Algures no mundo


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O que tu queres, sei eu. Morangos.

E há aqueles dias em que acordas e pensas: “bom bom era ir apanhar morangos com as crianças. Para um sítio a uma hora de casa. E voltar para almoçar”. Não sei se é mais parvo ir apanhar morangos quando havia só mais ou menos 7 morangos no campo inteiro (e que foram comidos todos durante a apanha, pela minha filha do meio), se é pensar que andar uma hora de carro para ir e voltar antes do almoço é uma boa ideia, se é achar que se vem a tempo de almoçar. Mas anyways, claro que nós fomos.

E foi muito divertido, ainda que morangos, nem vê-los. Mas havia póneis (bem tratados, para não levar já com os defensores dos animais), e elas gostaram. Bem, umas gostaram mais do que outras, já que na altura de saltar para cima do animal, enfim, talvez fosse melhor comer os morangos não existentes. Depois havia cabras e um alpaca (que a minha filha mais velha achava que era um camelo), galinhas e outros animais. Ando claramente a criar meninas de cidade, porque nunca vi tantos berros por causa de querer os animais, mas ao menos tempo, não querer (claro, há sempre coerência nestas crianças).  E por não querer entenda-se ter medo e ouvir um: mummy, inhaaaaaaa (aka, mãe, galinha), enquanto trepavam pelas minhas pernas (o que não deixa de ser interessante, dado eu já estar num estado tal de gigantismo que só o pensamento de por mais crianças em cima, me faz doer as costas. Mas noblesse oblige e lá pego em 2 ou 3 com sorrisos).

Depois havia insufláveis e cachorros quentes (depois de sopa fria, que, coitadas, acabam sempre a ter que gramar com sopa, que ando sempre com ela atrás). Um dia divertido.

Mas bom bom foi chegar ao fim do dia e ter o meu querido marido a marcar-me uma noite num hotel para ver se eu descansava e a criança não saltava já cá de dentro (sim, que a avaliar pelas espécies que tenho cá fora, esta virá já a fazer o pino). E fui. Não foi fácil encontrar porque eu queria um pequeno-almoço decente e não pães enrolados em papel Eurest e não queria pagar 3 rins, mas lá se arranjou.

Enquanto isto,  e na manhã seguinte, o Luís decidiu ir passar com as 3 de bicicleta. Foi bom, pelo menos para mim. E para elas. Para ele, enfim, depende da perspectiva. É que a meio do caminho, o pneu furou. Então ele parava a cada 5 minutos para encher (sim, andamos com uma bomba atrás). A certa altura, já não havia volta a dar, e ele corta a câmara de ar. A do meio começa a fazer uma birra gigante (que durou o caminho todo). O Luís dá-se conta que o saco com fraldas e roupa e tudo mais, ficou em algum sítio que não o que devia. Volta para trás, com um atrelado, uma cadeirinha, 3 crianças, uma bicicleta e menos uma câmara de ar, ou seja, quase sem pneu. Lá encontrou o saco, e lá voltou. Ah, as coisas boas que acontecem. In the meantime, eu fui fazer uma massagem. Cada um tem o que merece.

E quando perguntam como aguento? Uma massagem faz milagres, gente. Mesmo que neste caso, eu sinta que precise de pelo menos mais 200 para compensar o meu estado.

Siga segunda-feira.untitled-2223untitled-2226untitled-2231untitled-2240untitled-2247untitled-2249untitled-2253untitled-2255untitled-2260untitled-2265untitled-2266untitled-2270untitled-2278untitled-2281untitled-2282untitled-2287untitled-2288untitled-2294untitled-2297untitled-2300untitled-2301untitled-2303untitled-2306untitled-2319untitled-2329untitled-2350untitled-2352untitled-2362untitled-2371


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Fim-de-semana vs Semana. Tough one.

