Algures no mundo


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Idas ao lago.

Porque depois de umas férias que não foram bem férias, o melhor seria descansar. Mas descansar por estas bandas é um bocado como o verão em Amesterdão: espera-se por ele, mas “o do ano passado é que foi bom”.

Mas enfim, no dia seguinte a chegarmos, chegaram visitas, yeah! E por isso, nada como andarmos a visitar sítios novos no fim-de-semana (levámos isto tão à letra, que conseguimos fazer duas horas de carro em busca de um sítio que estava fechado. Muito agradável. Acabámos a passar a tarde a 10 minutos de casa). E até podia não ser terrível, não fosse estarmos com 8 pessoas num carro e estarem 40 graus. Bingo.

Mas no Domingo fomos à “praia”. Praia porque tem areia, entenda-se. Acho que ao fim da terceira hora de cá estarem, a minha irmã e o namorado já estavam prontos para voltar, tal o caos instalado por aqui. Aliás, de tal forma, que ele, a certa altura ao jantar disse ao Luís: “já percebi como consegues fazer o ironman sem treinar, nesta casa isso é peanuts”. (Isto depois de ver o Luís a subir umas escadas, várias, com o ovo e o miúdo num braço, com a mais velha aos ombros e o carrinho cheio de trabalha, na outra mão. Até eu, que estou habituada a este meu maridão, fiquei surpreendida, e até preocupada que ele fosse quinar para o lado. Mas aguentou-se).

Mas a bem dizer, o que tem sido mais complicado são as noites. Hoje, por exemplo, não só nós fomo-nos revezando a ir dormindo no quarto delas, no chão (dizem que faz bem às costas), como eu acordei de hora a hora (algo que tem acontecido nos últimos dias).

E nada disto era péssimo, não fosse eu ter dado um chuto no carrinho da criança e ter ficado sem uma unha.

Malta, se há essa tal coisa de Karma, ele está todo em cima de mim, e eu estou a tentar descobrir porquê. Damn.untitled-8274untitled-8276untitled-8278untitled-8280untitled-8289untitled-8302untitled-8303untitled-8313untitled-8314untitled-8321untitled-8328untitled-8332untitled-8339untitled-8345untitled-8347untitled-8350untitled-8352untitled-8356untitled-8358untitled-8374untitled-8375untitled-8376untitled-8381untitled-8383untitled-8387untitled-8389untitled-8404untitled-8406untitled-8414untitled-8441untitled-8453untitled-8457


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Férias. A volta.

Pois bem, estão a ver aquelas férias em que tudo o que pode correr mal, corre mal? Não estão, mas esperem que passam já a estar num instante.

Não interpretem mal, as férias foram óptimas. Só tiveram alguns contratempos. Coisinha pouca, portanto.

Ora, começou com aquela viagem de avião óptima, em que toda a gente (inclusive eu) disse: “agora só pode melhorar”. Ah, mas afinal não. Afinal pode piorar. Aqui vai. Havia a hipótese de uma tempestade tropical lá para as nossas bandas. Uma tempestadezinha não nos assusta, pensámos (mentira, eu não pensei nada disso, que eu fico em pânico com umas arvorezinhas a mexer com o vento, mas ok). Por isso, comprámos mantimentos e preparámo-nos para nos fechar em casa. Que aventura engraçada. Depois pensámos melhor, e vimos que de tempestade tropical, aquilo ia virar furacão e estar em casa com 4 crianças no meio de uma tempestade, não sei, não pareceu inteligente. Vai daí e alugamos um carro para ir até Atlanta, aquela cidade que fica a 10 horas de distância. E se acham que 3 horinhas de avião é mau, deviam ver 10 horas de carro. Mas fomos inteligentes e partimos às 9 da noite, não fossemos ter a viagem toda destruída por berros constantes. Assim sendo, partimos.

Adeus férias na praia. Mas tínhamos vários amigos que decidiram lá ir ter também e a coisa pareceu menos má (bem, amigos esses que já tinham decidido ir ter connosco à praia, mas mudaram de opinião lá pelo meio – I wonder why). Siga.

