Algures no mundo


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O baptizado. Ou outra coisa qualquer.

Entonces que ela foi baptizada e quem se sentiu abençoada fui eu. E podia escrever um post fofinho e tal, mas não, é só mesmo porque hoje as consegui ter a dormir às 20:45. 

Nem queria acreditar. Saio do quarto delas e penso: “é desta, vou já dormir e aproveitar”. (Depois pensei que isso era demasiado deprimente, e que devia haver alguma coisa que eu quisesse imenso fazer na hora que me sobrava até ir dormir). Ah, isto claro, além de jantar, que normalmente alterno entre a papa cerelac e os corn flakes com açúcar. – Razão pela qual qualquer dia não caibo nas portas, mas isso é outro assunto. – Claro que pensei tanto tempo que acabei a não fazer nada e a olhar (só e apenas!) para a televisão (não a ver televisão, só mesmo a olhar para ela, porque ainda não a conseguimos ligar, ou seja, os cabos que fomos comprar ao AKI para roubar tv ao vizinho continuam em cima da estante. Um dia destes fazemos isso).

Mas isto tudo para dizer que a miúda foi baptizada. A pequenina, porque a outra é enorme. 

E que a festa foi demais. Entre porco, e picanha e maminha e outros bocados de carne. Entre sobremesas mil e maioneses com atum. Entre sol e um bocado de vento…deu em eu estar constipada hoje (mas pronto, não pode ser tudo perfeito. AHAHA, exacto!). Mas mais do que isso, deu em eu estar mesmo mesmo contente por ter amigos e família como os que lá estavam. 

(BOLAS, UMA DELAS ESTÁ MEIO A CHORAR. ESQUEÇAM A BENÇÃO!)

Adiante, e to make a long story short: consta que vamos embora daqui a pouco tempo. E a parte menos boa disso, é estarmos longe desta malta toda. Oh well, we will come back! Voltamos sempre.

Obrigada a todos.

(As fotografias foram roubadas, que não tenho fotografias nenhumas do dia. Pelo menos por enquanto).

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Métodos contraceptivos que funcionam.

A meio de uma conversa com uns amigos, alguém solta um: “o teu blog é um autêntico contraceptivo”. Ah, isso é porque essa pessoa não viu os meus dias. Isso sim, faria a Afrodite, a Vénus ou qualquer outra pessoa muito fértil virar homem, para garantir que não engravidava (não que ande a resultar comigo, mas enfim, isso é outra história).

Adiante.

Pois que a minha empregada querida (que, como qualquer boa empregada, é essencial nos dias de uma pessoa) me disse que hoje não podia vir. Bolas! Só por si isto já me poria a respirar fundo. Mas depois há a parte de eu ter que trabalhar de casa. E de a mais velha não ter escola porque é Agosto, e em Agosto os pais que se amanhem. E de, enfim, mais mil coisas. Mas tudo bem, organizei-me para fazer tudo na terça e ficar sem trabalho para quarta. Check.

Chega a quarta. Férias! (Afinal quando não se trabalha ou se está em férias ou se está doente). E podia ser um dia cheio de potencial, não tivesse ele começado às 6 da manhã, as usual, e com paragens de 3 em 3 horas durante a noite (na melhor das hipóteses). Mas bem, ainda assim, pondo um creme que o Luís me trouxe, muito contente, enquanto dizia: “a senhora da loja garantiu-me que isto tira as olheiras”…(hummmm, not!), podia ser que o dia fosse espectacular.

Vamos à rotina das 150 fraldas. A cada. De soros no nariz. De trocar lençóis, porque claro que alguém fez xixi na cama, mesmo com fralda. De dizer: “não há nenhum cão lá fora, escusas de chorar cada vez que a mana chora porque tem sono”. De tratar dos almoços. De ler 7 vezes a mesma história do “coração de mãe ser mais do que um músculo”, sendo que o meu deve estar claramente em modo avc. Pensar em sei lá mais o quê e deixar tudo tratado. E vem a hora de descansar, porque as ponho na cama para a sesta.

Claro que não dormem. Claro que se riem uma com a outra. Até uma pisar a cara da outra, a outra começar aos berros, e a “uma” começar aos berros também a dizer: o cãoooooo. Qual cão? Não sei.

Depois de uma hora e pouco nestas tentativas, levo as duas para a sala. Tenho fome, são quase duas da tarde e ainda não almocei. Azar para a sesta.