Às segundas-feiras é sempre a mesma lenga-lenga de várias pessoas: “ah e tal, é segunda-feira”, com um ar de que o mundo vai terminar. Ora pois, só me apetece pedir que me deem o fim-de-semana delas, ou que eu lhes dê as crianças. Either way, pelo menos por um bocadinho, porque depois lá viria a saudade e tal (ah, gente sentimental). Anyways, e com isto não quero dizer que o meu fim-de-semana foi mau. Aliás, foi óptimo. Na essência, pelo menos. Jogámos futebol (bem, eu teria sido a bola, mas houve quem jogasse), fomos ao parque, caça aos ovos, churrascada, cachorros-quentes, gelado/bolo de oreo, pão de alho e coisas que tais (sim, pela minha forma de contar o que fizemos, notam porque estou bola, presumo). Apanhámos sol, ouvimos música, as miúdas andaram a brincar na água, nos triciclos e com mais mil coisas. Montámos a piscina (é inacreditável como há 5 anos andávamos a trepar montes na Tailândia e agora virámos jardineiros de meia-tijela e gente da manutenção da piscina, aka, por uma bomba e ver jacarés de plástico a formarem-se, enquanto se vai buscar baldes de água, porque ainda não temos mangueira). Sounds terrific, eu diria. Mas esta é a parte boa. É que quando estas coisas acontecem, não há sestas, pelo menos para algumas. E gente, não sei se já referi, mas não haver sestas traz o diabo nelas e a loucura em mim. Mas tudo bem, coisas normais.

Assim sendo, chega a segunda e eu respiro fundo porque vou conseguir não ter todas as miúdas 24 horas (é que, por muito que se goste, vamos lá ver, quem é que gostaria de comer bolo de chocolate constantemente? Ninguém!) e, com isso, respirar durante 10 minutos sem ouvir um som (espero, que isto nunca se sabe). Mas sim, segunda-feira. Pois que no fim do dia, sabe-se lá porquê, a do meio decide que está a ser atacada, com certeza. E berra, berra, berra. Entre berros, lá faço a lasanha. Lasanha essa que por alguma razão tinha placas sem glúten (sem comentários) e, por isso, acho eu, entre estar crua e estorricada passaram-se apenas uns minutos. Infelizmente ninguém a provou no seu estado de graça. As miúdas, comeram-na crua “com as mãos, malta”, digo eu, a tentar fazer daquilo um prato divertido, já que nem conseguia cortá-la com a faca. E nós, comemos estorricada. E sim, estava mesmo estorricada. Não sei que mal faz o glúten normalmente, mas sei o mal que fez por não existir nas placas desta lasanha. (Memo to self, deixar de me armar em parva e comprar coisas destas).

Adiante. Conseguimos deitá-las, mas a noite passou-se tudo menos deitada. É que elas, às vezes, estão possuídas. Garanto. Vudu será o meu próximo approach ao problema.

Então, afinal, segunda-feira também não foi assim tão espectacular. Chegamos a terça. Avizinha-se um bom dia, já que o Luís não está e “é tudo eu, tudo eu”. Mas a pessoa antecipa problemas, faz massa com queijo para o jantar (porque na verdade já não tem nada no frigorífico e hoje sentiu que não era o dia certo para o supermercado) e elas comem com amor, ufff. E depois decide ser uma mãe porreira e já que pediram para tomar banho no chuveiro dos pais, eu deixo. Ah, não sei se fui porreira para elas, mas sei que fui bem idiota para mim mesma. Assim que entram no chuveiro, uma escorrega e espeta-se. Começa aos berros. A outra, sente que a água ainda não está quente, tenta fugir, escorrega também, e pimba, berros. A terceira, enfim, acho que começou só aos berros por solidariedade (não sei se já ouviram falar deste fenómeno de que uma puxa pela outra e no fundo, no fundo, fazem um coro em dó maior, mas é o que acontece por aqui).

Depois de 20 minutos e banhos tomados, descemos, e uma diz: xixi!! (claro que diz), mas diz tarde, e pimba, chão com ele. Acontece que a casa não tem o chão direito, o que faz com que o xixi escorregue mais rápido do que o normal e, por sinal, escorregue para cima da mais pequena, que vê nisto uma oportunidade de brincar numa piscina. Pego na do meio, enfio-a dentro do lava-loiças, rezando para que não caia, no meio de bocado perdidos de lasanha estorricada e outras coisas que tais, e vou a correr tirar a mais pequena do seu divertimento do momento.