Nós mortos de fome, as crianças de cansaço (ok, nós também de cansaço (aliás, cheguei a ponderar se guiar 10 horas à noite no nosso estado não seria pior do que levar com um furacão), mas “vamo qui vamo”. Saímos e em 5 minutos, temos uma quase a vomitar. O Luís salta lá para trás, dá água, faz rir, distrai, para ver se ela não continua naquilo e, ufff, obstáculo ultrapassado. Andamos andamos andamos, eu a olhar para o relógio e a sentir que o tempo não passa. A sentir os olhos a fechar e a achar que em vez de guiar 5 horas, como era suposto, ia guiar uma e meia, e já com muito esforço. Paramos no McDonalds, dou de mamar, como o meu hambúrguer, que vem com cabelo associado (devia ser mais barato assim) e o mais novo faz cocó. Entenda-se que raramente o faz à noite, mas achou que bom bom era, nesta noite em particular, fazer. E faz na fralda, fora da fralda, na roupa, em mim, enfim, coisa pouca. Recomeçamos a viagem. Tudo aos berros e pomos o babyshark, para ver se melhora. Desejo ardentemente o furacão neste momento.

Chegamos ao destino, uffff, e foram 3 dias óptimos. Cheios de amigos, churrascadas, piscina e tudo do melhor. Hora de voltar. E pronto, é aqui que a coisa piora.

Voo às 7:10 da manhã. Levantamo-nos às 4 e pouco, e os anfitriões (que são do cacete) decidem que nos vão levar. Lá fazemos 30 ou 40 minutos de carro, chegamos, vamos para a fila (gigante) e esperamos, esperamos, esperamos. Bem, e a hora do fim do check-in começa a chegar. Vamos ter com a senhora que diz que está a chamar o nosso voo há séculos (MENTIRA, amiga). Mas tudo bem, faz-nos aquilo a correr, e nós a correr vamos. Mas vá lá, somos 6. Com malas. Em que só 2 são adultos. Correr é mais ou menos dizer que vamos a passo de tartaruga, mas com imensa vontade de ir mais rápido. Os senhores do aeroporto ficam 154 horas a ver os nossos nomes (não fossemos quase todos Maria e ele estivesse baralhado) e quando nos deixa passar, chegamos à “fila mais rápida”, que de mais rápido só tem nome, porque depois é só gente ou com crianças ou de cadeira de rodas e começamos a ver o caso mal parado. Passamos aquilo (deixando até algumas coisas no tapete, para não nos chatearem), vamos a correr até à porta (que claro que tinha que ser no terminal mais longe de todos), o Luís até vai nos carrinhos, e eu vou com 3 miúdas atrás, a correr. Chego à porta e não está ninguém. “Ah e tal, já fechámos o voo”. Quase que choro, imploro para ela ir ver se dá para abrir, trinta por uma linha, mas “acho que não, sócia, vais noutra altura, afinal, a vossa logística é super simples e eu quero lá saber se a culpa foi nossa”.

Descemos para ver o que se pode fazer e já temos os anfitriões a dizer que podemos ir lá para casa again. Coitados, deviam estar a tremer com essa hipótese. Chegamos ao guichet, está uma fila de 5 pessoas. E ninguém a atender. Eu já furiosa, entro pelo guichet adentro, e em 10 minutos dizem que nos podem mandar por Baltimore (aquele sítio mesmo a caminho, portanto. Só que não), e partimos agora agora, e chegamos às 9 da noite a Austin (eram 8 da manhã, entenda-se). Mas vamos, porque não? Em vez de uma viagenzinha de 1 hora, passamos para uma viagenzinha de mais de 12 horas (e lá estão vocês a pensar que só pode melhorar). Fazemos o voo, tudo podre, chegamos a Baltimore e só penso que era bom irmos passear à cidade (graças a Deus que deixei de pensar isso rapidamente). Vamos para um lounge, depois de nos quererem fazer pagar 30 usd para a minha filha do meio entrar, porque ela pagava, mas todos os outros não (sim, claro que não pagámos depois de uma discussão de uma hora). Durante essa hora, o Luís num telefonema de trabalho a ver powerpoints no telemóvel e eu a ver a minha vida a andar para trás com 3 crianças a fugirem, cada uma para o seu lado, e a acharem que isto é que era (digamos que fiz ali várias maratonas com o mais novo às costas).

