Algures no mundo


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Cabeleireiros para quê?

Ora bem, podia vir aqui falar de como a máquina de lavar loiça deixou de funcionar, e de como isso é maravilhoso (ler com tom irónico), porque se já tinha pouco para fazer, agora é que vai ser. Mas não, venho só falar do que acontece quando euzinha sai de casa e deixa as minhas crianças com o meu querido marido. Que por sinal é pai delas.
Ora bem, vou fazer uma sessão fotográfica e no caminho recebo uma mensagem a dizer que a mais nova está com um novo corte de cabelo.
“Ahhhh, saiu há 30 minutos e este maridão já teve tempo de ir ao cabeleireiro e tudo” pensam vocês.
Só que não. Aparentemente um cabeleireiro abriu na nossa casa, ou, para dizer a verdade, na casinha de brincar dos miúdos, e depois da quarentena, nada como cortar o cabelo, deve ter pensado a mais velha, enquanto me dizia mais tarde: “era para não ir para os olhos” ou “assim fica igual ao pai” ou “mas foi ela que pediu”. Enfim, uma série de razões, todas elas válidas.
Mas vamos lá ver, é que ela não lhe cortou um bocado o cabelo. Ela cortou o cabelo por inteiro. Se fosse o meu querido Gabriel teria demorado pelo menos uma hora a fazer tal serviço. E foi aí que me lembrei de perguntar ao querido pai das crianças: “só por curiosidade, onde é que estavas quando isto aconteceu? Não viste que tinham uma tesoura?”
“Vi”. Pronto, e é aqui que fico extremamente curiosa com o resto da história.
“Então e deixaste estarem com a tesoura?”
“É que foi num instante” (amigooooo, não foi num instante, o cabelo está TODO cortado)
“Ok, não foi bem num instante, mas estavam a portar-se tão bem que fui dar banho à do meio”.
E é aqui que me questiono se isto é do meu querido marido ou dos homens em geral (sem ofensa, malta), mas: mas o que é que passa pela cabeça de alguém para se deixar uma criança de 2 anos e uma de 4 com uma tesoura nas mãos e se vai embora?
Ar! Ar é tudo o que deve ter passado por lá (normalmente passa muito mais, entenda-se, mas naquele instante, depois de dois dias intensos, ou quiçá 2 meses, a coisa evaporou por um bocado).
(Mas a bem da verdade, tendo em conta que manteve os olhos e só cortou o cabelo, ainda nos rimos).
E é isto. Adieu. Agora vou lavar a loiça. (Fotografias com telemóvel terrível).


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Manhãs.