Enfim, e podia continuar a explicar porque é que nunca há ponta de monotonia nestas minhas horas, mas acho que não é preciso.untitled-1868untitled-1886untitled-1901untitled-1905untitled-1923untitled-1957untitled-1974untitled-1975untitled-1992untitled-1995untitled-2001untitled-2021untitled-2029untitled-2087untitled-2091untitled-2095untitled-2102untitled-2104untitled-2106untitled-2111untitled-2119untitled-2120untitled-2134untitled-2136untitled-2146untitled-2159untitled-2160untitled-2161untitled-2166untitled-2171untitled-2191untitled-2195untitled-2206


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Tragam a segunda-feira, please.

Então é o seguinte. Há semanas puxadas, mas muito pior do que uma semana puxada é um fim-de-semana sem sestas. Ora bem, sábado estava a chover, nada como ir comprar mobília (é que a casa até agora está mais ou menos com nada, e como andamos a sentar-nos há uns tempos em almofadas, e eu quase já nem levantar me do chão consigo, achámos por bem ir ver de um sofá, mas a um outlet, que a malta será sempre forreta). Chegamos, dormem nem 10 minutos no carro. Entramos todos e cada uma vai para o seu lado. A loja é gigante, entenda-se. De repente dou com uma delas que trepou para umas espreguiçadeiras, de lá para um banco em cima das espreguiçadeiras (porque isto é tipo lidl, tudo mais ou menos umas coisas em cima das outras e, às vezes, ainda em caixas) e de lá para uma mesa. E andava-se a passear feliz em cima da mesa (algo que eu vi bem ao longe, quando vejo uma cabeça loira muito mais acima do que os seus 85 cms). As senhoras da loja têm ataques. Não pela mobília, mas pelas liabilities, é que a probabilidade de serem processadas neste país é grande, se elas caírem. Mas adiante, sai de lá e vão as duas mais velhas tirar placas com preços e esconder-se debaixo de 10 almofadas. Como já dissemos que compramos um sofá e estamos indecisos nas mesas, acho que fingem que não veem, coisa que eu agradeço.
Saímos de lá passada 1 hora e meia, vamos para o fast-food mais perto e elas lá têm que comer a sopa e tal que trouxemos. Já estão podres, já saltam das cadeiras, pedem 10 vezes para ir à casa de banho e por aí. 50 km de volta a casa, onde conseguimos por dentro do nosso carro uma mesa grande, um banco de correr, 2 cadeiras e mais umas coisinhas, além de 5 pessoas. O Luís foi deitado no chão, mas tendo em conta que adormeceu em 2 minutos, não me parece que tenha ficado incomodado.
Chegamos a casa, despejar crianças. Um vai cortar a relva, o outro vai voltar mais 50kms para ir buscar o sofá. Depois de tirar as cadeiras todas do carro, senão não há sofá que ali caiba. Crianças aos berros, claro, mortas de sono, mas como já passou a hora da sesta, não será fácil pô-las a dormir (sendo que como sou eu a ir buscar o sofá, o problema das crianças não é do tipo eu. Bingo!).
Casa um caos, claro. Temos um jantar às 5 da tarde em nossa casa, mas não temos jantar ainda (nem sequer ideias do que se vai fazer). São 3:30 e eu a ter que fazer ainda 100 Kms ida e volta, e ter que ir ao supermercado. Vai correr bem. Claro.
Siga siga, siga siga, como diriam no Gato Fedorento, e entre sofás e carne e sei lá o quê, chego a casa às 5. Graças a Deus que este fim de semana é o do MotoGP e portanto a cidade está o caos, portanto os convidados estão bem atrasados. Ufff. Mas chego a casa e sou informada que algures nessa hora em que eu saí, que elas decidiram mexer nos meus cremes todos e metade já nem existem. Pelo menos até hoje continuo à procura da tampa do desodorizante. Mas tudo bem, é que isso é um mal menor quando sou também informada que o vidro do outro carro está partido. E por estar partido significa que já não existe. É que hoje em dia cortar relva é um hobby perigoso e saltou não sei o quê, que fez não sei o quantas e pimba, adeus vidro. For all I care, ainda bem que não fui eu, o resto, pronto, é a vida. Menos um vidro. Ou dois, porque em menos de uma hora, uma das crianças agarra num copo e estilhaça-o no chão. Ainda bem que não são espelhos, que não estava a ver como seria possível ter ainda mais azares.
Os convidados chegam. Casa continua o caos (e vai continuar, na verdade). Uma das minhas filhas, depois de chorar porque quer o copo de água mais cheio e mais qualquer coisa que eu já nem oiço, decide que quer queijo, puxa o prato onde ele está e, pufff, cai o queijo e a faca de cortar legumes (que no momento estava a servir de faca de queijo, porque não tínhamos outra). E por “cai”, entenda-se que se espeta no pé dela. Boa, se ela já estava aos berros, imaginem agora.
Os convidados riem-se, nós já só encolhemos os ombros, tentamos comprar crianças com chupetas, deixamos que pareçam o mogli a comer com as mãos o puré, damos abraços e beijinhos, e até umas palmadas, mas acima de tudo muitas ameaças e o dia mais ou menos que acaba. Nós a morrer, elas também, e acho que os convidados a sentir que nem pensar ter mais do que um filho.
No dia seguinte? O que interessa? É que no fundo, no fundo, com mais faca, menos faca, mais sofá, menos sofá, acaba sempre tudo nesta bagunça.
Ainda bem que as crianças são o futuro. É que se fossem o presente, aposto que havia ainda menos. (Mas minhas queridas filhas, se um dia lerem isto, a mãe gosta muito de vocês).