Lá conseguimos entrar, alimentei as miúdas a bolo de chocolate e gomas o dia todo, viram filmes durante horas, uma vez xixi na sua sesta (coitada, estava estoirada), molhou a cadeira toda (e agora que penso nisso, esqueci-me de limpar), ocupámos montes de cadeiras, enfim, um ex-libris de qualquer viagem.

Claro que o segundo avião atrasou 1 hora e meia (só quando nos atrasámos 3 minutos, que nem sequer fomos nós, é que tinha que correr mal, claro), dei melatonina (ou lá como se chama) a todas, já em modo de desespero, e depois de bolsados em cima e “tenho fome”, chegámos a casa. Às 11 da noite.

Prontos para outras férias. Daqui a 20 anos. Quando for inventado o teletransporte.

Mas tudo o resto? Tudo o resto foi top of the pops. Tirando o furacão, 10 horas de carro, bolsados em cima, cocós em baixo, e termos ido a 3 cidades em vez de umas férias descansadas na praia, tudo foi perfeito.untitled-7644untitled-7670untitled-7675untitled-7711untitled-7712untitled-7717untitled-7721untitled-7726untitled-7734untitled-7747untitled-7757untitled-7762untitled-7775untitled-7787untitled-7799untitled-7803untitled-7827untitled-7865untitled-7869untitled-7871untitled-7897untitled-7922untitled-7941untitled-7943untitled-7948untitled-7956untitled-7964untitled-7980untitled-8005untitled-8023untitled-8030untitled-8045untitled-8066untitled-8075untitled-8082untitled-8085untitled-8097untitled-8108untitled-8127untitled-8133untitled-8136untitled-8141untitled-8144untitled-8148untitled-8153untitled-8158untitled-8164untitled-8169untitled-8179untitled-8194untitled-8205untitled-8218untitled-8227untitled-8233untitled-8237untitled-8243untitled-8250untitled-8262untitled-8268untitled-8271


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Férias sem emoção não é connosco.

Então é o seguinte. Isto tem sido a caos. A nossa vida, portanto. Quer dizer, já seria só por si, pelas razões óbvias. Depois a escola fecha. Encontrar nova escola, vender rins e afins e tudo e mais um par de botas, que inclui ter o meu querido marido fora durante uma semana daqui a menos de um mês. Tudo perfeito.

Assim sendo, e como já tínhamos estas férias marcadas, nada como ir gozar a calmaria de umas férias na praia.

Só que claro que isso seria “too easy” e, até quem sabe, um pouco aborrecido. Assim sendo, depois de o ano passado termos ido ao Hawaii onde estava um vulcão em erupção, achámos que giro giro era termos uma outra catástrofe natural este ano. Tudo menos do que isso seria boooooring. (E nem tínhamos pensado nisto, até uma amiga nos ter dito, já que, coitada, alinha nas nossas férias e acaba a levar com isto também).

Sabem o ditado: se o Maomé não vai a montanha, a montanha vai ao Maomé? Pois, não sei se a montanha lá foi ou não, mas é um bocado o que sinto em relação à praia que fica ali duas ruas abaixo. Quem sabe ela não vem ter connosco?

Assim sendo, neste momento tenho 3 crianças a dormir e o Luís foi comprar águas e feijão enlatado, para se ficarmos barricados. Mas isto seria demasiado simples, e, por isso, uma delas, há cerca de 20 minutos, a saltar na cama, mandou-se de cabeça para o chão, cortou o lábio (que está roxo como se tivesse sido esmurrada) e só se via sangue. Antes disso, outra sentiu que agora o que estava a dar era andar sem fraldas, e portanto o seu novo passatempo é fazer cocó em vários sítios do quintal e depois chamar-nos para irmos ver. Há quem faça desenhos ou construções e mostre aos pais. Nós temos quem faça cocós (que bom). Acima de tudo vamos pensar que na terça-feira já andámos a pão com nutella o dia todo por causa de não nos terem entregue as compras, ou seja já sabemos como racionar mantimentos. E as miúdas adoraram.