Quero aqui deixar um heads up para o caso de acharem que tiveram uma má manhã. Ora bem, pois que estas crianças inventaram que agora gostavam de ir para dentro da máquina de lavar roupa. Aquilo bem que lava 12 kgs, pelo menos, e se calhar não era má ideia pô-las lá no programa mais longo, mas digamos que ia ficar sem máquina e portanto isso, infelizmente, está fora de questão. Mas embora isto me irrite, o que me chateou mesmo foi duas delas terem decido espalhar mais ou menos um kg de farinha pelo chão da minha cozinha (chão e arredores). Isto depois de terem andado a brincar com gelo, o que, no fim, além de dar merda, deu uma bela papa no chão (e arredores, lá está). A mais velha entretanto passeava-se com 4 (sim, quatro) fatos de banho vestidos e ia dizendo que não tinha sido ela (coisa que eu sabia, dado que lhe estava a contar uma história quando tudo isto aconteceu).
Ora bem, lá comecei a limpar (com a ajuda delas que na verdade é só para fingir um castigo, porque castigo é para mim que ainda espalham mais), viro as costas, e uma faz xixi. Ah, maravilha. Mas ok, não foi bem em cima da farinha e consigo limpar rápido. Quando volto ao lugar do crime, estão em cima do armário/prateleiras. Uma com a mão dentro do açucareiro enquanto dizia que estava a ir buscar uma noz e a outra conseguiu atirar uma caixa cheia de “coisinhas” para o chão. Porque como o chão já tinha pouca coisa, achou que ficava bonito, com certeza.
Lá trepo paredes mais uma vez, mando tudo para o quarto dos brinquedos enquanto tento que o chão fique semi decente (sim, já nem peço decente) e lá vem alguém dizer: mãããeeee, estão a tirar os vestidos todos. Chego ao quarto e estamos na feira, só pode. Roupa espalhada por todo o lado e elas a fazerem do varão do armário, varão de ginástica. Já por si seria mau, pior ainda é que aquilo já uma vez me caiu em cima. Quando estava quase na fúria número 34 (ou talvez 340) do dia, uma vai a correr para a casa de banho para voltar 3 minutos depois toda molhada e dizer que não chegou a tempo de fazer xixi na retrete. Vou a correr buscar o balde e esfregona e quando chego, xarannnn, está o mais novo a nadar no oceano que se pôs naquela casa de banho. Respiro fundo, chamo o Luís que desce no meio de uma chamada e rapidamente lhe digo para voltar para cima que eu trato. Ponho o Vasco na banheira mas não vou conseguir dar-lhe banho (não que ele não tivesse acabado de tomar um, mas…) se não limpar o chão primeiro, portanto começo a limpar e escorrega ele. Duas vezes. Rezo aos santinhos por me ajudarem e fazerem com que tenha caído em cima dos 300 brinquedos mais fofinhos que há naquela banheira, acabo o que estou a fazer, tiro a fralda para dar o banho e, ups, está cheio de cocó. E claro que as 10 mil toalhitas que encontro a cada passo que dou nesta casa, naquele momento, desapareceram. Lá encontro, dou-lhe um banho rápido, e quando finalmente o pouso no chão, oiço lá em cima: mãããeeee, fiz cocó. Aiiii, que me deu ali mesmo uma taquicardia. Mas antes que tivesse mesmo um avc com outra asneira qualquer, subi rapidamente, limpei tudo, enquanto elas agarravam na pasta de dentes e espalhavam pelo chão e, enfim, resolveu-se.
Volto para a cozinha, para terminar a minha broa de milho que já tinha repousado pelo menos o triplo do que dizia a receita (haja alguma coisa que repouse nesta casa, porque eu não sou, claramente) e depois de 15 minutos de silêncio, vou ver o que se passa: está o mais novo aos berros debaixo de uma cama de gavetão, com o gavetão quase todo fechado. Estamos a esconder o mano, disseram-me.
Fechei os olhos, contei até dez e atirei me da janela. Pena que era o rés-do-chão. E tive que voltar para o caos. Welcome to my life malta. Eu quando me inscrevi para isto de ter muita criançada não me falaram que havia potenciais vírus que faziam com que tivesse que passar 24 horas com crianças. Durante, até agora, 2 meses. Vou já quebrar o contrato. I’m done.
(Ficam umas fotografias tiradas com o meu telemóvel terrível, para verem esta vida real).96774330_10157293584994352_3162426901566324736_o97556333_10157293584949352_8703087751681015808_o97989244_10157293585019352_1029241135270199296_o


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Palmetto Park.

Gostava de dizer que estou a escrever hoje de luvas de nutrição nas mãos e máscara na cara (mas não máscaras do Covid), mas daquelas chiques que fazem a pessoa ficar linda (e se estivesse a contar isto ao meu pai, ele diria logo a rir: então porque é que não ficas?) e pronto, é isso. Qualquer um dos produtos já passou de prazo há 2 anos, mas estou com fé que vai resultar.

Mas não era sobre isto que vinha aqui falar.

Pois que no outro dia o Luís solta um (e ler com ar entusiasmado, como ele faz sempre): “malta, hoje vamos ter uma pool party” (pool aka piscina mínima de plástico, mas who cares?), ao que uma das minhas filhas responde: “poop party? Pai, bierk”, e foi aí que eu percebi que provavelmente é o que elas acham sempre, que vivemos numa poop party, só pode. E só entra quem faz merda a torto e a direito (coisa que depois passam da verdadeira merda para a merda em teoria e pronto, está tudo tramado). No caso delas, entrariam todas a correr, modo VIP.

Mas também não era sobre isso que vinha aqui falar.

Ora, queria dizer que temos um rato algures na nossa garagem. Ou um ou vários, mas isso não sabemos (eu vou sempre pensar que é um). Pois que o Luís montou uma ratoeira. Com queijo. No dia seguinte a ratoeira estava. O queijo não. Nem o rato. Um problema de montagem de ratoeira, com certeza. Pois que no dia seguinte volta a pôr a ratoeira, o queijo, mas desta vez, da forma certa. Só que, ups, nada. Nem rato, nem queijo. Furioso, vai comprar umas ratoeiras 100% eficazes, so they say. Mas não poe com queijo, poe com nutella, que dizem que é melhor. Pois que essa ratoeira disparou, mas rato? Nem vê-lo (sim, sinto que depois do filme, o Ratatui escolheu Austin para sua casa). E estamos neste ponto. Um marido a endoidecer, que acha que um mero rato não se pode rir dele. Vamos pôr umas câmaras, para ver o que se passa à noite e já consigo imaginar o rato a posar para a câmara, a rir-se, e com o dedo do meio esticado. Oh, que belas aventuras.