Almoço a lavar uma cadeira que está com um ar nojento, e que de tão nojenta que está, a própria roupa delas fica suja por se sentarem ali. Ah, maravilha. Esfrego, esfrego. Com fairy, com vanish. Com tudo. Vai saindo castanho (que entenda-se, parte já vem de casa de uma amiga que me deu a cadeira), e castanho e, na verdade, nunca deixou de sair castanho, mas eu perdi a paciência, depois de esfregar mais de meia hora.

Elas, cheias de sono, fazem mais birras, claro. Vamos para o parque.

Ora, ponho-as no carro, depois de entalar a mais velha na porta do elevador e ouvir ainda mais berros (desta vez cheia de razão, coitada), e, em 2 minutos, adormecem.

E isto é um dia de “férias”. Ou de doença, as you wish.

Mas depois elas são queridas e eu derreto. Zero racional, entenda-se. E se não estão, eu tenho saudades. What?!

Admiro quem é mãe a tempo inteiro e não trabalha. Se eu assim, às vezes, penso em mandá-las pela janela (com amor e muito carinho), imagino ter isto 24/7.

(Parte muito positiva é que já decidi que vamos de férias em Outubro! E aí o algures no mundo deixa de ser por aqui, neste belo país que até é escolhido pela Madonna, segundo consta, para ser numa praia qualquer, espera-se). More to come sobre isso, que eu já estou aos saltinhos com a ideia de descansar. Daqui a 2 meses, mas who cares?!

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Só um aparte. Elas são lindas. E queridas. E maravilhosas. O resto? O resto também, mas vai passar, so they say.


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Viagens pela nossa terra.

Viajar por aí é óptimo. Viajar por aqui, também não lhe fica atrás.

E ontem foi uma bela viagem até aos tempos de faculdade. Mais uns (que bom!), menos uns (com pena!). Mas no geral, quase todos (o que hoje em dia é espectacular, admitamos). Umas crianças aos saltos, uns gins a saltar também, mas para dentro da boca. Legos e picanha, tudo misturado. Histórias com pop-ups e histórias do que se andou a fazer nos últimos tempos. Presentes de anos. YEY.

Um sofá a menos, substituído por uns colchões no chão, onde se mostra a zero cerimónia que há por aqui, com todos deitados em jeito de “tudo ao molho e fé no que for”. Pés descalços, acabados de vir da praia. Cervejas e biberões de leite tudo na mesma mesa. Saladas boas e gelados, para acabar em beleza.

Ficou por usar a piscina. Essa grande piscina que temos, cor-de-laranja e com uns bons 30 centímetros de altura. Mas temos sempre que deixar qualquer coisa para a próxima.

Venha o próximo churrasco, ou o que for, desde que venha.

Saudades deles. E nossas.

Se há coisas boas em Portugal (e todos sabemos que há muitas!), das primeiras são estes “mininos”. Voltaremos aos 20s daqui a pouco, apesar de estarmos quase nos 40 (bem, uns mais do que outros, ahah).20170730_213912A próxima viagem está quase. Mas enquanto não vem, goza-se o que está (e que não é pouco).

 

PS: Esta fotografia foi tirada com um telemóvel, em cima de uma mesa, em cima de um banco, com um copo de água, para ficar mais pesado, e outro telemóvel por trás, para segurar. Viva os engenhocas. Espectacular. Demorou quase 20 minutos, mas nós aguentámos a pose como se fosse espontâneo. Upa upa. Viva nós também.


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Maravilhas de ser pai. Ou mãe.

Ora bem, estou naquela fase em que a criança se passeia pela casa sem nada vestido, só uns calções, porque decidiu que fazia birra se eu lhe vestisse uma camisa, ou qualquer outra coisa. Whatever, like I care, fica assim. Sim, que consegui por a outra a dormir, tarefa difícil quando as duas odeiam dormir e esta casa só tem um quarto, e, mesmo esse, não tem porta, e portanto ouve-se tudo e se não berra uma, berra a outra. Assim sendo, fica nua. Tudo bem.
E seria perfeito se acabasse aqui, mas not.
Hoje fiquei sem o telemóvel. Umas horas. Não, não foi à água, isso foi na semana passada, seguido de um mergulho no arroz. Hoje foi só porque a criança o levou. Para onde? Ah, isso queria eu saber. Espreitei em todo o lado, com ela a imitar e a dizer gestualmente: não está. Pois, pois não.
Passadas uma hora e meia lembrei-me do find my iphone (bendito!), já que som não costuma existir no meu telefone. Estava debaixo do frigorífico. Ah, tranquilo, pensam vocês. Não, claro que não. E porquê? Porque debaixo do frigorífico cabe o telemóvel e ficam apenas uns milímetros de sobra. Ou seja, como é que lá vou chegar? O frigorífico é encastrado, não dá para tirar. Isto é uma cozinha feita às 3 pancadas, portanto a probabilidade é eu conseguir enfiar o telemóvel debaixo dos móveis que estão ao lado e que não têm outra abertura. Vou buscar o aspirador. O ar não chega lá. Uma faca, chego ao telemóvel, mas só o afasto. Uma revista, mexo-o, mas não adianta. Agarro numa pastilha elástica, mastigo um bocado, colo-a à faca (entretanto tenho a minha filha que abriu o frigorífico e agarrou em dois ovos, fazendo deles castanholas, maravilha) e tento chegar. Colo a pastilha na parte debaixo do frigorífico, mas nada mais. Duas facas. Finalmente, em modo pinça, consigo. Viva a séria do MacGyver.