E bem, é isto, folks. O não dormir à noite, de repente, tem outra relevância, embora isso não pareça, quando acordo de 2 em 2 horas. Além disso, o fim-de-semana que ia ser com amigos dos vários pontos do país, acabou de mais ou menos acabar (e mais ou menos porque ainda nem acredito que isto está assim).

O Luís entretanto chegou, com garrafões de chá, já que já não há água nos supermercados e eu já pensei que se isto der para o torto, pomos braçadeiras às miúdas e o ovo do miúdo em cima de uma prancha de bodyboard reles e siga. Espero virar Kate, e não Jack. Até porque a água aqui é quente. Gelados não morríamos.

Brincadeirinha, vai correr bem. Só ainda não sabemos como. E agora vou continuar a ver voos para outras partes do país, já que já alugámos um carro, pelo sim pelo não e o dono do nosso airbnb já nos deu os códigos caso queiramos ir mais para dentro e não estarmos tão na praia. Haja malta simpática. (Para já não falar da minha querida amiga de Miami que veio até aqui para me trazer cheerios, enlatados, água de luxo que faz bem por fora por dentro e, com certeza, mal à carteira, e mais mil coisas).

Tudo o resto, bem, isso logo se vê. Ficam as fotografias do bom que tem sido até agora. (Porque o mau mau é não vermos os nossos amigos).

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Férias.

This is what i call “the terror of any flight”.

Sim, deviam ver o ar com que todos os passageiros nos olham quando entramos (normalmente atrasados, com cadeiras de carro numa mão, crianças em modo prancha de surf na outra, mochilas às costas, mais crianças às costas. E à frente. E carrinhos.

Depois de um dia em que acordaram às 6 da manhã, e não foram à escola o dia inteiro “the terror of this mother”, e uma me aparece com cocó na mão, em modo “toma lá para acordares bem”, e em que temos de cancelar não sei quantos uber, porque não cabemos todos e as bagagens metade das vezes, e em que compramos voos low-cost e andamos a ver se escapamos em pagar bagagem (claro!), entramos no avião. Com hambúrgueres atrás. E pacotinhos de fruta. De gomas. Com queijos e biberões de leite, na tentativa de os comprarmos se for preciso. Mesmo assim, umas choram, outras correm pelo corredor, 2 caem da cadeira e batem com a cabeça, o mais pequeno, esse vomita só em cima de mim. Assim meio requeijão, estão a ver? Portanto, tudo isto já era mau de mais, e agora é péssimo, mas com cheiro a azedo.

E depois de histórias dos 3 porquinhos, do coelho não sei o quê, de músicas em pelo menos 4 línguas, sempre com danças, para ver se se distraem, e com várias ameaças de umas palmadinhas (que não se concretizam, não vamos nós ser reportados por maus-tratos neste país e estragar as nossas férias), chegamos. Quase à meia-noite. Em que, a 5 minutos da aterragem, uma adormece (claro, porque até lá, foi tudo acordado, a roubarem chupetas umas às outras, em modo “vou irritar a minha irmã”).

Que comecem as férias. Mesmo que haja uma ameaça de tempestade tropical (you gotta be kidding me) e que o walmart tenha cancelado as nossas encomendas duas vezes, e portanto estamos em racionamento de comida e de fraldas.

Ah, começando assim, só pode melhorar.69265371_10156547390914352_7802293707956289536_o


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Last day of school.

Pois que é o último dia de escola das miúdas. Antes de fechar. Lá fizemos umas bolachas e there they go. Vestidas à anos qualquer coisa que não 2019, claramente. Mas adiante.

O maior problema de elas irem mudar de escola assim de repente é a instabilidade. Que leva, obviamente, às crianças estarem mais emocionais, e portanto, estarem a chorar minuto sim, minuto não. O que leva, obviamente, ao meu desespero. E esse desespero aliado à minha falta de paciência, enfim, não preciso de explicar onde leva, claro. Mas decidimos, os adultos da casa, tentar respirar mais fundo mais vezes, a ver se melhorava.