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Semanas que valem a pena. Ou não.

Então é o seguinte, passo a vida a ouvir: como é que consegues?”. Olha, vou fazer o quê? Mandá-las pela varanda? É que não é que não apeteça, porque apetece muitas vezes, mas depois ia ser o cargo dos trabalhos. Então conto só até 3 pela milésima vez, dou umas palmadas, cerro os dentes e sorrio. Sim, há um tanto ou quanto de esquizofrenia nesta minha conduta, mas tem sido a que melhor se adapta, portanto, it is what it is, folks.
Passo a explicar. Há duas semanas as miúdas tiveram uma semana de férias. Mais ou menos uma coisa normal por aqui. Férias para elas, tiros na cabeça para mim, pois claro. Mas a malta aguenta e entre ir a parques infantis, ter uma com febre, outra com “castas” (que na verdade ela acha que diz cascas, e quer-se referir a unhas que por ela roer, ficam a magoá-la), dar 3 almoços por dia, 3 jantares, 3 pequenos-almoços, aturar 20 birras, num bom dia, e por aí adiante, a coisa fez-se.
Depois vieram as queridas visitas. Boa. Depois as visitas foram-se e o meu querido marido achou por bem ir-se também. Assim de fininho, como quem vai ali à Alemanha “só” uns dias. E portanto, cá fiquei eu. E as miúdas.
E começa bem. Logo no primeiro dia elas acharam que dormir era para os fracos. Viraram Marcelos. Umas meras 4 horas chegam. E nunca seguidas, claro. Primeiro acorda uma. Mas aos berros. Não é coisa para se calar com uma chupeta. Vamos para a casa de banho, para tentar que não acorde as outras. Mas claro que acorda. Vem a outra e pede leite. E a outra só não pede nada em particular porque não fala. Mas também chora. É um coro, portanto. Depois querem fazer xixi. Tiram as fraldas, até porque já fizeram xixi na cama também. Tudo bem, está calor, aceito que assim se refresquem. Depois de uma noite mal dormida, elas ficam ainda mais impossíveis (sim, que o mal de não dormirem não é só eu não dormir, é que depois ninguém as atura). Tudo a correr bem. Só faltam uns dias para o Luís chegar.
Ponho-as na escola, uffff, só 2 delas, mas é melhor do que nada. Vou buscá-las e vamos ao parque. Chegamos. Uma quer fazer cocó (sim, que eu decidi que essa semana era a semana de tirar a fralda à do meio, porque a sua pele de flor de estufa está a fazer com que ela fique com feridas e portanto, vamos ver se sem fralda melhora). Mas o que interessa é que uma quer fazer cocó. Não há casas de banho, mas pelo menos desta vez tenho toalhitas. Agarro nela, quase a ter a criança pela boca, e espero um bocado, porque aquilo não é instantâneo. Lá faz, numa árvore, “olha mãe, é como os cães”, diz com ar de quem vai directa lá mexer. “NÃÃÃOOOO”. E ouve-se a outra: “mãe, cocó.” Entre ir buscar toalhitas, prender uma, agarrar na outra, recuperar o fôlego, lá elas fazem tudo o que têm para fazer. Ah, isto sem dizer que é preciso ir olhando para a mais nova, que se acha o Rambo e sobe por todo o lado sozinha, incluindo o escorrega ao contrário. No fim do dia, fizeram 4 vezes cocó em 45 minutos. Belo marco, não acham?
Depois disto? Depois disto foram 4 dias assim. Sem dormir, a trabalhar, a ir a parques e a sentir que no dia a seguir ia virar zombie. Mas nunca virei, ao menos isso. E o Luís chegou, passei-lhe o pau da estafeta, e saí eu (sim, vimo-nos cerca de 5 minutos) para ele ir dar jantares, e eu ir fotografar um evento qualquer. Ou, se calhar, só fugir de casa umas horas, quem sabe.
Elas são uma doçura, uma querideza, um cutxi cutxi, mas quem não morre com dias assim é imortal, for the record. É que eu morri.
(In the meantime, fomos fazendo festas do pijama e biberões na minha cama. É que, no fundo, no fundo, elas até são uma risada).