E podia acabar aqui, mas não. Deito-a. Vou para o hall tentar adormecer a outra. 20 minutos, não oiço barulho, deve ser tranquilo voltar à sala. WRONG! Ela estava em pé na cama, assim que me vê (não há porta, remember?), chama-me, ou faz ruídos, o que seja. Vou lá, com a outra, que também não está a dormir. Atira-me uma fralda (como é que tem uma fralda na cama?). Ah, tirou a própria fralda, fez xixi na cama, em vários sítios. Ontem também, mas com a fralda posta. Hoje inovou. Agarro em tudo, deixo a pequena em casa, trouxa para o último andar, onde está a máquina (claro que está a ser usada!). Volto com tudo para baixo. Cheio de xixi.

E pronto, voltei aqui. À sala.

(Sim, tudo isto como noites terríveis e dias em que não as consigo por a dormir a sesta). Ah, a maravilha do parenthood. Está bem, vão ao engano, vão.

E a outra? Ora, já acordou, claro. Viva!unnamed

Porque uma imagem vale mil palavras. O caos.


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Há dois anos.

Diz que foi há dois anos que nos casámos. Não que eu me lembrasse, se até nas alianças consegui enganar-me na data. Mas lembro-me que foi divertido, como se quer de uma festa. Não foi pipi, pelo menos não achei, teve bolo de chocolate feito por mim (sem receita, mas não foi problemático, assim como assim raramente se come o bolo da noiva), e muita música à mistura.
Desde aí já passeámos muito – Jordânia, Eslovénia, Alemanha, Estados Unidos, Noruega e provavelmente outros sítios que não me vêm de momento à cabeça -, deitámos cá para fora duas crianças, que são as coisas mais queridas, mas também as maiores prisões que se podia arranjar, e arranjámos uma casa (ou pelo menos estamos no processo).
Diz-se que um casamento é feito de rotinas, o nosso tem falta dela. De rotinas só mesmo as horas de deitar das miúdas.
Mas apesar de todas as discussões, da minha falta de paciência, da nossa falta de rotina e de estares lá e eu aqui, tem sido um casamento que me faz sorrir cada vez que penso nele. Se tem sido desafiante? Talvez para ti, que não sou fácil, para mim tem sido só bom. Cansativo, talvez, mas se eu tomasse as vitaminas supostas, talvez melhorasse.
Anyways, tudo isto era para dizer que “viva a nóis”, e para agradecer o estares sempre aqui, mesmo que longe, o teres sempre um ombro (que, por sinal, é bem giro, como tu) e o teres sempre acreditado que valia a pena.
Podia ter sido diferente? Podia, mas, claramente, não seria a mesma coisa, como dizia o outro.familia_estufafria 013familia_estufafria 044ML 365ML 557ML 797

(De notar que o post é curto e pouco lamechas, mas foi feito entre choradeiras e trocas de fraldas, e ver a febre, e lavar a loiça, enviar um email, apanhar a roupa e sair de tudo viva. Bang, não é fácil, não me lixem – ou tramem, para não dizer asneiras).


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África. Ou Moçambique.

Por norma, só quem não esteve em África é que acha que África é pobreza. Ou que teve pouco tempo, vá.

Porque sim, há pobreza, claro, mas é uma pobreza que fica muito aquém dos sorrisos, e da alegria das pessoas. Não têm chinelos, mas nunca reclamam por isso. Ou casas, até.