Quanto à quarentena, essa está impecável. Fiz bolas de Berlim, para fingir que ia para a praia (na minha mega pool party), continuo a ter filhos loucos (sendo que agora o mais novo aprendeu a fazer-se ouvir, o que se percebe, já que deve ter ficado farto e então se agora não se faz o que o reizinho quer, começa aos berros. – Ah, já tinha saudades. Só que não!), e continuo a desejar ardentemente (como diria uma música de igreja) que a escola comece.

And that’s all folks. Ficam as fotografias de dias em que o meu querido marido põe férias e vamos passear para onde não há (quase) gente. Valha-nos isso, ou eu já tinha virado louca. Mais ainda.untitled-2-10untitled-2-2untitled-2-3untitled-2-4untitled-2-5untitled-2-6untitled-2-7untitled-2-8untitled-2-9untitled-2-11untitled-2-12untitled-2-13untitled-2-14untitled-2-15untitled-2-16untitled-2-17untitled-2-18untitled-2-19untitled-2-20untitled-2-21untitled-2-22untitled-2-23untitled-2-24untitled-2-25untitled-2-26untitled-2-27untitled-2-28untitled-2-29untitled-2-30untitled-2-31untitled-2-32untitled-2-33untitled-2-34untitled-2-35untitled-2-36untitled-2-37untitled-2-38untitled-2-39untitled-2-40untitled-2-41untitled-2-42untitled-2-43untitled-2-44untitled-2-45untitled-2-46untitled-2-47untitled-2-48untitled-2-49untitled-2-50untitled-2-51untitled-2-52untitled-2-53untitled-2-54untitled-2-55untitled-2-56untitled-2-57untitled-2-58untitled-2-59untitled-2-60untitled-2-61untitled-2-62untitled-2-63untitled-2-64untitled-2-65untitled-2-66untitled-2-67untitled-2-68untitled-2-69untitled-2-70untitled-2-71untitled-2-72untitled-2-73untitled-2-74untitled-2-75untitled-2


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Dia no parque.

Então dizem que é bom os miúdos ficarem aborrecidos, que isso estimula a criatividade. Pois que eu concordo. Concordo que estimule, não que a parte do aborrecimento seja boa para a criatividade destes seres queridos que por aqui andam por casa. É que eles fazem da criatividade querida e engraçada de uma criança, um pequeno nada, como diria o Sérgio Godinho. Principalmente a minha mais nova que terá nascido com algum fusível estragado, ou só desligado, espero eu.

Ora bem, acabei de a apanhar há bocado a esfaquear uma laranja, mas não com uma faca. Com uma chave de fendas. A esburacar, portanto. Assim como o Dexter. Quando vi, a laranja devia ter uns belos 20 buracos, e nenhum na mão dela, o que até é extraordinário. Ontem, por outro lado, olhei para ela e achei que se tinham andado a pintar, já que tinha a cara toda encarnada. Perguntei-lhe se alguém a tinha pintado, e disse-me que sim, com o maior sorriso: a Kika, ao que o Luís responde: aquilo não é tinta, é sangue, já mordeu não sei o quê três vezes e está com a boca toda aberta, mas nem se queixa. E malta, aquilo era muito sangue mesmo. Mas não é só isso. Ou só esse tipo de asneiras. Vamos lá ver, nos últimos dias consegui apanhá-la a esmigalhar uma banana que ela já não queria e a espalhá-la, com imenso cuidado, entenda-se, em vários buraquinhos que encontrava. Também encontrou os headphones do Luís e andou a espalhar as várias peças pelos vários sacos com os quais elas adoram brincar e fingir que vão ao supermercado ou ao avião (isto mostra bem o que elas acham da nossa vida, ou vamos comprar comida, ou vamos viajar). O Luís não achou muita graça. Nem os phones. Ups. Ela pensa que tem pelo menos 18 anos e que se quer uma bolacha, devia ter uma bolacha. E se ninguém lha dá, ela sente que pode ir buscar. Banco, cadeira, you name it, sobe, trepa e chega a segunda prateleira de um armário, como quem se chama Tarzan, e pimba, quase que tira as bolachas (que só não acontece porque a mandamos sair de lá). Há 3 dias decidiu tirar todos os vestidos do armário e pô-los no chão (malta, e nós temos muitos vestidos) e, não contente com isso, enfiou-se numa prateleira com uma abertura mínima e que fica a um metro e meio do chão, a fingir que estava a dormir e era um bebé, enquanto outra delas ficava no chão a fingir que a estava a embalar.