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This is efficiency. 6 years. 6 kids.

E pronto, em 6 anos é isto.

Menos cabelo. Menos horas de sono. Menos jantares fora. Mas mais gente, lá isso ninguém nega. E mais rugas. Mais 700Kgs (todos em mim, não se preocupem). Mais idas para a cama às 9 da noite. E mais aproveitar cada minuto, que sabe-se lá quando vai ser a próxima vez.

Temos até casa no mesmo prédio, mas acho que a última vez que nos vimos por mais do que uma hora seguida foi em Miami, quando nos deram o vosso quarto e ainda éramos “só” 7 ao todo. Passados um ano e meio, Austin it is. Sendo que podia ter sido na Pensilvânia, for all I know, já que de Austin viram pouco. Isto de combinar sestas de 6 miúdos com menos de 5 anos não é muito simples. Nem comidas. Mas we go with the flow. Vai-se quando dá, fica-se quando é preciso. Anda-se com potinhos atrás, com fruta, com sopa, com carrinhos. Com mudas de roupa, com fraldas (mas claramente que nunca com toalhitas, shame on us). Com bicicletas, com bicicletinhas. Anda-se com casacos que são nossos, que são dos outros e com bolos “pintados” de papagaio com mms. O programa é ir ao brunch comer panquecas, sendo que o que importa é que tenha escorregas, para conseguirmos dar duas tricas em qualquer coisa sem ouvir um “mãeeeee”, e mesmo assim, nunca acontece. Copos de água no chão, ovos benedict (que a malta é fina) espalhados pela cara, potinhos de leite para por no café mordidos e rebentados sem querer,  maple syrup a colar nos casacos. Outro programa é ir lançar papagaios. Porque há um festival. Acabava às 5. Claro que chegamos às 5 para as 5, que sair de casa, só em si, é quase um programa também. Mas lançamos papagaios na mesma. E enrolamo-nos nos papagaios dos outros. E ouvimos choros porque querem ir no carrinho, porque não querem ir no carrinho. Porque vem lá um cão, porque querem a mãe, o pai e o periquito, e, a certa altura, já não ouvimos nada, porque já não queremos saber (ou fingimos). Levamos crianças a fazer xixi nas árvores, debaixo das mesas e talvez nos nossos pés, mas who cares? E comemos o bolo como se não houvesse amanhã, e iogurtes e sei lá mais o quê, já que o fim-de-semana foi todo a comer (ainda que mais de metade das vezes, massa com atum e afins. E chocolates, pronto.).

Mas tudo isto para dizer que não trocava por nada. E que, tudo o que foi de cansaço, foi de espectacular em dobro.

