí vêm, sim, que quero ver se não há mais vomitados hoje).

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