Este género, percebem? Não regula bem. E não é como se todos os outros se portassem exemplarmente. Adoram fazer do mais novo um cão: doggie, como lhe chamam carinhosamente. Adoram pô-lo em cima do sofá e depois ir-se embora porque se esqueceram de qualquer coisa noutro lado qualquer, e lá fica ele, sozinho, à espera de mergulhar de cabeça (não fossemos nós ter pelo menos 10 olhos e até agora a coisa ter corrido bem). Adoram tirar os talheres e tupperwares todos que temos e levar lá para fora, só para brincar a qualquer coisa que passados 10 minutos já não sabem bem o quê e lá ando eu a apanhar tudo o que fica desarrumado (claro que vamos mandando apanhar também, mas isto na teoria é muito bonito – elas até mandam logo a Alexa cantar o “clean up”, – mas infelizmente não dura imenso. Nem a música, nem a boa vontade). E podia continuar a explicar o que acontece nesta casa, mas mais vale verem as fotografias de quando decidiram abrir os parques naturais e nós vamos ao bbq mais famoso de Austin buscar take away (já que sem ser na quarentena é completamente impossível, porque tem fila às 7 da manhã e a carne esgota) e nos vamos lambuzar para num piquenique para o rio. Não podia ser tudo mau, não é não? (E já que estou uma bola, oh mêsamigos, olha, vale tudo).untitled-2-23untitled-2-2untitled-2-3untitled-2-4untitled-2-5untitled-2-6untitled-2-7untitled-2-8untitled-2-9untitled-2-10untitled-2-11untitled-2-12untitled-2-13untitled-2-14untitled-2-15untitled-2-16untitled-2-17untitled-2-18untitled-2-19untitled-2-20untitled-2-21untitled-2-22untitled-2-24untitled-2-25untitled-2-26untitled-2-27untitled-2-28untitled-2-29untitled-2-30untitled-2-31untitled-2-32untitled-2-33untitled-2-34untitled-2-35untitled-2-36untitled-2-37untitled-2-38untitled-2-39untitled-2-40untitled-2-41untitled-2-42untitled-2-43untitled-2-44untitled-2-45untitled-2-46untitled-2-47untitled-2-48untitled-2-49untitled-2-50untitled-2-51untitled-2-52untitled-2-53untitled-2-54untitled-2-55untitled-2-56untitled-2-57untitled-2-58untitled-2-59untitled-2-60untitled-2-61untitled-2-62untitled-2-63untitled-2-64untitled-2-65untitled-2-66untitled-2-67untitled-2-68untitled-2-69untitled-2-70untitled-2-71untitled-2-72untitled-2-73untitled-2-74untitled-2-75untitled-2-76untitled-2-77untitled-2-78untitled-2-79untitled-2-80untitled-2-81untitled-2-82untitled-2-83untitled-2-84untitled-2-85untitled-2-86untitled-2-87untitled-2-88untitled-2


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Já nem sei a quantas ando.

É o que seguinte, estou fartinha. Bem sei que toda a gente estará. E sei ainda melhor que ter um jardim (e eu não estar a trabalhar, nem termos nenhum filho com mais de 6 anos) faz com que a coisa seja bem mais fácil do que para muita gente. Mas pronto, estou fartinha.

É que é assim, estas 4 crianças são como 10. Ou pelo menos 2 delas são como 8. E eu sou só uma. Com dois olhos (sendo que desde que parti os óculos, nem considero bem que tenha dois. Talvez um e meio). Eles fogem e escondem-se. Às vezes em sítios fáceis, às vezes dentro de armários das panelas, onde eu não imaginava que pudessem estar, e estou séculos a chamar feita parva. E podia só descansar enquanto não os vejo, mas todos sabemos que isso podia correr muito mal. Eles tiram tudo do lugar. Desmancham camas porque querem fazer “uma praia no berço do mano, mãe”, e portanto, está de atirar tudo lá para dentro. Vão buscar água à casa de banho e enchem cubinhos de cartão. Sim, cartão. Na sala. Estragam tudo, dizendo assim por alto. Eles agarram nas toalhitas e tiram uma a uma, como se um nenuco fosse ter feito aquele cocó todo e tivesse que ficar extraordinariamente limpo. Deve ser para compensar o que não se limpam elas próprias. Só pode.