E, por isso,  siga para o próximo encontro. Sabe-se lá onde.  Com mais crianças, nessa altura (lá eficientes nós somos, isto também ninguém nega). E façamos mais jantares com copos de vinho, a rir à gargalhada até à meia-noite, como se fossem 5 da manhã.

Se foi o caos? Sim. Se estamos podres? Sim. Se enfiar 10 pessoas numa casa durante 4 dias é uma loucura? Talvez. Mas wouldn’d want it any other way.

Agora vamos só ali morrer o resto da semana.

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O melhor pai?

Este senhor que aqui vêem é o melhor pai do mundo (em ex-aequo com o meu, mas isso agora não interessa). Mas como todos os melhores qualquer coisa, há sempre umas coisinhas para afinar, afinal, se não houvesse, que graça teria?

Ora bem, decidimos fazer uma festa de anos a uma das miúdas. Na nossa casa nova que ainda não tem nada (o que, para o caso, até dava muito mais jeito). Festa às 3:30, para que as pessoas não se fossem embora muito tarde (pensamento simpático, I know). Ele ficou em casa com elas, para fazerem a sesta, e eu fui arrumar sanduiches e coisas que tais em pratos. Podíamos ter feito as tarefas ao contrário, mas o mais provável era eu chegar lá e ele estar a tirar medidas às paredes para fazer o seu modelo de casa em 3D (sim, ele faz isso). Adiante. Recebemos algumas mensagens de gente que dizia: I am running a bit late e tal. Tudo bem. Esperamos. Mas o problema é que não estamos em Portugal, e por “I am running a bit late, significa que a pessoa vai chegar 5/10 minutos atrasada. True story. Mas só percebemos isso no dia. Mas ainda mais adiante. Ora, chegam as 3:30 e pimba, gente a tocar à porta. Boa. O único senão é que as minhas queridas crianças e o pai delas ainda não estavam. Mas enfim, eu faço o sorriso 34 e digo para entrarem. 3:40 começam a chegar o que diziam estar “late”. Ah, estou a ver, penso. Esses e outros que eu não conhecia, porque eram amigos do trabalho do Luís e, pronto, eu esperei que tivessem sido efectivamente convidados e não penetras. Disse: entrem e apresentem-se, vou só ligar ao Luís. (Devo mais ou menos ter rosnado isto, porque por dentro estava a ferver).

Ligo uma vez. Não atende. E claro, ele, que até é uma pessoa que não se costuma atrasar, também é, por outro lado, alguém que ao fim de 3 filhos ainda não percebeu a necessidade de planeamento no que toca às crianças. Nem de planeamento do previsto, nem do imprevisto, claro está.

3:55 (sim, a festa cheia de gente, e nada da “dona da festa”). Ligo outra vez, neste momento já a engolir espuma. Atende-me uma voz de quem acabou de acordar. “Onde estás? Estavas a dormir?” “Não” responde rapidamente. Aquela tanga óbvia de quem tem medo de ter a sua cabeça cortada assim que me chegar à frente. “E elas?” “Elas estão a fazer a sesta”. Estão. Não é estavam, é estão. Portanto, nem sequer as miúdas acordadas estão. E a festa vai quase a meio. Ok, exagero, mas naquele momento eu já tenho fumo a sair pela orelhas. Ele diz: “vou despachar-me”.

Chegam passado meia hora. Uma com os ténis da outra calçados (3 números acima, portanto), a outra com calças pelas canelas (uns números abaixo, portanto também). Uma tentativa de fazer matchy matchy na roupa (que ele sabe que eu gosto, e só por isso merece algum crédito), mas, digamos que deve ter tido dificuldade em perceber que jardineiras com riscas não eram o mesmo que jardineiras com flores, apesar de haver com flores para as 3, e com riscas para as 3. Mas, no meio disto tudo, já só dava graças de elas virem de calças, porque tendo em conta a situação, não me espantaria se viessem meias nuas. Nem olha para mim, quase. Ou olha meio a rir-se, porque esta pessoa é assim, ri-se. E eu, de nervoso, rio-me também, porque ou é isso, ou esganá-lo ali. E vá, não merece. Passadas 2 horas de estarem na festa, pergunto: deste lanche à mais nova? Nem precisa de responder, claro, basta ver aquele ar por 3 décimas de segundo.