Depois de ir fazer uma sessão fotográfica ontem (algo que adoro porque calha sempre à hora de jantar delas, sorry hun). Esperem, sessão fotográfica essa que foi num parque sem ninguém, coisa óptima. Mas porque é que estava sem ninguém? Porque há 4 dias andou por lá a passear um senhor com as suas armas. O Luís gosta de me dizer que ele não estava a disparar, mas digamos que acho estranho que alguém vá só passear armas, mas sei lá, há quem vá passear os cães, porque não as armas? Mas tudo bem, diz-se que foi preso. Siga, então, depois de fazer uma sessão fotográfica chego a casa com mais paciência (já o Luís espumava, mas temos que ser “uns para os outros”).

Dou de mamar ao mais pequeno e as mais velhas estão no quarto ao lado (a mais nova já foi recambiada para o quarto de baixo, porque só chorava e a malta teve que fazer um tratamento de choque, ou quem chocava éramos nós. Está bem melhor).

A certa altura, a mais velha começa aos berros. Respiro fundo, once again. Acorda-me o mais novo (aqui tenho que respirar 7 vezes, ou entro em apneia). Vou ao quarto dela, cheia de paciência, e pergunto o que se passa. Quer histórias. O pai já contou história, mas eu posso cantar (bonito, não é?). Lá canto “as rodas do autocarro”, o “twinkle twinkle little star” e o “abc”. Depois acabou. Começa meio a chorar outra vez. “O que se passa” pergunto na melhor voz que sei fazer e a dar um abraço (malta, a minha paciência é tãooooo pequena normalmente, deviam fazer um case study sobre isto), mas ok. Ela diz que quer um penso. Querem sempre pensos. Ok, fui buscar um penso. Com um sorriso, e digo que é o último e blabla.

Saio para ir ao mais novo que está a chorar, again. E a mais velha volta à carga, como se alguém a estivesse a esganar. Volto lá e pergunto o que se passa, sem me passar, mas claramente já a passar o meu limite. Ela diz, com voz a tremer: “não sei do meu dói-dói”. Fecho os olhos, tento não me rir e digo, mas se calhar já passou. E começa a do lado a dizer o mesmo, e a chorar também. AHHHHHH.

Mas de repente a segunda acha que tem que ir à casa de banho. Eu até me queria passar e dizer que acabou, mas passa a vida a fazer-me xixi no chão, não posso reprimir estes “bons comportamentos a nível de xixis”. Ok, vai lá, tira o pijama, senta-se (tudo à velocidade abaixo de lesma), faz o que tem a fazer, e eu agarro nela e digo: “agora cama”. Só que não, quer lavar as mãos. (Fazer o quê? Como se diz em Moçambique). Passo por água e volto a dizer que agora é cama. “Soap”, diz ela. Ainda por cima em inglês. É muito à frente. Ranjo os dentes. Dou-lhe a porcaria do sabonete, mando para a cama e ela diz que tem que limpar à toalha. Imaginam como já estava a espumar. Finalmente na cama, e começa a outra com ar de quem quer chorar outra vez. Mas a reprimir. Dou-lhe um abraço e digo: “estás triste?” (já que na escola disseram que ela andava um bocado mais sensível). Ela acena com a cabeça. Penso: “coitadinha, é da escola, estou a ser péssima sem paciência”, e digo: “oh querida, mas podes dizer à mãe, o que se passa”. E ela diz em surdina: “não sei do dói-dói”.

E pronto, parti-me a rir. Ela lá acabou por se rir também. E eu fui jantar (sem não antes informar que se mais alguém se levantasse da cama, apanhava uma palmada. É que a paciência tem limites).


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Tarzans em vestidos pipocas.

Entonces, podia vir aqui falar de como o meu último filho me leva à insanidade mental pela simples razão de que não dorme, nem deixa os outros (aka eu), dormir. Ou de como durante o dia também não me deixa fazer mais nada (o que é um problema, porque as contas ainda não se pagam sozinhas). De como quer andar sempre ao colo, de como chora porque sim, porque não e porque mais ou menos e de como tem cólicas. Enfim, é um homem, portanto. Refila, refila, refila e refila ainda mais um bocado.