E isto é o que mais gosto de África. E é por isso que gosto de cá trazer as minhas filhas, porque apesar de toda a gente dizer que elas não se vão lembrar, em última análise, lembrar-me-ei eu.
Sei que me vou lembrar de as ver a brincar com qualquer pessoa, preta, branca, pobre ou rica. Sei que me vou lembrar que comeram papas de milho, feitas com milho mesmo, e com leite. Sei que me vou lembrar que andaram descalças em qualquer chão e que foram seguradas em capulana para adormecerem. Vou-me lembrar que aqui a Quinta do tio Manel, passou a Quinta do tio Maneli, e que a We are family, I got all my sisters with me, passou a We are hummhummli, I got iol my sisters hummm.
Vou-me lembrar que aqui ninguém as trata como rainhas, e eu gosto disso, e vou-me lembrar que é bom voltar às origens (e no meu caso, são mesmo) para ter os pés na terra (ainda que tenha que chegar pelo ar).
Mas, ontem, ao ver o Francisco, um miúdo de 10 anos, que nem sabia ler nem escrever, mas que era muito querido, lembrei-me da pobreza, porque ele, ao contrário da maioria, tinha um ar triste. Um ar de quem não sabia bem para onde se virar. Um ar de quem queria que gostassem dele (e se eu gostei!). Um ar de quem precisava de mais, mas não tinha. E aí, naquele bocadinho, também eu fiquei triste, porque é difícil ver alguém assim e não poder fazer nada.
Já a minha miúda, mesmo sem falar, acho que fez o que eu não consegui, estar com ele. De igual para igual. E a brincar com um carrinho feito de latas e ferro.
Só por isso, também já valeu ter vindo.
(Apesar de tudo isto, valeu o fim-de-semana de miúdas, com chineses à mistura e sul-africanos a serem mandados por mim (de pijama e descalça) calar à uma da manhã, já que acharam que música aos berros ao lado da nossa casa era o que estava a dar).
Ficam as fotografias. DSC_0601DSC_0616DSC_0618DSC_0620DSC_0625DSC_0645DSC_0646DSC_0651DSC_0654DSC_0673DSC_0675DSC_0692DSC_0708DSC_0711DSC_0726DSC_0732DSC_0737DSC_0743DSC_0759DSC_0762


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Chapa(da)s.

E, de repente, tenho uma hora e meia para mim. É a loucura. Ir a piscina!
Vou de taxi, para ser mais rápido (ontem, acabei por ir a pé para onde precisava de ir, enquanto esperava pelo táxi. Hoje não há tempo para isso).
Espero 2 minutos (parece uma eternidade). Não há táxis, mas aparece um chapa, aka Toyota Hiace.
– passa no shopping24?
– sim
Entro. Toda a gente ri, claro. Sento-me. Metade em cima do banco, metade em cima da perna da amiga do lado. Mas ninguém parece achar estranho. Somos 18 (atenção que o carro dá, em teoria, para 11).
A certa altura pára, entram mais 3. Sim, já somos 21. (Andam os jogadores de futebol a gastar em autocarros de 50 lugares quando podiam só usar um destes. E para as duas equipas. Era certinho que chegavam quentes ao campo).
O chapa continua e começo a achar que aquilo não vai para onde eu quero. Espero mais 5 segundos e pergunto:
– amigo, mas não pára no shopping24?
O amigo, enterrado no meio de 20 pessoas nem ouve. Responde outro (que talvez por estar em cima de toda a gente, tenha ouvido melhor).
– sim, shopping maputo.
– nãoooo, qual shopping maputo. Quero o shopping24.
– sim, shopping polana.
(Pronto, está claramente a não ouvir a frase toda, assim como o outro também não ouviu, está visto).
Começo a gritar, a ver que só me estou a afastar mais do lugar que eu queria “heyyyy, páraaaaa. Pára aqui” (we all know como eu consigo ser peixeira).
Todos se riem e o motorista continua a andar.
– páaaaara! Quero sair.
Toda a gente à gargalhada. E o chapa lá pára. Um diz-me:
– fazes ginástica. Vais a pé (oh que maneira simpática de me chamar gorda, ahah). E o pior é que tinha mesmo que ir a pé.
– não vou pagar o valor todo, informo logo.
– pagas 4 (sim, estamos a falar de menos de menos de cinco cêntimos, mas não quero saber. É o princípio).
Achei que 4 era justo. Era metade do valor normal. Mas isto foi-me dito por um passageiro. Claramente o cobrador não concordava.
Saio do chapa. A refilar, claro. E o cobrador a querer os 9. No way!
– não pode só dizer ao cobrador para onde vai, tem que dizer a toda a gente. Nós tínhamos dito que não dava.
(Ah, tá!)
Para a próxima já sei.
E foi assim que a minha hora e meia se transformou em 1 hora e 10 (sim não parece drama, mas para mim, foi).
Damn!