E pronto, sim, ele é o melhor pai do mundo. Mas há dias em que me tira do sério. E não , não me digam que tenho que deixar a roupa pronta. Tem mãozinhas, ele há-de lá chegar.

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Dentes e dormidas.

50886368_10156085016804352_1817303553174142976_oVamos lá ver, não sei quando dizem que isto melhora, mas ando mesmo mesmo à espera. E dizem que quem espera, sempre alcança.
Começa no sábado (na verdade começou já há uns anos, mas ok, vamos dar o exemplo desta semana). Sábado it is. Elas dormem 10 horas. De 3 em 3 horas. E deitam-se às 8 da noite. Sim, fizeram bem as contas, acordam às 6, ou antes, às vezes. Mas tudo bem, que quem é que precisa de dormir mais anyways? O Marcelo não. Logo, acredito que por aqui estejamos no mesmo caminho. A seguir, viramos presidentes.
E podia ser assim e ficarem frescas, mas não, ficam com sono (o que significa que ficam a fazer birras). Falaram-me dos terrible 2. Eu cá sinto que há os terrible 1, terrible 2, terrible 3 (e só não digo mais, porque ainda não chegámos lá).
Lá se faz a manhã, almoço, e hora da sesta (sim, o oásis, para uns pais como nós). Deitamos uma na cama, a outra, mas uma sai, e a outra, bem, a outra acha que também deve sair. Vamos lá passar uma perna por cima das grandes e…e uma cara no chão. E uns dentes para trás. Sangue em todo o lado, berraria completa. Dentes a 90º face ao que era suposto. Ah, que bom! Por acaso e com sorte (temos que a ter às vezes), só temos 3 amigos e meio por aqui, mas um deles é dentista. Acaba por vir cá a casa, diz para fazermos um raio-x e lá pomos todas a dormir. Quando a do meio acorda, a sua cama parece saída de um filme do Kill Bill, e ela parece um castor, o que faz com que não consigamos olhar para ela sem rir à gargalhada (somos os piores, eu sei).
Dois dias depois é feriado. Segunda-feira. Mas só para as escolas, porque nas empresas não há disso. 3 miúdas em casa. O meu sonho. Aliás, um dia comprei uma caneca que dizia: “I wish there was one day between Saturday and Sunday.” Yeah, right, claramente que foi alguém sem filhos que escreveu isso. Mas adiante, 3 miúdas em casa e uma delas tenta entrar no berço da outra. Berros. Sangue. Desta vez os dentes não foram para trás, mas o lábio ficou todo cortado. Pelo menos foi noutra, não na mesma. Até porque a do meio já tinha ficado também com um olho negro, quando o querido pai dela não a viu e lhe deu um gigantesco chuto. Enfim, podia ter dado um chuto nos dentes, o que seria pior. Nada como ver o lado positivo.
E tudo a melhorar. Choro para um lado. Sangue para o outro. Crianças aos saltos. Aos berros. Sei lá. Acho que já nem sei nada.
Mas estamos em casa, a certa altura, e a mais nova acha que é o King Kong, tal qual a do meio. Sendo que é pior, porque a mais velha acha que po-la em cima do sofá sem nós estamos a ver, ainda é melhor, portanto, vai daí, ouvimos um estrondo, e, ups, a mais nova vai também de cara ao chão. Esperamos nós que tenha sido de cara, porque a certa altura saiu sangue do nariz e se tivesse sido de cabeça, podia ser um traumatismo. E, vamos lá ver, isso não dava jeito nenhum.
Mas pronto, elas são queridas. Todas. E divertidas. Mesmo embrulhadas em sangue. E terra, muitas vezes.
Aliás, tão queridas que são que ontem, quando a mais velha se levantou pela décima vez porque dizia que tinha que ir à casa de banho, depois de ir para a cama, e lá fui eu, ela olhou para mim com um sorriso querido, e deu-me uma festinha na cara. Eu, babada, claro, digo: “sabes que a mãe gosta muito de ti?”. E ela sorri, e responde-me ao ouvido: “mãe, quero cocó”.
E pronto. É isto que temos por aqui. Sim, estou à espera que melhore. Mas, neste ponto, só penso “quem espera, desespera”.