Elas (sim, vamos dizer elas, que coitado do mais novo, que anda ali como se não fosse nada com ele) sobem a tudo, trepam como pequenos macacos e nada está a salvo. “Ah, ponho em cima do frigorífico para não chegarem”. Indiferente. Um banco, que depois dá para trepar para um balcão, que depois sei lá como, acabam com o que eu escondi, na mão. Aliás, ainda há bocado apanhei a que acabou de fazer 2 anos com um frasco de natas na boca, que achava que era iogurte. Abriu o frigorifico, em cima de um banco, tirou o franco, tirou a tampa e pimba, está de beber. Subnutrida não fica.

E as birras? As birras não páram nunca, porque se não é a 1 é a 2, se não é a 2 é a 3 e por aí além. E depois? Depois quando começa um, normalmente há duas reacções: ou vão atrás da birra e de repente estão todos em mega berreiro; ou implicam com a que está a fazer birra, que fica ainda mais irritada, e se revolta, e há estalos e sei lá mais o quê, e acabam todos a chorar. Portanto, de uma forma ou de outra, há berros. Sendo que entre isso e a música do Frozen, da Moana, dos Caricas ou de qualquer um desses, venha o diabo e escolha.

Assim sendo, o meu escape acaba por ser: “tudo lá para fora”, e trancar a porta. Sim, sou péssima, mas resulta muito bem. Pelo menos do ponto de vista sonoro.

E como eles aqui nos Estados Unidos são meio (para não dizer totalmente) focados na aprendizagem e em que a pessoa tem que tirar um diploma ainda antes de sair da barriga da mãe, eu ensino a contar às 6 da manhã, quando a única coisa que consigo fazer a essa hora é por as mãos para cima e perguntar: 4 nesta mão mais 5 nesta, dá quantos? (E até agora tem aprendido), e os ABC, bem, vão aprendendo nas histórias, e nos desenhos na cerca com giz. Para além disso, aprendem soft skills (que é a bela da maneira de dizer que aprendem a safarem-se e é o que há). Temos também aulas de culinária, aulas de limpeza (infelizmente menos do que eu gostava. Bem, da limpeza, não de ter que a fazer, que isso está muito bem assim), aulas de música, de dança, de ciência (com os caracóis e lagartos que vão apanhando, coitados dos bichos), e é isso. Neste momento, é o que dá. E do que consigo prever o futuro, não me parece que vá melhorar. Assim como não me parece que consiga manter as minhas crianças vestidas durante um dia todo. Vicissitudes da vida.

Ficam as fotografias da Páscoa, que normalmente não ando aqui de máquina, não vá ter que saltar para salvar alguém de morrer de alguma coisa que nem sei qual, mas que, tendo em conta o que tenho em casa, seria bem possível.

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Quarentena – dia 40.

Bem, isto acaba sempre assim (com crianças semi-nuas). Na verdade, qualquer uma das miúdas. E se acham que é bom porque assim faço menos máquinas, nada disso. Passo a vida a vesti-las. Mas ou se molham, ou se sujam, ou estão com comichão, ou há qualquer coisa que eu nem sei bem, mas que faz com que a roupa acabe no chão. De terra. E elas nestas figuras.

Nesta quarentena, o meu pequeno jardim tem sido uma praia de nudistas (sem a praia, o que é uma pena).