Mas adiante, não é sobre isso que venho aqui falar.

Então que decidi começar a fazer mais sessões fotográficas e tenho nas minhas crianças uns belos modelos (eu gosto de achar que sim). Para mostrar algum trabalho, decidi pô-las pipocas, vestidas com uns vestidinhos de quem vai para um casamento (sendo que depois iam, uma descalça, uma com allstars e outra com havaianas, mas isso não importa nada) e ir para o meio do campo. Que boa ideia, não é?

(Claro que não é).

É que me esqueci que tenho crianças que só fazem asneiras. E se riem disso mesmo. Esqueci-me que tudo o que não puderem fazer é mesmo o que lhes vai apetecer. Esqueci-me que tenho crianças que fogem e que nós somos só dois e eles são 4 (sendo que um deles ia andar ao colo, portanto daria 3 para um adulto). Esqueci-me que rochas com água e potencial para mergulhar onde não se deve pode ser perigoso. Mas pronto, rapidamente me lembrei.

Começou por terem levado uma bicicleta quando ainda não são propriamente ases do volante (ou do guiador) e acabou com todas enfiadas numas poças de água verde, porque escorregaram. Vestidas. Calçadas. E com tudo o que se possa imaginar. E nós dois? Nós dois respirámos fundo, encolhemos os ombros, rimo-nos e estamos a rezar para que aquele verde da água sejam algas saudáveis que substituem os espinafres e não umas doenças quaisquer. É que, para ser honesta, não dava jeito nenhum.

Nos entretantos, tirei as fotografias possíveis. Com vestidos de casamento. Encharcados. Foi tudo o que foi possível.

Não será com isto que vou vender mais sessões a ninguém. Claramente. Mas será com isto que vou pedir um desconto a um hotel qualquer a ver se me deixa lá ir passar uma noite. É que eles são uns amores, mas já não os aguento. Mas com amor, claro. Sempre com amor.untitled-5850untitled-5863untitled-5867untitled-5872untitled-5875untitled-5889untitled-5890untitled-5894untitled-5903untitled-5906untitled-5916untitled-5924untitled-5927untitled-5933untitled-5941untitled-5946untitled-5963untitled-5965untitled-5971untitled-5972untitled-5977untitled-5978untitled-5987untitled-5991


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Livin’ on the edge.

Pois que na hora de deitar o senhor meu marido (e atenção que continua a fazer-me confusão o termo “marido”. Mas agora também me faz confusão o termo “namorado”. Ou seja, está tudo tramado, mas adiante). Ora então o senhor meu marido diz: “sabes que está provado que olhar para o telemóvel antes de dormir faz com que não se durma bem?”. 

Humm, como explicar? Olhei para ele, ri-me um bocado. Revirei os olhos outro bocado. Cerrei os dentes outro bocado (isto tudo em 10 segundos, provavelmente) e disse-lhe que o meu problema de “dormida” (ou falta dela), se chama “crianças” e não telemóvel. Isto depois de um destes dias me dizer que já que à noite tenho que estar acordada a dar de mamar e já que estou com o telemóvel na mão, podia aproveitar e fazer um curso on-line. 

Enfim. A sorte dele é que tem graça a dizer tudo isto, senão andava a arriscar a pele. 

Ficam as crianças nos seus fatos-de-banho muito giros, e a condizer, que uma amiga muito querida mandou de surpresa depois de ver o meu “desgosto” (pseudo-desgosto, claro), por nesta terra não se fazer matchy matchy de meninos e meninas. Ou quando se faz, deixa-se um rim e três joelhos. E eu, pirosa até posso ser, mas sou “mão-de-vaca”, como dizem os brasileiros. E neste caso, mão e o corpo todo, tendo em conta que passo a vida a dar de mamar. 

E porque é que ficam estas fotografias? Para me ir lembrando do lado bom. Que há. Às vezes.

(Fotografias tiradas com telemóvel e com uma mangueira na mão).