No outro dia vi alguém a dizer que isto era como se fosse sempre fim-de-semana. I wish minha gente (e nunca achei que fosse dizer isto, porque o meu dia preferido era claramente a segunda-feira, as minhas crianças que me perdoem). É que ao fim-de-semana há também o pai. Durante a semana ele está a trabalhar o dia todo e eu, olha, eu estou a atirar-me da varanda. Ou antes estivesse, que normalmente estou a limpar cocós (juro que estas minhas filhas, além de arraçadas de macacos, são arraçadas de cães, só pode ser). Ou a limpar xixis. Também me podem ver a tentar garantir que o meu filho mais novo não parte os dentes que tem, porque elas agarram nele e o põe em cima do sofá, ou dentro do berço, ou dentro de uma caixa e depois em cima da cama (ah, que belas ideias que elas têm). Ou que não se afoga, que no outro dia virei a cabeça e quando olhei estava a mais nova a atirar-lhe um jacto de água com a mangueira, enquanto ele andava de baloiço. Também gosto de garantir que ele não se engasga, porque elas gostam de lhe dar tudo o que comem, e sim, no outro dia apanhei-o a comer amendoins (e daí eu também não querer que parta os dentes, é que são úteis a mastigar o amendoim). Na verdade, outra coisa muito importante é ter a certeza de que acabam o dia vivas, elas. É que trepam por todo o lado, agarram-se às barras e largam as mãos. Escorregam do baloiço e baloiçam no escorrega. Além disso, também estou fortíssima a tentar aspirar uma casa onde o chão na rua é de terra, e elas entram e saem como se fosse totalmente irrelevante o facto de trazerem a terra toda para dentro de casa. Ou a encontrar caracóis nas paredes de minha casa, porque elas gostam de estudar ciências e ver o que se passa, e lá acabam os caracóis dentro de minha casa. E birras? Bem, estou a maior psicóloga de todos os tempos (mas com a minha paciência a definhar de dia para dia). Pois que hoje em dia há birras pelo menos 700 vezes por dia. Ora é porque quer a taça cor-de-rosa, ou porque quer mais um vídeo, quando eu disse que eram só 2. Ou porque quer 3 cajus, quando eu disse que podia ser 1, ou porque quer estar lá fora, quando está lá dentro, ou o contrário. O importante é ser do contra. Também estou a maior a saber de cor todas as histórias da Disney. A do necklace, como elas chamam à da Cinderela, ou a da Cruella, ou qualquer outra, you name it. Já as contei pelo menos 200 vezes e cada vez que conta, há umas 1500 perguntas, como se fosse a primeira vez. You smile and wave.

Mas no fundo, no fundo, acho que eles se divertem (ao menos isso). Hoje, por exemplo, pareceram divertidas, quando foram ao primeiro andar e começaram a atirar tudo o que encontravam pela janela. Edredão, livros, bonecos. Enfim, coisas, não é? Ah, mas o lado positivo mesmo é que dormem sestas de 2 horas. Todos, todos ao mesmo tempo, e todos os dias (e isto é verdadeiramente positivo).

Dormir à noite é que é mentira. Aliás, no outro dia aconteceu que o mais novo até estava a dormir bem e eu levanto-me. Começo pé ante pé, super devagar, para não o acordar, e de repente, já quase na porta, enfio o pé numa caixa qualquer que estava apoiada num lego, a caixa escorrega, eu também, bate num andarilho que rapidamente me leva para uma feira popular, tal a quantidade de cores que começou a fazer. Mas podia ser só isso, mas claro que não. Além das cores, começa a tocar uma música qualquer, altíssima. Ele acorda, eu piso mais 7 legos, digo 20 asneiras para dentro, dou um chuto noutra caixa, amaldiçoo o mundo e tudo o que vai para lá disso e penso que amanhã é outro dia.

Enfim, mas podia ser pior. Em 3 semanas saímos 2 dias. Podíamos não ter saído nenhum. (Bem, elas, que eu vou ao supermercado todas as semanas. Com um sorriso na cara, assim como quem vai ao Lux – e isto é só para soar super cool, porque, to be honest, gosto muito mais de ir ao supermercado do que de ir ao Lux).untitled-2-75untitled-2untitled-2-74untitled-2-80untitled-2-73untitled-2-79untitled-2-78untitled-2-77untitled-2-76untitled-2-72untitled-2-71untitled-2-70untitled-2-69untitled-2-68untitled-2-67untitled-2-66untitled-2-65untitled-2-64untitled-2-63untitled-2-62untitled-2-61untitled-2-60untitled-2-59untitled-2-58untitled-2-57untitled-2-56untitled-2-55untitled-2-54untitled-2-53untitled-2-52untitled-2-51untitled-2-50untitled-2-49untitled-2-48untitled-2-47untitled-2-46untitled-2-45untitled-2-44untitled-2-43untitled-2-42untitled-2-41untitled-2-40untitled-2-39untitled-2-38untitled-2-37untitled-2-36untitled-2-35untitled-2-34untitled-2-32untitled-2-31untitled-2-30untitled-2-29untitled-2-28untitled-2-6untitled-2-27untitled-2-26untitled-2-25untitled-2-24untitled-2-23untitled-2-22untitled-2-21untitled-2-20untitled-2-19untitled-2-18untitled-2-17untitled-2-16untitled-2-15untitled-2-14untitled-2-13untitled-2-12untitled-2-11untitled-2-10untitled-2-9untitled-2-8untitled-2-7untitled-2-5untitled-2-4untitled-2-3untitled-2-2untitled-2-33